Já há algum tempo que não trazia um "Cinestreias" mas não tem sido fácil ver filmes recentes. Além da minha capacidade de concentração andar fraca, a minha disponibilidade para ir ao cinema é reduzida. De qualquer modo, consegui ver 3 filmes recentes e hoje trago-vos a minha opinião.

Hoje venho falar-vos de uma série que foi a minha companhia durante os meus períodos de amamentação nocturnos nos últimos tempos. Chama-se Causa própria e é uma produção nacional que está disponível na RTP Play e na HBO.
A nossa protagonista é Ana (Margarida Vila-Nova), uma juíza numa pequena cidade, onde julga os mais variados tipos de processos. Um dia, um jovem aparece morto num jardim e um grupo de estudantes é apontado como possível culpado. No entanto, o caso complica-se quando a família de Ana se vê envolvida. Ao mesmo tempo que acompanhamos o envolvimento de Ana no processo, seguimos também a investigação que é liderada pelo Inspector Mário (Nuno Lopes).
Esta série foi uma agradável surpresa! Tem bastante qualidade, o que é ainda mais admirável tendo em conta que é uma produção portuguesa. É da mesma produtora - Arquipélago filmes - que a série Sul que vi recentemente (opinião aqui), partilhando até alguns dos mesmos actores. No entanto, esta conseguiu corrigir alguns dos problemas que essa outra série apresentava (o ritmo e falta de coesão de alguns elementos) e melhorar então a qualidade do produto final.
Temos aqui uma série policial e um drama judicial bastante intrigante e com um mistério que prende facilmente a atenção. As personagens são interessantes e as interpretações bastante competentes, incluindo as do elenco mais jovem. Achei especialmente engraçado ver o julgamento de um crime através dos procedimentos jurídicos nacionais e não recorrendo à típica americanização.
Há também que elogiar a qualidade técnica da série, tanto a nível de realização como de fotografia.
Está disponível uma temporada com 7 episódios. Pelo que investiguei, tudo indica que vamos ter segunda temporada, o que me agrada porque quero que alguns pontos sejam melhor explicados. No entanto, se a série acabasse por aqui não ficaria com uma sensação de insatisfação porque o final é fechado o suficiente.
Super recomendo a série e fico muito feliz se a ficção nacional seguir este rumo! 🌟🌟🌟🌟1/2
Cineclássicos | The testament of Dr. Mabuse (1933)
sábado, 15 de abril de 2023
Já há bastantes anos que procuro investir em filmes clássicos, filmes mais antigos que valem a pena ver. Tenho apostado em vários projectos (incluindo o podcast Refúgio nos clássicos) e desafios de modo a incentivar este meu gosto. Uma das parceiras que tive ao longo destes anos foi a Chris do Diário da Chris (ex: Pipocas | Óscares | Acção) e ambas achámos que estava na altura de retomar a nossa colaboração nesta área.
Assim, decidimos que uma vez por mês vamos ver um filme clássico à nossa escolha que pertença a um determinado ano. Para Abril, tínhamos de ver um filme de 1933, um filme que faça 90 anos em 2023. Eu acabei por escolher o filme alemão The testament of Dr. Mabuse.
Na altura, quando escolhi este filme não sabia que este é uma sequela de um filme mudo do mesmo realizador - Dr. Mabuse, the gambler (1922). Então, esse filme conclui com o aprisionamento num asilo do inteligente criminoso Dr. Mabuse, que fica louco no final, e este filme dá seguimento à história. Rumores surgiram que um bando de criminosos está novamente operacional, cometendo crimes que são estranhamente familiares ao modus operandi do antigo criminoso. Mas como é isso possível se ele está preso? Cabe ao Inspector Lohmann descobrir.
Este é um filme muito metafórico e com um objectivo político claro - ser uma alegoria anti-nazi. Pouco antes deste filme começar a ser produzido, os nazis tinham começado a ter um papel forte na política alemã e, claramente, Lang revela aqui uma forte preocupação com a ascensão de Hitler ao poder, construindo vários paralelismos na história entre a realidade e a ficção. Por exemplo, temos no filme um líder carismático e astuto que não está interessado em dinheiro mas sim em semear caos e medo.
No entanto, se o filme convence pelo seu aspecto simbólico, acabou por não me convencer tanto em termos da estrutura da narrativa porque falha ao não procurar manter mistério nenhum. Ao contrário do Inspector, nós sabemos quase imediatamente quem está por detrás deste novo bando de criminosos, o que acaba por tirar alguma tensão e interesse ao filme. Além disso, a presença do Dr. Mabuse é mais de natureza espiritual o que não me agradou tanto (apesar de reconhecer o valor desta opção).
De qualquer modo, tecnicamente é um filme muito interessante e sólido tendo em conta a época, especialmente a nível de edição e "efeitos especiais".
Já tinha visto outros filmes do realizador que me agradaram bastante - M e Metropolis - e este acabou por não me arrebatar tanto. Talvez tenha partido para o filme com as expectativas demasiado altas. De qualquer modo, foi um filme que gostei de ver, especialmente tendo em conta o seu valor histórico. Claro que este foi um filme banido pelos nazis na Alemanha e acabou por ter de estrear noutros países europeus. 🌟🌟🌟
Podem ver que filme de 1933 a Chris escolheu aqui!
«The bloody chamber» & «As coisas que perdemos no fogo»
terça-feira, 11 de abril de 2023

