«Living, Restos do vento & 65»

sábado, 22 de abril de 2023

Já há algum tempo que não trazia um "Cinestreias" mas não tem sido fácil ver filmes recentes. Além da minha capacidade de concentração andar fraca, a minha disponibilidade para ir ao cinema é reduzida. De qualquer modo, consegui ver 3 filmes recentes e hoje trago-vos a minha opinião.


realizado por  OLIVER HERMANUS   protagonizado por  BILL NIGHY, AIMEE LEE WOOD, ALEX SHARP

1953. Uma Londres despedaçada pela II Guerra Mundial tenta ainda recuperar. Williams, um experiente funcionário público, é uma engrenagem impotente dentro da burocracia da cidade. Enterrado sob papelada no escritório, solitário em casa, há muito sente a sua vida vazia e sem sentido. De repente, um diagnóstico médico obriga-o a fazer um balanço e sentir que viveu a vida antes que ela termine.


Viver estreou em Fevereiro deste ano nas salas de cinema portuguesas e era um dos filmes que eu queria muito ver em 2023. Foi um dos filmes dos Óscares que me escapou na altura (Bill Nighy estava nomeado para Melhor Actor) mas felizmente lá o consegui ver recentemente.
Este é considerado um remake do clássico japonês de Kurosawa "Ikiru" (1952), um filme que está na minha lista de filmes a ver há anos. Quem ficou responsável pelo argumento foi o escritor Kazuo Ishiguro, do qual já li um livro que adorei; como tal, tinha confiança que a adaptação seria boa.
Este é um daqueles filmes mais intímos e pequenos, com um atmosfera melancólica e tranquila ao mesmo tempo. A actuação de Bill Nighy é realmente muito boa; de forma discreta e controlada consegue transmitir emoções fortes e distintas (emocionei-me bastante quando ele cantou!). Gostei também muito da fotografia e como é retratada a Londres dos anos 50. 🌟🌟🌟🌟


realizado por  TIAGO GUEDES  protagonizado por  ALBANO JERÓNIMO, NUNO LOPES, ISABEL ABREU, GONÇALO WADDINGTON, JOÃO PEDRO VAZ

Uma tradição pagã numa vila do interior de Portugal deixa traços dolorosos num grupo de jovens adolescentes. 25 anos depois, ao reencontrarem-se, o passado ressurge e a tragédia instala-se.


Restos do vento estreou em Portugal em Setembro do ano passado mas só o consegui ver agora através da plataforma da HBO. É uma produção nacional que despertou a minha atenção pelo elenco de luxo e por ser realizado pelo mesmo realizador de A herdade (opinião do filme aqui).
Algo que estou a gostar nos filmes deste realizador é o facto destes retratarem bem Portugal (a sua alma e costumes) sem deixarem de ter um enredo interessante e ao nível de produções internacionais. Este é um drama sobre violência física e mental e sobre a masculinidade tóxica que, de certo modo, continua a ser incentivada por algumas tradições antiquadas e em alguns ambientes.
A sua maior falha é a sua previsibilidade mas compensa pelo final extremamente impactante e emotivo. De destacar as interpretações de Albano Jerónimo e Nuno Lopes.
Concluindo, não me deslumbrou mas convenceu-me a continuar a apostar no realizador. Ainda tenho de ver a série Gloria! 🌟🌟🌟


realizado por  SCOTT BECK, BRYAN WOODS   protagonizado por  ADAM DRIVER, ARIANA GREENBLATT

O astronauta Mills despenha-se num planeta misterioso. Depressa percebe que está de facto na Terra, mas que recuou 65 milhões de anos no passado. Com apenas uma hipótese de resgate, une-se a outra sobrevivente, a pequena Koa, para cruzar um terreno desconhecido e repleto de perigosas criaturas pré-históricas. 


65 estreou no passado mês de Março e decidi vê-lo sem saber muito sobre ele. Tudo o que sabia era que tinha o Adam Driver e dinossauros...isso era o suficiente para mim. Este é um filme de acção e ficção científica que me entreteve mas que podia ter sido mais entusiasmante e apelativo.
Visualmente achei bastante interessante. Gostei do design dos dinossauros (alguns com algumas alterações que me fizeram sentido) e do aspecto da Natureza que os rodeava. Já a interação entre as duas personagens principais - o astronauta Mills e a pequena Koa - não me convenceram. O facto de eles não falarem a mesma língua fez com que o filme se tornasse um pouco aborrecido e menos intrigante. O filme precisava de outras personagens ou de outra maneira de explorar o ambiente que as envolvia.
O ritmo é rápido e vê-se bastante bem mas acaba por não ser memorável nem se tornar num daqueles filmes que revemos constantemente para nos distrairmos. Acho que a premissa era bastante original e podia ter sido melhor explorada. 🌟🌟 1/2



E vocês?

Viram algum destes filmes?
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Causa própria (2022)

terça-feira, 18 de abril de 2023


Hoje venho falar-vos de uma série que foi a minha companhia durante os meus períodos de amamentação nocturnos nos últimos tempos. Chama-se Causa própria e é uma produção nacional que está disponível na RTP Play e na HBO.


