Sou uma grande fã de literatura gótica e tenho tentado cada vez mais me debruçar sobre este estilo escrito por autores contemporâneos. Foi assim que surgiu o meu interesse por este livro que, à partida, parecia ter todos os elementos necessários - sensibilidade victoriana, carta de amor aos livros, relações intensas e mistérios góticos - e críticas positivas para me arrebatar. De facto, esta acabou por se revelar uma leitura fluida que apreciei bastante apesar de menos do que estava à espera.
Publicado em 2006, The Thirteenth Tale, de Diane Setterfield, narra a história em paralelo de duas mulheres de gerações diferentes: Margaret, uma jovem introvertida, filha de um alfarrabista e biógrafa amadora, e Vida Winter, uma escritora prolífica que, ao longo da sua carreira, sempre se mostrou relutante em falar sobre a sua vida.
O livro tem início com Margaret que recebe uma carta de Miss Winter a convidá-la para escrever a sua biografia, uma vez que a aproximação do final dos seus dias levou-a a considerar que chegou finalmente a altura de revelar o seu passado. Este é um convite inesperado ao qual Margaret inicialmente resiste, mas um que ela acaba por aceitar e que a leva até Yorkshire, à casa onde Vida reside e onde vai passar uma temporada escutando o relato da sua vida misteriosa.
Este é um livro que funciona então como uma história dentro de uma história. Ao mesmo tempo que vamos tendo acesso ao passado de Miss Winter e descobrindo os seus segredos e relações intensas, vamos acompanhando também Margaret no presente enquanto esta lida com os seus próprios fantasmas e procura pistas sobre o passado.
Esta é uma técnica narrativa que geralmente aprecio muito mas que, neste caso, talvez tenha sido o que me fez gostar menos do livro. Por um lado, gostei de conhecer a história de Miss Vida, que está repleta das convenções típicas do género gótico - complexas dinâmicas familiares, uma mansão antiga em declínio, personagens quebradas, loucura e violência, solidão e misticismo, mistérios e segredos - , e a personagem em si é interessante e enigmática. Por outro, nunca me senti imersa nos eventos do presente e, pessoalmente, custou-me a empatizar com Margaret e com o seu trauma/obsessão que é suposto estabelecer um paralelismo com Vida Winter. Apesar de apreciar muito (e partilhar com ela) o seu gosto literário e amor pelos livros, ela possui também um certo nível de snobismo e apatia que me levaram a não me importar muito com o desenrolar da sua história.
Sinto que também não conectei totalmente com a escrita da autora. Esta é acessível e elegante mas não a achei evocativa o suficiente. Aquilo que mais adoro na literatura gótica é a atmosfera opressiva e misteriosa que se cria, e que muitas vezes transcende até as próprias personagens, e sinto que esta não foi tão bem executada neste livro. No entanto, fiquei com a sensação que este é um livro que deveria ter lido na sua língua original.
De uma forma geral, gostei muito do enredo em si e da sua forte revelação final, apesar desta não ter sido totalmente inesperada. É um livro acessível, com uma narrativa fluida, que acredito que será apelativa para os amantes de livros e de histórias góticas. Gostava de ter sido mais arrebatada por ele, mas foi na mesma uma leitura agradável. 🌟🌟🌟1/2
E vocês? Já leram este livro
ou outro do autora?




