«Elvis», «The Fabelmans» & «The Northman»

quarta-feira, 25 de janeiro de 2023

Hoje trago as opiniões de mais três filmes que estrearam em 2022. Dois deles estão na corrida aos Óscares - Elvis & The Fabelmans - e o outro - The Northman - foi um que me surpreendeu pela positiva, apesar de não ser claramente um filme para todos.


realizado por  BAZ LUHRMANN   protagonizado por  AUSTIN BUTLER, TOM HANKS

O filme conta a história de Elvis Presley pelo prisma da complexa relação com o homem que o descobriu, o Coronel Tom Parker. Apresentador de atrações em feiras, Parker tornou-se o agente de Elvis durante mais de 20 anos. Foi esta enigmática figura, que nada sabia de música, o primeiro a ver o potencial de Elvis, fruto da infância entre afroamericanos no Mississipi onde absorveu a música que combinaria com os sons country preferidos da população branca.
"Elvis" é também o relato da rápida subida de Presley a um estrelato sem precedentes numa época de transição.


Elvis estreou no passado mês de Junho em Portugal mas só tive oportunidade de o ver recentemente através da plataforma da HBO. Apesar de não ter adorado o filme em todos os seus aspectos, acho que é uma boa homenagem ao Elvis Presley.
Eu tento partir para os filmes sem saber muito sobre a história em si e, como tal, eu desconhecia que esta era contada do ponto de vista do agente do Elvis e não do seu. Apesar de ter estranhado ao início, sinto que esta foi uma escolha inteligente pois, ao nunca termos acesso total aos pensamentos e sentimentos do Elvis, o filme consegue manter uma aura de mistério e magnetismo em torno deste grande ícone da música. A isso também ajuda a grande interpretação de Austin Butler que consegue recriar os maneirismos e tom de voz/cadência do artista sem cair na caricatura ou exagero. Ele é também o centro emocional deste filme, revelando ao mesmo tempo muita energia, presença e vulnerabilidade.
Claramente, este é um filme com o selo de Baz Luhrmann com o seu ritmo frenético, edição caótica, fotografia colorida, muito glamour e ostentação e, apesar de ser impressionante, acaba por se tornar cansativo e excessivo em alguns momentos. No entanto, acho que, neste caso, a sua visão combina muito bem com o próprio estilo do artista e faz com que esta não seja uma história biográfica típica (nem muito aprofundada).
Apesar de ter uma longa duração (160 minutos) e de ser uma história biográfica mais superficial, não deixa de ser um filme ousado e cativante que vale a pena ver. Gostava apenas que tivessem colocado sempre excertos maiores das canções do Elvis (sabiam-me sempre a pouco!). 🌟🌟🌟🌟



realizado por  STEVEN SPIELBERG   protagonizado por  GABRIEL LABELLE, PAUL DANO, MICHELLE WILLIAMS

Sammy Fabelman adora o cinema, um interesse celebrado e defendido pela sua mãe com veia artística, Mitzi. Mais adepto das ciências, Burt, o pai de Sammy, apoia o filho, mas vê o cinema como um passatempo pouco sério. Ao longo dos anos, Sammy torna-se o documentarista das aventuras da família e o realizador de produções cinematográficas amadoras cada vez mais elaboradas, protagonizadas pelas irmãs e por amigos.
Aos 16 anos, Sammy é, simultaneamente, o principal observador e arquivista da história familiar, mas quando se mudam para oeste, descobre um segredo da família que irá redefinir a sua relação com esta.