A nossa protagonista é Ana (Margarida Vila-Nova), uma juíza numa pequena cidade, onde julga os mais variados tipos de processos. Um dia, um jovem aparece morto num jardim e um grupo de estudantes é apontado como possível culpado. No entanto, o caso complica-se quando a família de Ana se vê envolvida. Ao mesmo tempo que acompanhamos o envolvimento de Ana no processo, seguimos também a investigação que é liderada pelo Inspector Mário (Nuno Lopes).


Esta série foi uma agradável surpresa! Tem bastante qualidade, o que é ainda mais admirável tendo em conta que é uma produção portuguesa. É da mesma produtora - Arquipélago filmes - que a série Sul que vi recentemente (opinião aqui), partilhando até alguns dos mesmos actores. No entanto, esta conseguiu corrigir alguns dos problemas que essa outra série apresentava (o ritmo e falta de coesão de alguns elementos) e melhorar então a qualidade do produto final. 


Temos aqui uma série policial e um drama judicial bastante intrigante e com um mistério que prende facilmente a atenção. As personagens são interessantes e as interpretações bastante competentes, incluindo as do elenco mais jovem. Achei especialmente engraçado ver o julgamento de um crime através dos procedimentos jurídicos nacionais e não recorrendo à típica americanização.



Há também que elogiar a qualidade técnica da série, tanto a nível de realização como de fotografia.

Está disponível uma temporada com 7 episódios. Pelo que investiguei, tudo indica que vamos ter segunda temporada, o que me agrada porque quero que alguns pontos sejam melhor explicados. No entanto, se a série acabasse por aqui não ficaria com uma sensação de insatisfação porque o final é fechado o suficiente. 


Super recomendo a série e fico muito feliz se a ficção nacional seguir este rumo! 🌟🌟🌟🌟1/2



E vocês? Já viram esta série?

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Cineclássicos | The testament of Dr. Mabuse (1933)

sábado, 15 de abril de 2023


Já há bastantes anos que procuro investir em filmes clássicos, filmes mais antigos que valem a pena ver. Tenho apostado em vários projectos (incluindo o podcast Refúgio nos clássicos) e desafios de modo a incentivar este meu gosto. Uma das parceiras que tive ao longo destes anos foi a Chris do Diário da Chris (ex: Pipocas | Óscares | Acção) e ambas achámos que estava na altura de retomar a nossa colaboração nesta área.


Assim, decidimos que uma vez por mês vamos ver um filme clássico à nossa escolha que pertença a um determinado ano. Para Abril, tínhamos de ver um filme de 1933, um filme que faça 90 anos em 2023. Eu acabei por escolher o filme alemão  The testament of Dr. Mabuse.


Na altura, quando escolhi este filme não sabia que este é uma sequela de um filme mudo do mesmo realizador - Dr. Mabuse, the gambler (1922). Então, esse filme conclui com o aprisionamento num asilo do inteligente criminoso Dr. Mabuse, que fica louco no final, e este filme dá seguimento à história. Rumores surgiram que um bando de criminosos está novamente operacional, cometendo crimes que são estranhamente familiares ao modus operandi do antigo criminoso. Mas como é isso possível se ele está preso? Cabe ao Inspector Lohmann descobrir.


Este é um filme muito metafórico e com um objectivo político claro - ser uma alegoria anti-nazi. Pouco antes deste filme começar a ser produzido, os nazis tinham começado a ter um papel forte na política alemã e, claramente, Lang revela aqui uma forte preocupação com a ascensão de Hitler ao poder, construindo vários paralelismos na história entre a realidade e a ficção. Por exemplo, temos no filme um líder carismático e astuto que não está interessado em dinheiro mas sim em semear caos e medo. 



No entanto, se o filme convence pelo seu aspecto simbólico, acabou por não me convencer tanto em termos da estrutura da narrativa porque falha ao não procurar manter mistério nenhum. Ao contrário do Inspector, nós sabemos quase imediatamente quem está por detrás deste novo bando de criminosos, o que acaba por tirar alguma tensão e interesse ao filme. Além disso, a presença do Dr. Mabuse é mais de natureza espiritual o que não me agradou tanto (apesar de reconhecer o valor desta opção).

De qualquer modo, tecnicamente é um filme muito interessante e sólido tendo em conta a época, especialmente a nível de edição e "efeitos especiais".



Já tinha visto outros filmes do realizador que me agradaram bastante - M e Metropolis - e este acabou por não me arrebatar tanto. Talvez tenha partido para o filme com as expectativas demasiado altas. De qualquer modo, foi um filme que gostei de ver, especialmente tendo em conta o seu valor histórico. Claro que este foi um filme banido pelos nazis na Alemanha e acabou por ter de estrear noutros países europeus. 🌟🌟🌟





Podem ver que filme de 1933 a Chris escolheu aqui!


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«The bloody chamber» & «As coisas que perdemos no fogo»

terça-feira, 11 de abril de 2023


Estou de volta com mais algumas "opiniões perdidas". Desta vez, trago a opinião de dois livros de contos, um lido em 2018 e outro em 2020. Ambos têm toques de fantasia e horror.


