Hoje trago as opiniões de mais três filmes que estrearam em 2022 e que foram bastante bem recebidos durante a época de prémios, estando dois deles inclusivamente nomeados para os Óscares na categoria de Melhor Filme Internacional.
realizado por EDWARD BERGER protagonizado por FELIX KAMMERER, ALBRECHT SCHUCH, DANIEL BRUHL
No início da Primeira Guerra Mundial, o estudante Paul Baumer e os seus amigos Albert e Muller, animados por sonhos românticos de heroísmo, alistam-se voluntariamente no exército alemão. Cheios de excitação e fervor patriótico, os rapazes marcham entusiasticamente para uma guerra em que acreditam. Mas uma vez na Frente Ocidental, descobrem um horror destruidor de corpos e almas.
A Oeste nada de novo é baseado no livro alemão com o mesmo nome de Erich Maria Remarque, um livro de ficção publicado em 1929 e baseado nas memórias do próprio autor que foi soldado durante a I Guerra Mundial. Foi um livro que li em 2018 e que me lembro que, na altura, me impressionou bastante.
Tal como o livro, este é um filme duro e brutal que não se coíbe de mostrar o horror e crueldade da guerra das trincheiras. As dificuldades em rastejar através da terra e lama, a fome, o pânico, as condições deploráveis dos cuidados médicos e o efeito que os pequenos prazeres da vida tinham nos soldados. Tal como Paul expressa no livro, o filme consegue transmitir bem que a guerra não é sinónimo de patriotismo e honra mas sim uma mistura de sorte, automatismo e perda de dignidade, funcionando assim como um filme anti-guerra que consegue retratar bem a desumanização dos soldados.
Tecnicamente, é um filme muito bem executado e não é de estranhar todas as nomeações para os Óscares que recebeu nessas áreas (fotografia, som, maquilhagem). A nível de interpretações, é um filme sólido e há algumas cenas realmente marcantes.
No entanto, para mim, este peca por ser longo demais e ter um ritmo algo lento. Sinto que também não me impressionou tanto porque li o livro e este é ainda mais arrepiante ao retratar os horrores da I Guerra Mundial do ponto de vista de um soldado - a sujidade e as doenças, os efeitos do gás mostarda, a luta pela sobrevivência. Também sinto que o filme, e apesar de este ter tentado através do ponto de vista de outras personagens, não consegue capturar tão bem quanto o livro o nível de indiferença da vida civil e das altas patentes do exército perante os soldados. Existem partes importantes no livro, relativamente à vida civil, que são completamente ignoradas nesta adaptação.
Vou-lhe dar a mesma pontuação que dei à adaptação de 1930, da qual também gostei mas que não me marcou tanto quanto o livro. 🌟🌟🌟1/2
realizado por SANTIAGO MITRE protagonizado por RICARDO DARÍN, PETER LANZANI
Filme inspirado na história de Julio Strassera, Luis Moreno Ocampo e da sua jovem equipa de advogados, numa batalha desigual onde tentam a levar a tribunal os membros da ditadura militar argentina.
Argentina, 1985 estreou em Portugal no passado mês de Outubro mas só entrou no meu radar recentemente durante a época das premiações. Cinema político e dramas de tribunal são géneros que geralmente aprecio e este realmente é um filme sólido em ambos os aspectos.
Apesar de ter começado este filme com pouca noção deste período histórico da Argentina, rapidamente o filme nos coloca a par dos pontos mais importantes, o que torna esta história bastante acessível. Ao longo do filme, vamos alternando, de forma fluida, entre o processo em si (desde a recolha de provas ao julgamento) e alguns dos aspectos privados da vida dos procuradores, algo que também ajuda a contextualizar melhor certos aspectos da ditadura e da sociedade argentina da época.
O tema é complexo, pesado e triste e aqui é abordado de uma forma sensível e natural, mas sem nunca perder força e precisão. É um filme que se preocupa em reflectir sobre o impacto traumático da ditadura argentina, sobre questões de justiça e direitos humanos, procurando manter sempre uma aura de autenticidade e evitando o melodrama.
Tem também algumas cenas poderosas e marcantes, especialmente, os chocantes relatos de familiares de desaparecidos e de vítimas de tortura, e o discurso final do procurador.
Em termos de interpretações, guarda-roupa e fotografia, este é um filme competente e sóbrio. Ricardo Darín é um grande actor e está óptimo neste filme, tal como é já é habitual. Peter Lanzani também me convenceu bastante e fiquei curiosa em espreitá-lo noutros filmes.
Não tenho muita experiência com o cinema da Argentina mas, até agora, esta tem sido muito positiva. Devia investir mais nesta área! 🌟🌟🌟🌟
realizado por PARK CHAN-WOOK protagonizado por TANG WEI, PARK HAE-IL, LEE JUNG-HYUN
Um homem cai do pico de uma montanha e morre. O detective responsável, Hae-joon, conhece Seo-rae, esposa do falecido. A morte do marido não parece perturbá-la. Face ao comportamento tão atípico de um familiar enlutado, a polícia considera-a suspeita. Hae-joon interroga Seo-rae e decide vigiá-la. À medida que a observa sente-se cada vez mais interessado nela.
Decisão de partir estreou no passado mês de Dezembro em Portugal e, na altura, decidi vê-lo porque este foi realizado por Park Chan-Wook, o mesmo realizador de um dos meus filmes preferidos de 2016 - The Handmaiden/A criada. Infelizmente, a nível de enredo este foi um filme que não me impressionou apesar de me ter maravilhado a nível visual.
Em termos técnicos, a fotografia é excelente, a realização é muito competente e a edição artística é intrigante em vários momentos. Em termos de história, este é essencialmente um drama romântico e melancólico disfarçado de um filme policial com toques noir e com influências claras dos filmes de Hitchcock. Geralmente, isso seria algo que me intrigaria mas a relação amorosa obcessiva e a tensão entre os dois protagonistas não me convenceu de todo e, como tal, o filme soou-me extremamente frio e tive dificuldades em manter-me investida na história. A sua longa duração (quase 2h30) e o seu ritmo lento também não ajudaram. No entanto, adorei a interpretação de Tang Wei que consegue trazer o nível certo de mistério, magnetismo e ambiguidade à personagem feminina.
O final trágico é excelente e teria tido um maior impacto se eu me tivesse sentido mais conectada com o casal. Este é um daqueles filmes que é difícil classificar e que anda entre os 3 e 3,5. 🌟🌟🌟