Os Fabelmans estreou no final do mês de Dezembro em Portugal e decidi vê-lo por ser o mais recente filme de Spielberg e, desta vez, com uma conotação algo autobiográfica. De forma geral, gosto dos filmes de Spielberg mas este acabou por não me convencer.
Custa-me ser negativa em relação a um filme tão pessoal para o realizador mas a verdade é que realmente não conectei de todo com este. Respeito o esforço do Spielberg e admito que o filme tem alguns bons momentos e é tecnicamente sólido, mas, enquanto um todo, este soou-me plano e a maioria das partes que deveriam ser cativantes e comoventes pareceram-me falsas e pouco autênticas. O filme até começa bem mas foi perdendo gás ao longo do tempo, apresentando um ritmo irregular e tendo uma duração excessiva (2h30). No entanto, tenho de referir que foi engraçado ver ao longo da história as pequenas referências aos vários filmes da carreira do realizador.
Como o próprio nome da família indica, esta é uma fábula que oscila um pouco entre a fantasia e realidade, isto é, entre a perspectiva do protagonista (memória do realizador), que vai crescendo ao longo do filme, e os factos reais. O protagonista processa os seus problemas familiares e sociais através dos pequenos projectos cinematográficos que realiza e, deste modo, o objectivo do filme é funcionar como um drama familiar e uma carta de amor ao cinema ao mesmo tempo. A verdade é que, para mim, acabou por nunca ser brilhante ou interessante em nenhuma dessas facetas, mas sim um pouco genérico.
Acho que aquilo que também não me ajudou a conectar com o filme foram as suas interpretações. Gabriel LaBelle está bem enquanto o jovem Sammy, mas nada de extraordinário. Paul Dano, que geralmente aprecio imenso, acaba por ser sólido mas um pouco banal até (deveria ter tido mais presença no filme). Já da interpretação de Michelle Williams não gostei nada. Achei-a extremamente dramática e exagerada demais, nada autêntica. Como ela nunca me convenceu foi difícil sentir algum tipo de ligação com ela e com a relação mãe-filho.
Concluindo, este é um filme do qual queria gostar mais mas, realmente, esta jornada sentimental não foi para mim. 🌟🌟1/2



realizado por  ROBERT EGGERS   protagonizado por  ALEXANDER SKARSGARD, ANYA TAYLOR-JOY, NICOLE KIDMAN

Durante a viragem do século X, na Islândia, o jovem príncipe Amleth está à beira de se tornar um homem quando o pai é brutalmente assassinado pelo tio, que rapta a mãe do rapaz. Fugindo do seu reino insular por barco, jura vingança.
Duas décadas mais tarde, Amleth é um viking berserker que invade aldeias eslavas. Num desses lugares, uma vidente recorda-o do seu voto: vingar o pai, salvar a mãe, matar o tio. Viajando num navio de escravos para a Islândia, Amleth infiltra-se na quinta do seu tio com a ajuda de Olga, uma mulher eslava.


O Homem do Norte estreou no passado mês de Abril em Portugal e é o terceiro filme (e provavelmente o mais ambicioso) do realizador Robert Eggers. Eu adorei o primeiro filme dele The Witch (2015) e também fiquei bastante impressionada com o The Lighthouse (2019). Os seus filmes distinguem-se pelo seu foco no folclore e numa autêntica recriação histórica, algo que me agrada bastante, e portanto não podia deixar escapar este. Ao contrário dos dois anteriores, este não é um filme de terror mas sim um épico histórico, que não se coíbe de mostrar a brutalidade e violência da época.
Tal como já é habitual nestes filmes, a fotografia, guarda-roupa e cenários estão impecáveis e bem fiéis à temática viking do filme. É um épico de vingança, que ilustra magnificamente a cultura nórdica, e que é visualmente impressionante e único. De notar que a história em si não é propriamente original - é baseada numa lenda da Escandinávia que serviu de inspiração para o Hamlet de Shakespeare - nem as personagens em si são muito aprofundadas. O ritmo em si é também um pouco inconstante.
Graças ao seu maior orçamento, este filme acaba por ter mais cenas de acção que os anteriores e focar-se menos nas introspecções das personagens. No entanto, isso não quer dizer que este seja um filme de acção ou um épico de aventuras, como muitos esperavam certamente. Esse não é o estilo do realizador que mais uma vez nos traz uma abordagem mais poética e que se foca na recriação do período histórico e misticismo. De certo modo, até gostava que o realizador tivesse tido mais liberdade para se focar menos nas cenas de luta e mais em todo o folclore e mitologia.
Claramente, este não é um filme para toda a gente uma vez que acaba por se focar mais na técnica do que na substância, o que nem sempre resulta comigo também, mas a verdade é que ele acabou por me fascinar. Ao ver este filme senti que estava a ler um épico da mitologia nórdica e essa foi, para mim, a sua grande mais-valia. 🌟🌟🌟🌟


E vocês?

Viram algum destes filmes?