The bloody chamber é um livro constituído por 10 contos, todos eles reimaginações de contos de fadas bastante conhecidos, tais como, O capuchinho vermelho e A Bela e o Monstro. São contos de tamanho diversificado, variando desde aqueles com apenas uma folha até aqueles com cerca de 20, mas todos eles são versões mais negras e sexualizadas do que os originais.

Esta foi a primeira obra que li de Angela Carter e, claramente, um dos destaques deste livro para mim foi a sua escrita sensual, sofisticada e rica. De uma forma muitas vezes metafórica e descritiva, ela apresenta histórias focadas em protagonistas fortes e temáticas muito femininas...histórias sobre sexualidade, violência, despertar sexual, balanço do poder no casamento, objectificação feminina, etc... Sem dúvida, que nos seus contos há um forte contraste entre a sociedade repressiva e tradicional, típica dos contos de fadas, e as protagonistas oprimidas que procuram libertação e uma identidade pessoal.
No entanto, como é frequente com as antologias, acabei por não adorar todos os contos presentes e isso acabou por afectar a classificação final. Acredito que todos eles possuem significados mais profundos do que parece à primeira vista (e leitura) mas realmente alguns acabaram por não me marcar e arrebatar durante a leitura. De seguida, comento brevemente cada um dos contos apresentados:
  • The bloody chamber (inspirado no conto "Barba azul"): este é o maior conto do livro e o meu preferido sem dúvida; explora temáticas como a objectificação da mulher e o papel da virgindade; é o conto com mais tensão e com um dos desfechos mais satisfatórios;
  • The courtship of Mr. Lyon (inspirado no conto "A bela e o monstro"): um dos dois contos inspirados na "A bela e o monstro" e o meu preferido dos dois; é um dos contos que faz um melhor uso do realismo mágico, misturando um cenário mais moderno com elementos mais fantásticos;
  • The tiger's bride (inspirado no conto "A bela e o monstro"): um conto mais focado na bestialidade e no poder da metamorfose do que o primeiro; confesso que, apesar de ter compreendido muito do simbolismo oculto, achei-o demasiado metafórico;
  • Puss-in-boots (inspirado no conto "O gato das botas"): o conto mais leve do livro; este foi também um dos meus preferidos pois conseguiu misturar bem elementos fantásticos e simbólicos, e oscilar bem entre um tom mais cómico e um tom mais negro;
  • The Earl-King (inspirado na figura folclórica "Erlking"): um conto muito focado na relação entre sexualidade e violência, já explorada também nalguns contos anteriores; apesar de não ser dos mais marcantes gostei particularmente do desfecho;
  • The snow child (inspirado no conto com o mesmo nome): o conto mais pequenino do livro, com apenas uma folha; apesar de curto consegue ser um conto intenso, condensando muitas das temáticas dos contos anteriores;
  • The lady of the house of love (inspirado nas histórias de vampiros da Roménia e a peça de rádio "Vampirella"): outro dos meus contos preferidos; aqui é a nossa heroína, uma vampira, que é o "monstro" e há claramente uma reversão de papéis que tornou mais interessante a exploração das temáticas; um conto muito marcado por decadência e corrupção;
  • The werewolfThe company of wolves e Wolf-Alice (inspirados no conto "O capuchinho vermelho"): curiosamente, alguns dos contos mais famosos da escritora foram os que menos me impressionaram (The company of wolves tem uma adaptação cinematográfica também famosa);

Concluindo, apesar de não ter adorado todos os contos, fiquei com vontade de ler mais obras da escritora. Recomendo para quem gosta de narrativas com uma forte perspectiva feminista e de realismo mágico. 🌟🌟🌟



Mariana Enriquez é uma escritora contemporânea da Argentina que me despertou a atenção pelas suas comparações a Shirley Jackson, uma escritora que aprecio bastante.
No Natal de 2021, acabei por receber este seu livro e achei, na altura, que, apesar de ser provavelmente um livro um pouco negro demais para um início de ano, nada como começar 2022 com a descoberta de um novo autor. E a experiência revelou-se positiva!
As coisas que perdemos no fogo é uma obra que reúne 12 contos desconcertantes com cerca de 15 páginas cada. São narrativas sinistras e algo grotescas que inquietam mais pela forma como a escritora encontra o macabro e o terror em situações sérias e familiares do quotidiano da Argentina, tais como, na pobreza, violência, droga, prostituição, corrupção, etc...
São notórias as influências clássicas de Poe, Stephen King, irmãs Bronte, entre outras, mas a autora consegue adaptá-las a um mundo e problemáticas mais actuais e tornar as histórias suas com uma voz muito própria. Os contos são intensos e atmosféricos, de leitura acessível e viciante, que perturbam não só pelas imagens sombrias que evocam mas também pelas críticas sociais e reflexões que se escondem nas entrelinhas.
Recomendo sobretudo o O rapaz sujo (foca-se na pobreza extrema de um bairro e a indiferença de uma mulher), A casa da aldeia (conto casa abandonada) e Sob a água negra (debruça-se sobre corrupção e poluição de uma favela, com toques lovecraftianos).
Talvez o ponto mais negativo do livro seja que a maioria dos contos acaba com um final em aberto, final este que em alguns casos me pareceu adequado mas que noutros me deixou insatisfeita.
Um livro forte que daria uma discussão interessante num clube de leitura e uma autora a repetir! É importante referir que a escritora não poupa nas descrições dos pormenores mais grotescos logo nao será  um livro para todos. Não é subtil como Shirley Jackson. 🌟🌟🌟🌟



E vocês? Já leram algum destes livros?

