7 razões para ver a segunda temporada de "Mindhunter"

quinta-feira, 26 de setembro de 2019

"Mindhunter" foi uma das melhores séries de 2017 e, portanto, muitos de nós estavam ansiosos para que a segunda temporada chegasse. Esta chegou finalmente, dois anos depois, e felizmente não desiludiu. Manteve a qualidade técnica, de interpretações e de enredo e, pessoalmente, achei esta temporada ainda mais intrigante e viciante. Como tal, hoje decidi fazer algo diferente e trazer-vos 7 razões pelas quais não devem perder esta segunda temporada.


1 ) Desenvolvimento pessoal dos protagonistas. Ao contrário da primeira temporada, esta não se foca totalmente nos serial killers e prefere focar-se também nos diferentes problemas que os três investigadores protagonistas estão a enfrentar. Para mim, esta foi uma mudança positiva porque tornou a série muito mais envolvente e humana. Além disso, há um maior destaque do Bill e da Wendy, dois protagonistas muito interessantes que tinham ficado um pouco para segundo plano na primeira temporada, na qual Holden foi o grande protagonista.

2) Os serial killers.  Apesar das aparições dos serial killers serem menos recorrentes, temos à mesma um grande leque de assassinos e entrevistas e, mais uma vez, a série está de parabéns pela caracterização e casting. Nesta temporada aparecem vários assassinos famosos, tais como, Charles Manson e Son of Sam, e todos os actores que os desempenham estão magníficos. Para mim, o destaque vai para o Damon Herriman enquanto Charles Manson e Robert Aramayo enquanto Elmer Wayne Henley.


3) Maior foco num único caso importante com repercussões sociais relevantes. Esta temporada  dedica uma grande parte do seu tempo a uma investigação específica que envolveu um grande número de crianças afroamericanas assassinadas em Atlanta. É uma investigação interessante de se acompanhar, não só pela aplicação real dos conhecimentos adquiridos através das entrevistas, mas também por ser um caso muito marcado por tensões raciais.

4) Exploração das dificuldades de colocar conhecimento teórico em prática. Na primeira temporada, o objectivo dos investigadores era apenas académico - categorizar e entender as mentes dos assassinos através de entrevistas.  Nesta temporada, eles tentam usar as suas técnicas para a construção de um perfil psicológico do assassino de Atlanta mas, rapidamente, se apercebem que resolver um caso não é assim tão simples e que as investigações são muito condicionadas pela política e contexto social. 


5) Desenvolvimentos no caso BTK. Nesta temporada, conhecemos um pouco melhor a história do BTK, do qual só tínhamos tido vislumbres na primeira. Os investigadores ainda não se envolveram muito no seu caso mas começamos a conhecer melhor o homem e o seu modo operandis.

6) Exploração do impacto deste trabalho nos agentes. Mais uma vez, a série faz um bom trabalho a nos dar a conhecer as dificuldades em equilibrar este trabalho e uma família/vida pessoal. É um trabalho extremamente solitário e a série mostra-nos isso através de várias perspectivas.


7) Recriação dos anos 80. Esta temporada decorre em 1981 e a série recria muito bem essa década, tanto a nível de cenários como de guarda-roupa. A banda sonora também contribui muito de forma positiva.



E vocês? Já viram "Mindhunter"?
Que acharam desta temporada?


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MOTELx '19 | «Bacurau» e «Midsommar»

terça-feira, 24 de setembro de 2019

Nos passados dias 10 a 15 de Setembro, decorreu a 13ª edição do MOTELx - o Festival Internacional de Cinema de Terror de Lisboa. Este é um festival que eu gosto sempre de visitar, nem que seja só para ver um filme, e que eu recomendo muito. Este ano acabei por ir assistir dois filmes bastante diferentes: Bacurau, o novo filme sensação do Brasil, e Midsommar, o novo filme de um dos realizadores mais aclamados de 2018.


realizado por  JULIANO DORNELLES, KLEBER MENDONÇA FILHO   protagonizado por  BÁRBARA COLEN, THOMAS AQUINO, SÔNIA BRAGA

Daqui a alguns anos... Bacurau, uma pequena cidade brasileira no oeste de Pernambuco, lamenta a perda de sua matriarca, Carmelita, que viveu até os 94 anos. Dias depois, os seus habitantes apercebem-se que a sua comunidade desapareceu da maioria dos mapas e surge uma ameaça que leva à união do povo de Bacurau.


