«The Banshees of Inisherin», «Tar» & «Triangle of sadness»

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2023

Hoje trago as opiniões de três filmes que estão nomeados para o Óscar de Melhor Filme. Todos eles têm recebido muita atenção e amor por parte da crítica. De forma geral, foram também três filmes que eu apreciei bastante.


realizado por  MARTIN MCDONAGH   protagonizado por  COLIN FARRELL, BRENDAN GLEESON, KERRY CONDON, BARRY KEOGHAN

Passado nos anos de 1920, numa ilha remota ao largo da costa ocidental da Irlanda, o filme acompanha dois amigos de longa data, Pádraic e Colm, a partir do momento em que Colm põe inesperadamente fim à amizade.
Um Pádraic atordoado, tenta reparar a relação com o auxílio da irmã, Siobhán, e do jovem Dominic. Mas os esforços repetidos de Pádraic apenas reforçam a determinação do seu antigo amigo e quando Colm lança um desesperado ultimato, os acontecimentos depressa assumem maior gravidade com alarmantes consequências.


Os Espíritos de Inisherin estreou agora no início de Fevereiro e era um dos filmes que eu mais queria ver em 2023. Para além das boas críticas que tem recebido, eu costumo gostar bastante dos filmes deste realizador logo estava muito curiosa. Felizmente, o filme não defraudou.
Visualmente, este é um filme lindíssimo com as belíssimas e algo desoladoras paisagens da Irlanda a servirem como um perfeito pano-de-fundo para esta história tragicómica.
A premissa inicial é simples e até um pouco ridícula - basicamente o fim repentino de uma relação de amizade - mas o filme acaba por retratar também a dinâmica de uma comunidade rural pequena e explorar a crueldade do isolamento e sentimentos de desespero existencial. Tudo isto mantendo uma atmosfera de fábula. É uma história com um tom cínico, melancólico e sombrio mas é, ao mesmo tempo, enternecedora, engraçada e trágica. Há momentos em que realmente não sabia se devia chorar ou rir.
É claro que esta história minimalista só funciona graças às brilhantes interpretações de vários actores do elenco. Colin Farrell, Brendan Gleeson e Kerry Condon estão perfeitos mas aquele que verdadeiramente me conquistou foi Barry Keoghan. Muito tocante e autêntico. Mas não é de estranhar que todos estejam nomeados na corrida para os Óscares!
Foi um filme que, de certo modo, me desarmou e cuja pontuação acredito que ainda possa subir no futuro. 🌟🌟🌟🌟1/2


realizado por  TODD FIELD   protagonizado por  CATE BLANCHETT, NINA HOSS, MARK STRONG

O filme centra-se em Lydia Tár, amplamente considerada uma das maiores compositoras-maestrinas vivas e a primeira a dirigir uma grande orquestra alemã. Acompanhamos a sua vida à medida que ela está a poucos dias de gravar a sinfonia que impulsionará ainda mais a sua já formidável carreira. 


Tár estreou recentemente. Parti para este filme sem saber muito sobre o seu enredo e acho que isso foi algo bastante positivo e que recomendo que também o façam.
É um filme que temia que fosse muito pretencioso mas que, apesar de ter o seu lado mais intelectual (ainda por cima ligado à música - assunto que não domino de todo), não deixa de ser envolvente e interessante. É um filme que não nos dá tudo de bandeja, é um filme que confia na inteligência do espectador e que vai revelando os pormenores pouco a pouco, de forma subtil. Aquilo que começa de uma forma mais fria e formal vai dando lugar a um crescendo de caos e descontrolo.
É também um filme que procura reflectir sobre o preço da grandeza e do génio de um artista, bem como se é realmente possível ou necessário separar a arte do artista.
Cate Blanchett está soberba no papel da enigmática e poderosa Lydia e o filme não funcionaria tão bem sem a sua interpretação tão cativante. De destacar também a fotografia elegante e sóbria.
Não acredito que seja um filme para todos mas a mim surpreendeu-me bastante. 🌟🌟🌟🌟


realizado por  RUBEN OSTLUND   protagonizado por  HARRIS DICKINSON, CHARLBI DEAN, WOODY HARRELSON, DOLLY DE LEON

Carl e Yaya, modelos e influenciadores no mundo da moda, são convidados para um cruzeiro a bordo de um luxuoso iate na companhia de um oligarca russo e de um traficante de armas inglês.
O capitão, idiossincrático e alcoólico, muito dado a citar Marx, decide punir os passageiros servindo um lauto jantar durante uma forte tempestade. Tudo termina de forma catastrófica com Carl, Yaya e os multimilionários encalhados numa ilha deserta acompanhados por uma das empregadas de limpeza da embarcação.


Triângulo da Tristeza estreou em Portugal no passado mês de Outubro mas, na altura, passou-me completamente ao lado. Como foi nomeado para algumas categorias dos Óscares, resolvi vê-lo e foi uma experiência divertida e bizarra.
Este é um filme excêntrico e provocador que procura satirizar questões de classes sociais, consumismo e papéis de género. Retrata jogos de poder com sarcasmo, humor e recorrendo, por vezes, a situações desconfortáveis/ridículas.
Este está essencialmente dividido em 3 partes: antes do cruzeiro, durante o cruzeiro e o período da ilha.  A relação entre Carl e Yaya permanece sempre em primeiro plano, mas o filme torna-se cada vez mais uma sátira do grupo à medida que a história se desenrola. Para mim, as duas primeiras partes são sólidas (especialmente a segunda que é meio caótica e tem os melhores diálogos entre 2 personagens) mas a terceira é talvez um pouco longa demais e perde um pouco o foco.
Recomendo se gostam de filmes irreverentes, com uma visão crítica e ácida, apesar da mensagem não ser propriamente inovadora ou subtil. 🌟🌟🌟
Do realizador sueco Ruben Ostlund só tinha visto até agora o filme Force Majeure (2014) mas falta-me ver o filme que o tornou mais conhecido - The Square (2017) - que inclusive foi nomeado para o Óscar de Melhor Filme Internacional.



E vocês?

Viram algum destes filmes?