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5 filmes preferidos para ver na Páscoa

sexta-feira, 7 de abril de 2023


Hoje trago-vos a lista dos meus filmes favoritos para ver na Páscoa. Não são necessariamente os melhores filmes mas são aqueles que mais me marcaram e que eu revejo mais frequentemente nesta época festiva.

Aqui fica a minha lista, por ordem cronológica, com alguns breves comentários:



Um musical que conta com uma dupla muito talentosa que só contracenou junto neste filme: Judy Garland e Fred Astaire. Um musical divertido e animado que conquista pela voz de Judy Garland e pela dança de Astaire. É uma boa opção para ver na Páscoa uma vez que o desfile de Páscoa e essa época festiva são bastante importantes no desenrolar da acção. [imdb]


Filme clássico bíblico que é presença obrigatória na televisão nesta época festiva. Com efeitos datados mas impressionantes para a época, cenários opulentos e duas grandes figuras do cinema como protagonistas: Charlton Heston e Yul Brynner. [imdb]


Para mim, este filme será sempre o meu favorito para esta época. Aliás, este é um dos meus filmes favoritos de sempre. Ben-Hur foi o primeiro filme de sempre a ganhar 11 Óscares da Academia numa altura em que só existiam 12 categorias! Apesar do filme não se focar na vida de Jesus Cristo, Ele cruza o caminho da personagem principal em dois momentos importantes da acção (assistimos no final à cena do Seu calvário e crucificação) e exerce um forte impacto em Ben-Hur. Algo curioso no filme é que nunca vemos Cristo de frente, Ele é sempre filmado de trás. Um filme épico com um pouco de temática religiosa que recomendo muito. [imdb]


Sem dúvida que este é um dos meus filmes musicais preferidos de todos os tempos. É uma boa alternativa para quem quer ver um filme de temática religiosa mas não tem tempo para um filme épico e gosta de musicais. Adoro o timbre "roqueiro" do actor que interpreta Jesus Cristo e a  espectacular voz do actor que interpreta Judas. [imdb]


A mesma história do filme "Os dez mandamentos" mas numa versão animada. Gosto muito de como mostram a amizade entre os irmãos e as motivações de ambos. Musical com uma excelente banda sonora! [imdb]


E vocês? 
Qual o vosso filme preferido para 
ver na Páscoa?


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Janeiro a Março 2023

terça-feira, 4 de abril de 2023

O primeiro trimestre de 2023 foi marcado por muitas mudanças e emoções! Janeiro foi praticamente o meu último mês grávida, em Fevereiro foi o nascimento da minha estrelinha e Março simbolizou o início desta nova etapa: a maternidade. Apesar da maioria do meu tempo ser dedicado a desfrutar da bebé B. e a tentar manter a casa organizada, também tenho tentado não deixar de fazer algumas das actividades que gosto: ler, ver filmes e séries. Ainda não fui totalmente bem sucedida mas vamos lá pouco a pouco. Apesar das dificuldades, estou a adorar ser MÃE e realmente nunca imaginei que fosse sentir um amor tão profundo e uma ligação tão forte (não é apenas um cliché). 



BEBÉ B.
+ Ainda não decidi quão a fundo quero abordar o meu dia-a-dia como mãe aqui neste meu cantinho. Sei que quero registar algumas observações e não colocar nenhumas fotos da cara da bebé B. mas mais que isso ainda não sei. O tempo o dirá!
+ O meu parto foi longo! Chegaram as 42 semanas de gestação e a estrelinha não dava sinais de que queria sair do quentinho (compreensível visto que foram dias de muito frio!). Como tal, tiveram que induzir o parto...após 2 dias de indução e 26 horas de trabalho de parto (a dilatação nunca mais estava completa!) a minha menina veio ao mundo saudável! É indescritível esse momento e o que senti quando a colocaram nos meus braços <3
+ O primeiro mês foi complicado. Além de eu estar fraca ao início (tive de levar transfusão de sangue e ferro endovenoso), não tinha muito leite materno para oferecer, e, como tal, ela começou a perder peso e chorava muito com a fome (tadinha!). Felizmente, começamos a fazer suplementação com fórmula e tudo começou a correr bem melhor.
+ Apesar de ainda ter muito que aprender e ter dúvidas todos os dias, sinto que ela está agora muito melhor. Tem ganho peso, dorme relativamente bem e é uma bebé bem-disposta.