Estou de volta com mais algumas "opiniões perdidas". Desta vez, trago a opinião de dois livros de contos, um lido em 2018 e outro em 2020. Ambos têm toques de fantasia e horror.
The bloody chamber é um livro constituído por 10 contos, todos eles reimaginações de contos de fadas bastante conhecidos, tais como, O capuchinho vermelho e A Bela e o Monstro. São contos de tamanho diversificado, variando desde aqueles com apenas uma folha até aqueles com cerca de 20, mas todos eles são versões mais negras e sexualizadas do que os originais.
- The bloody chamber (inspirado no conto "Barba azul"): este é o maior conto do livro e o meu preferido sem dúvida; explora temáticas como a objectificação da mulher e o papel da virgindade; é o conto com mais tensão e com um dos desfechos mais satisfatórios;
- The courtship of Mr. Lyon (inspirado no conto "A bela e o monstro"): um dos dois contos inspirados na "A bela e o monstro" e o meu preferido dos dois; é um dos contos que faz um melhor uso do realismo mágico, misturando um cenário mais moderno com elementos mais fantásticos;
- The tiger's bride (inspirado no conto "A bela e o monstro"): um conto mais focado na bestialidade e no poder da metamorfose do que o primeiro; confesso que, apesar de ter compreendido muito do simbolismo oculto, achei-o demasiado metafórico;
- Puss-in-boots (inspirado no conto "O gato das botas"): o conto mais leve do livro; este foi também um dos meus preferidos pois conseguiu misturar bem elementos fantásticos e simbólicos, e oscilar bem entre um tom mais cómico e um tom mais negro;
- The Earl-King (inspirado na figura folclórica "Erlking"): um conto muito focado na relação entre sexualidade e violência, já explorada também nalguns contos anteriores; apesar de não ser dos mais marcantes gostei particularmente do desfecho;
- The snow child (inspirado no conto com o mesmo nome): o conto mais pequenino do livro, com apenas uma folha; apesar de curto consegue ser um conto intenso, condensando muitas das temáticas dos contos anteriores;
- The lady of the house of love (inspirado nas histórias de vampiros da Roménia e a peça de rádio "Vampirella"): outro dos meus contos preferidos; aqui é a nossa heroína, uma vampira, que é o "monstro" e há claramente uma reversão de papéis que tornou mais interessante a exploração das temáticas; um conto muito marcado por decadência e corrupção;
- The werewolf, The company of wolves e Wolf-Alice (inspirados no conto "O capuchinho vermelho"): curiosamente, alguns dos contos mais famosos da escritora foram os que menos me impressionaram (The company of wolves tem uma adaptação cinematográfica também famosa);

Hoje trago-vos a lista dos meus filmes favoritos para ver na Páscoa. Não são necessariamente os melhores filmes mas são aqueles que mais me marcaram e que eu revejo mais frequentemente nesta época festiva.
Aqui fica a minha lista, por ordem cronológica, com alguns breves comentários:
Janeiro a Março 2023
terça-feira, 4 de abril de 2023
O primeiro trimestre de 2023 foi marcado por muitas mudanças e emoções! Janeiro foi praticamente o meu último mês grávida, em Fevereiro foi o nascimento da minha estrelinha e Março simbolizou o início desta nova etapa: a maternidade. Apesar da maioria do meu tempo ser dedicado a desfrutar da bebé B. e a tentar manter a casa organizada, também tenho tentado não deixar de fazer algumas das actividades que gosto: ler, ver filmes e séries. Ainda não fui totalmente bem sucedida mas vamos lá pouco a pouco. Apesar das dificuldades, estou a adorar ser MÃE e realmente nunca imaginei que fosse sentir um amor tão profundo e uma ligação tão forte (não é apenas um cliché).
O QUE PASSOU POR AQUI NESTE TRIMESTRE...

Na publicação de hoje venho partilhar com vocês as minhas impressões sobre as séries que vi nestes últimos meses de Inverno. A maior parte delas são miniséries uma vez que dou sempre preferência a histórias que eu sei que têm princípio, meio e fim.
Sugestões de Primavera
sábado, 25 de março de 2023

A Primavera começou há um par de dias e, portanto, achei que seria apropriado trazer-vos as minhas já habituais recomendações sazonais. Desta vez, trago-vos 5 filmes, 4 combinações de livros e suas adaptações, 4 clássicos infantis, 3 livros e 3 séries de tv que combinam com esta estação do ano. Tentei optar por histórias leves, confortáveis e divertidas.














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