BALANÇO DO TRIMESTRE
consegui ler 5 livros em cerca de 2 meses - o clássico de aventura O prisioneiro de Zenda, o romance gótico O décimo terceiro conto, o clássico francês Eugénie Grandet, Thérése Desqueyroux para o meu projecto de ler livros de escritores vencedores do Nobel, e Passing,  um clássico do renascimento do Harlem. Ando a ler 2 - Bolo negro de Charmaine Wilkerson e o clássico How green was my valley. Estou bastante satisfeita visto que o meu ritmo de leitura tem sido lento e a minha disponibilidade baixa.
+ Janeiro foi um mês repleto de filmes. Aproveitei o último mês de gravidez para ver os filmes nomeados para os Óscares e ainda consegui ver bastantes (lista completa aqui). Desde o nascimento da estrelinha que os filmes andam meio abandonados mas quero ver se começo a investir mais neles, especialmente os clássicos.
+ quanto às séries, estas têm realmente estado mais presentes na minha vida desde a maternidade porque, juntamente com os podcasts, têm sido a minha companhia durante os momentos de amamentação. Nestes 3 meses vi Black Bird, Slow horses, Sul, We own this city e The Offer.
+ quanto a compras literárias fiz uma única encomenda em Janeiro ao Book Depository para chegar por volta da altura do parto. Comprei 5 livros em inglês, a maioria de autores que já conheço: A passage to India de E.M. Forster, Cousin Bette de Balzac, Jude the obscure de Thomas Hardy, The go-between de L.P. Hartley e A month in the country de J.L. Carr.
+ ando a tentar ouvir mais podcasts de livros e filmes. São uma óptima companhia para as minhas noites de amamentação. Alguma sugestão?
+ para não deixar o blogue ao abandono decidi criar a rubrica Opiniões perdidas, através da qual recupero opiniões antigas de livros e filmes que nunca cheguei a partilhar. Sinto que foi uma boa ideia e ainda tenho mais umas quantas para publicar.



O QUE PASSOU POR AQUI NESTE TRIMESTRE...

+ opinião do livro e filme Passing
+ opinião da minissérie The offer
+ opiniões perdidas de filmes: Ma vie de courgette, Tout en haute du monde



Como foi o vosso trimestre?
Que podcasts me sugerem? 
Quanto mais obscuros e menos populares melhor!

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O que andei a ver neste Inverno

quinta-feira, 30 de março de 2023


Na publicação de hoje venho partilhar com vocês as minhas impressões sobre as séries que vi nestes últimos meses de Inverno. A maior parte delas são miniséries uma vez que dou sempre preferência a histórias que eu sei que têm princípio, meio e fim.


Andor (2022-) é uma série de 12 episódios que funciona como uma prequela do filme "Rogue One", tendo como protagonista Cassian Andor (Diego Luna). Nesta história, acompanhamos a jornada de Cassian desde o seu anonimato até se tornar um herói rebelde, bem como o papel de mais alguns intervenientes importantes na luta contra o Império. 
Esta foi uma série que me surpreendeu pela positiva. Apesar de ter lugar no universo de Star Wars, tem mais uma vibe de série de intriga política, repleta de perigo e tensão. É uma série com um ritmo pausado mas com momentos realmente marcantes e impactantes. Acredito que não será uma série para todos mas é muito o meu estilo. Disponível na Disney +. 🌟🌟🌟🌟


Black Bird (2022) é uma minissérie de 6 episódios produzidos pela Apple Tv. Conta a história de Jimmy Keene, interpretado por Taron Egerton, que é condenado por tráfico de drogas a 10 anos de cadeia. Para ver a pena reduzida, ele aceita ir para uma prisão de segurança máxima com o objectivo de se tornar amigo de um alegado assassino em série, Larry Hall (Paul Walter Hauser), e descobrir onde este enterrou os corpos de várias raparigas antes de o recurso de Hall ser aprovado. 
Esta foi uma série que me chamou a atenção quando foi nomeada para os Golden Globes. É uma série de true crime bastante envolvente e que se destaca sobretudo pelas suas interpretações. Hall é um assassino bastante peculiar e Hauser está impressionante enquanto ele. Não admira que tenha ganho o Golden Globe para melhor actor secundário em minisséries. 🌟🌟🌟1/2



Slow horses (2022-) é uma série baseada numa série de livros policiais de Mick Herron. Esta segue uma equipa de agentes secretos britânicos que trabalham numa sede abandonada do MI5, a Slough House. Gary Oldman é Jackson Lamb, o brilhante mas irascível líder dos espiões que acabaram na Slough House após cometerem graves erros nas suas carreiras. O nosso protagonista é River Cartwright (Jack Lowden) que acredita que é demasiado competente para estar na Slough House e quer provar o seu valor. 
Eu adoro dramas de espionagem e sinto que é algo que já não é muito popular hoje em dia. Como tal, tinha de experimentar esta série e até agora conseguiu captar a minha atenção. Estão disponíveis duas temporadas e até agora vi a primeira.  É uma série com mistérios intrigantes, uma boa dose de humor e uma interpretação fantástica de Gary Oldman a não perder. 🌟🌟🌟🌟



Sul (2019) é uma minissérie policial portuguesa com 9 episódios. Acompanhamos o inspector Humberto e a sua colega Alice que investigam a morte de duas mulheres que foram encontradas afogadas no rio e dadas como casos de suicídio. 
Esta foi uma série que acabei por não conseguir ver na altura em que deu na televisão e que vi então recentemente através da RTP Play. É uma série competente, com uma história interessante e uma boa dose de mistério mas é também algo lenta e previsível nalguns momentos. Visualmente, é bastante apelativa e conta com boas interpretações. É uma série policial bastante sólida, especialmente tendo em conta que é ficção nacional. 🌟🌟🌟


2022 foi para mim o ano de The Wire! Sempre tinha ouvido falar que esta era uma das séries mais subestimadas de sempre e realmente tenho de concordar. Em 2022, vi as 5 temporadas deste drama policial e não há uma única má temporada! Série viciante, com enredos políticos e sociais muito bem construídos e personagens inesquecíveis. Recomendo vivamente! We own this city (2022) é uma minissérie policial de 6 episódios da HBO produzida por David Simon, o mesmo produtor de The Wire. Além disso, conta com alguns dos actores que vimos também em The Wire e decorre também em Baltimore. Como tal, são inevitáveis as comparações. Apesar de não ter a mesma excelência da série original, é também uma minisérie interessante que vale a pena por si só. 
Esta é baseada em eventos reais que decorreram na cidade de Baltimore em 2015. Motins irromperam pela cidade e os cidadãos exigiam justiça pela morte de Freddie Gray, um negro de 25 anos morto em circunstâncias suspeitas sob custódia policial. Ao mesmo tempo, as drogas e e crimes violentos aumentavam. A pressão do presidente da câmara e uma investigação federal sobre a morte de Gray levam os comandantes da polícia a apostar no Sargento Wayne Jenkins e na sua unidade de elite, a Gun Trace Task Force, para tirar armas e drogas das ruas. No entanto, por detrás destes novos esforços, desenrolava-se uma conspiração sem precedentes.
Esta é uma história que não é contada de forma linear, saltitando constantemente entre várias linhas temporais. Confesso que ao início achei bastante confuso mas fui-me habituando e acho que tem um objectivo que faz sentido. Tal como em The Wire, o enredo está bem construído e há bastante intriga política e tensão. Vi-a rapidamente e recomendo-a para quem gosta de séries policiais mais negras que retratam bem a realidade das forças policiais e políticas. 🌟🌟🌟1/2


E vocês? 
Que andaram a ver neste Inverno?
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Sugestões de Primavera

sábado, 25 de março de 2023


A Primavera começou há um par de dias e, portanto, achei que seria apropriado trazer-vos as minhas já habituais recomendações sazonais. Desta vez, trago-vos 5 filmes, 4 combinações de livros e suas adaptações, 4 clássicos infantis, 3 livros e 3 séries de tv que combinam com esta estação do ano. Tentei optar por histórias leves, confortáveis e divertidas.



Bright star, 2009
Estrela Cintilante é um drama de época biográfico, baseado no romance do jovem poeta inglês John Keats (Ben Whishaw) e da sua vizinha Fanny Brawne (Abbie Cornish). Apesar de terem muito pouco em comum, - ele um poeta romântico, ela uma estudante de moda pouco dada à literatura - a grave doença do irmão mais novo de John aproxima-os. Essa amizade, rapidamente transforma-se num amor sem limites, com toques finais trágicos.
Esta é uma história de amor doce e trágica que se foca na dificuldade do amor triunfar num período onde o que importava era o estatuto social. Apesar da personagem de Abbie ser um pouco fria demais, Keats é interpretado de forma brilhante por Ben Whishaw que consegue transmitir bem a melancolia e ternura do poetaO filme é visualmente lindíssimo e conta com cenas na Natureza maravilhosamente filmadas. Poesia & Natureza & Amor parece uma combinação perfeita para a Primavera.


Captain Fantastic, 2016
Capitão Fantástico conta a história de uma família invulgar - um pai idealista e dedicado, sente-se feliz por criar os seus seis filhos menores fora da civilização moderna e mais próximos do que a natureza tem para oferecer, seguindo uma educação rigorosa, quer a nível físico como intelectual. No entanto, uma tragédia obriga-os a abandonar o seu paraíso e a regressar à civilização, tendo por isso de enfrentar todos os problemas e dificuldades que tal mudança irá provocar .
Este é um filme ternurento e provocador ao mesmo tempo, que procura levar-nos a pensar sobre educação, sociedade e família. Óptimas interpretações de todo o elenco e a parte inicial na floresta não podia combinar melhor com a Primavera. Destaque ainda neste filme para a banda sonora, a fotografia maravilhosa e a riqueza do guarda-roupa

Midsommar, 2016
Midsommar - o ritual não é um filme fofo mas sim um filme de terror pagão. No entanto, toda a estética não podia ser mais primaveril! Conta a história de um jovem casal que viaja até à Suécia para visitar a cidade natal de um amigo e participar nas festividades tradicionais. Mas o que começa como um retiro idílico rapidamente passa a ser uma competição violenta e bizarra às mãos de um culto pagão.
É um drama psicológico pontuado por momentos violentos e perturbadores que explora temáticas de família, relações interpessoais e dificuldades em lidar com a dor e ansiedade, especialmente quando não se tem um forte sistema de apoio. É um filme um pouco bizarro que mistura humor com tensão e conta com uma grande interpretação de Florence Pugh. 

Minari, 2020
Minari é um filme que decorre na década de 80 e segue uma família americana de ascendência coreana que se muda da Costa Oeste para uma zona rural do Arkansas, deparando-se um novo ambiente e um estilo de vida diferenteA mãe, Monica, fica horrorizada por morarem numa casa móvel no meio do nada e o pequeno e travesso David e a sua irmã estão entediados e sem rumo. Enquanto isso, o pai Jacob, determinado a criar uma fazenda em solo inexplorado, coloca em risco as suas finanças, o seu casamento e a estabilidade da família.
Este é um filme super ternurento, com um toque quase onírico e longos shots naturalistas. É um filme sobre raízes, família e sonhos, que vale a pena pela sua sensibilidade e interpretações. Drama familiar universal que conquista pelo seu ritmo suave e uma abordagem subtil mas emotiva.


Peau d'âne, 1970
A princesa com pele de burro é um filme francês que conta a história de uma princesa que é ajudada pela fada madrinha a fugir do pai que deseja casar com ela. Para se disfarçar e passar por uma pessoa do povo, a princesa usa a pele de um burro. Este é um musical realizado por Jacques Demy e, como tal, é um filme extremamente colorido, com uma estética original e um magnífico guarda-roupa. A história é bastante fiel ao conto original de Perrault, o que significa que possui magia e alguns elementos/pormenores mais loucos, típicos dos contos de fadas.




A room with a view de E.M.Forster, 1908 (filme de 1985)
Um quarto com vista é uma novela curta que tem como protagonista Lucy Honeychurch, uma jovem que se encontra em Florença de férias com a sua prima Charlotte. Aí vai conhecer os Emmerson, um pai e filho com ideias diferentes das que ela está habituada e que a vão impressionar. De volta a Inglaterra, ela vai começar a questionar o seu noivado.
O livro é delicado e com um humor irónico subtil. Procura criticar as convenções rígidas da sociedade inglesa e evidenciar a emancipação feminina que começava a despoletar na altura. As descrições de Itália, da arte e o seu tom combinam muito bem com a Primavera. O filme conta com Helena Boham Carter, Daniel Day-Lewis e Maggie Smith e visualmente é belíssimo. Pessoalmente, até gostei mais do filme do que do livro mas recomendo ambos (tenho de reler o livro!). 

Black beauty de Anna Sewell, 1877 (filme de 1994)
Beleza negra é um clássico infanto-juvenil que conta a história de vida de um cavalo. Acompanhamos os seus altos e baixos, tudo narrado a partir do seu ponto de vista. É uma história enternecedora e comovedora, que vale a pena tanto em livro como na adaptação de 1994, que conta com Sean Bean e David Thewlis.

Emma de Jane Austen, 1815 (filme de 2020)
Qualquer livro de Jane Austen combina bem com a Primavera mas uma das cenas mais importantes de Emma decorre durante um piquenique por isso acabo sempre por associar mais este livro à estação do que os outros. Além disso, a mais recente adaptação é tão colorida, vibrante e florida que é inevitável não optar por esta recomendação dupla. 
A protagonista é Emma Woodhouse, uma jovem rica, bonita e mimada que não tem rival na sua pequena e adormecida cidade. No entanto, ao longo da história ela tem de se aventurar por equívocos e erros românticos para encontrar o amor e amadurecer.

The Secret Garden de Frances Hodgson Burnett, 1911 (filme de 1993)
Este, para mim, é o clássico infanto-juvenil primaveril por excelência! Afinal, toda a história gira em volta de um jardim abandonado que é necessário recuperar. A amizade que se estabelece entre as 3 crianças é adorável e é interessante ver a evolução da nossa protagonista ao longo do tempo. Aliás, a história é, essencialmente, sobre o poder regenerador da Natureza e o valor das segundas oportunidades. O filme era um dos meus preferidos em criança e foi através dele que conheci, pela primeira vez, a actriz Maggie Smith (professora McGonagall de Harry Potter). 
O jardim secreto conta a história de Mary Lennox que depois da morte dos seus pais na Índia, vai viver para a enorme mansão do seu tio, nas imensas e solitárias charnecas do Yorkshire. Aí descobre um jardim secreto abandonado que decide fazer reviver com ajuda do seu amigo Dicken e do seu primo doente.




Alice's adventures in wonderland de Lewis Carroll, 1864
Alice no País das Maravilhas conta a história de Alice que, ao perseguir o Coelho Branco, cai numa toca muito funda e vai ter ao País das Maravilhas onde conhece muitas personagens extravagantes. Não é a leitura mais fácil, devido aos imensos trocadilhos e carga altamente simbólica, mas vale a pena. Procura transmitir o mundo dos adultos visto do ponto de vista das crianças, como ele pode parecer louco e surreal com todas as suas regras e responsabilidades. 

Anne of green gables de L.M. Montgomery, 1908
Ana dos cabelos ruivos conta a história de uma menina órfã, que é enviada a um irmão e irmã idosos por engano e acaba por encantar a sua nova casa e comunidade com o seu espírito e imaginação ardente. Esta é uma bonita história coming of age, cheia de vida, doce e divertida. A Anne, além de super imaginativa e sonhadora, tem uma energia, uma curiosidade e optimismo contagiantes. O livro decorre na ilha Prince Edward no Canadá, no fim do século XIX, e o ambiente local combina na perfeição com a Primavera.

The wind in the willows de Kenneth Grahame, 1908
O vento nos salgueiros conta a história de um grupo de amigos que vivem na margem de um rio. O Toupeira, o Rato, o Sapo, o Texugo e o Lontra levam uma vida tranquila, mas discutem sobre a necessidade de abandonar o lar e viver excitantes aventuras. Uma fábula sobre a amizade e solidariedade, com uma atmosfera idílica e pitoresca muito primaveril.

Watership down de Richard Adams, 1972
Era uma vez em Waterhsip down conta a história de Fiver, um coelhinho com visões premonitórias que sonha com a destruição massiva da sua colónia. Levados pelo medo e pela coragem, um grupo de coelhos decide então abandonar a colónia e iniciar uma longa jornada em busca de um novo lar. Apesar de este ser considerado um clássico juvenil, este não é um livro fofinho para crianças mas sim um livro para toda a gente. É um livro emocionante, com bastante aventura e peripécias. Ilustra bem uma sociedade, com diferentes tipos de personalidades, que luta pela sobrevivência e liberdade.



I capture the castle de Dodie Smith, 1948
Este livro conta a história, sob a forma de um diário, de Cassandra Mortmain e da sua extraordinária família que vive num castelo em ruínas. A vida destas personagens é abalada com a chegada dos novos vizinhos vindos da América. A nossa protagonista é Cassandra e ela é uma narradora muito divertida e querida. Aliás, todas as personagens são bem cativantes, diferentes entre si e todas um pouco excêntricas à sua maneira. O próprio castelo onde vivem é mais do que um mero cenário, é outra personagem do livro com um papel importante na narrativa e que confere uma atmosfera muito peculiar e única à história. Esta é uma leitura ternurenta e confortável que nos deixa de bom humor.

The forgotten garden de Kate Morton, 2008
O jardim dos segredos conta três histórias em paralelo: em 1913 uma criança é encontrada só num barco que se dirigia à Austrália; no seu 21.º aniversário, Nell Andrews descobre algo que mudará a sua vida para sempre e que a leva a viajar até à costa da Cornualha e à bela e misteriosa Mansão Blackhurst; após o falecimento de Nell, a sua neta Cassandra depara-se com uma herança supreendente - a Casa da Falésia e o seu jardim abandonado. Apesar de andarmos sempre a saltar entre personagens, épocas diferentes e locais diferentes, a autora consegue interligar todas estas perspectivas de uma forma muito eficaz e cativante.
A história está repleta de mistérios e segredos de família misturados com uma atmosfera sonhadora e de contos de fadas. A escrita é acessível e tem um bom ritmo tornando a leitura extremamente fluida e quase viciante. 

Middlemarch de George Eliot, 1871
Este é um clássico victoriano que decorre na cidade fictícia de Middlemarch, durante o período de 1830-1832, e acompanha várias pessoas, casais e núcleos familiares. Funciona quase como um estudo da vida provinciana, debruçando-se sobre várias temáticas: arte, religião, ciência, política, sociedade e relações humanas. De facto, é um livro com uma forte análise psicológica e social, com a escrita da autora a ter um tom quase instructivo.
A leitura não é das mais acessíveis visto que temos aqui um calhamaço com mais de 650 páginas e muitas histórias em paralelo, mas no final é recompensadora. A atmosfera da história é muito primaveril, tendo em conta o seu pano de fundo rural. Recomendo para se ler com calma ao longo da estação.




All creatures great & small, 2020-
Veterinário de provincía é uma série que está disponível na Disney Plus e conta já com 3 temporadas. Baseada no livro com o mesmo nome, esta é a história de um jovem veterinário que chega aos campos rurais de Yorkshire para trabalhar pela primeira vez e decorre durante a década de 40. É uma série leve e divertida, muito focada no quotidiano de uma pequena aldeia e das suas pessoas. Óptimo para a Primavera pelo foco na Natureza e nos animais.


The Dark Crystal: age of resistance, 2019
O Cristal Encantado: a era da resistência funciona como uma prequela do filme de 1982 com o mesmo nome, do criador Jim Henson. É uma série que expande o universo criado pelo filme e é visualmente lindo, mantendo o encantamento do estilo das marionetas originais. A história segue três Gelfling que descobrem um segredo terrível por detrás do poder dos Skeksis e iniciam uma viagem épica para inspirarem e instigarem uma rebelião de modo a salvarem o seu mundo de Thra. O mundo construído é deslumbrante e mágico mas não deixa de ser negro e traiçoeiro ao mesmo tempo. O mundo natural tem uma importância muito grande na história e para as personagens daí ser uma recomendação primaveril. É uma pena que só tenham apostado numa temporada. Maldita Netflix!

Lark Rise to Candleford, 2008-2011
Série britânica que adaptou a trilogia de livros com o mesmo nome. Conta a história de um conjunto personagens, uns que vivem numa aldeia pequena - Lark Rise - e outros numa vila maior - Candleford, que acreditam que o seu estilo de vida é o melhor. Foca-se sobretudo em Laura Timmins que muda-se de Lark Rise para Candleford, para trabalhar como aprendiz no posto dos correios. É um period drama com personagens memoráveis, uma atmosfera aconchegante e um ambiente rural pitoresco e bucólico.



E vocês? 
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