Bacurau é um filme brasileiro que chamou a minha atenção quando recebeu o Prémio do Júri do Festival de Cannes deste ano. Como tal, resolvi aproveitar o festival para o ver visto que é possível que este não chegue às salas de cinema portuguesas.
Este é um filme que funciona como um western sertanejo, com um pé no fantástico e outro no realismo. Gostei de como o filme recorreu à história e tradições do Nordeste, região muito marcada por revoltas violentas e movimentos de resistência popular, e as utilizou para construir os "clichés" e elementos típicos de um western. Gostei também do quão reais e autênticas a cidade e pessoas de Bacurau soam e parecem. Não há a típica glamorização que é frequentemente vista nos filmes de Hollywood. Outro ponto muito positivo, é a sua lindíssima fotografia.
É óbvio o comentário político nas entrelinhas, com a denúncia das desigualdades sociais e corrupção que ocorrem actualmente no Brasil, e o apelo à resistência e luta pela liberdade e identidade do povo brasileiro. Mesmo assim, tenho a certeza que algumas metáforas e referências culturais acabaram por me escapar na altura.
Apesar dos aspectos positivos, este foi um filme que, para mim, se perdeu um pouco na sua narrativa, com as suas várias mudanças de tom e estilo, e que acabou por se extender demasiado na resolução final, fragilizando a sua aura surreal, tensa e intimista dos momentos iniciais. Sei que há pessoas que pensam o contrário (que o primeiro acto é que é muito extenso), mas esse foi o meu preferido e acho que dá alma ao filme.
De qualquer modo, acho que é um filme que apresenta uma forte alegoria política de uma forma que entretém, sendo até bastante divertido em certos momentos, e que também nos faz pensar. Acho que quanto menos souberem sobre o enredo em si antes de verem o filme, melhor! 🌟🌟🌟1/2




realizado por  ARI ASTER   protagonizado por  FLORENCE PUGH, JACK REYNOR

Um jovem casal viaja até à Suécia para visitar a cidade natal de um amigo e participar nas festividades tradicionais do meio do verão. Mas o que começa como um retiro idílico rapidamente se torna numa experiência violenta e bizarra às mãos de um culto pagão.


Midsommar - o ritual é o segundo filme do realizador Ari Aster e estreia nas salas de cinema portuguesas nesta próxima quinta-feira. No ano passado vi o seu primeiro filme - Hereditário - e foi uma experiência mista. Gostei de cerca de metade do filme, das interpretações e da qualidade técnica deste, mas o seu final sobrenatural e ritmo não me convenceram. Como tal, parti curiosa para este filme mas não com as expectativas demasiado altas. Acabei por ser agradavelmente surpreendida, pois este filme tornou-se, até agora, numa das minhas estreias preferidas do ano.
Este é um filme de terror pagão (folk horror), um género que me agrada apesar de não ter visto ainda muitos filmes (de destacar claro o fantástico The Wicker Man no qual este filme se inspirou com certeza). Este é um filme pouco assustador que acaba por funcionar mais como drama psicológico pontuado por momentos violentos e perturbadores. Curiosamente, o filme foca-se mais em temáticas de família, relações interpessoais e dificuldades em lidar com a dor e ansiedade, especialmente quando não tens um sistema de apoio.
É, sem dúvida, uma história algo previsível e pouco subtil mas, pessoalmente, eu gostei muito de como esta foi conduzida, misturando humor, tensão e momentos mais bizarros. Também aqui, o ritmo da história não foi perfeito mas, mais uma vez, o realizador criou um filme irrepreensível em termos cénicos, de fotografia e de som. De uma forma geral, as interpretações são boas mas o destaque vai, sem dúvida, para Florence Pugh que está fantástica.
Não é um filme para todos mas recomendo-o para quem gosta do género ou de filmes atmosféricos e bizarros. 🌟🌟🌟🌟1/2



E vocês? 
Já viram algum destes filmes?


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The Tenant of Wildfell Hall

terça-feira, 10 de setembro de 2019

Hoje trago finalmente mais uma opinião de um livro. Venho falar-vos de The tenant of Wildfell Hall de Anne Brontë e da sua única adaptação disponível - a minissérie de 1996. Falo um pouco do que achei do livro e comparo/contrasto com a adaptação, tudo sem spoilers. Este foi um livro que li para o meu desafio #2019vitoriano e que, simplesmente, adorei.



- livro - 

The tenant of Wildfell HallA inquilina de Wildfell Hall em Portugal, foi publicado pela primeira vez em 1848, sob o pseudónimo de Acton Bell. Este foi o segundo livro que li da autora e também o segundo publicado por esta. O seu primeiro romance foi Agnes Grey, um livro que gostei de ler e que recomendo, mas, pessoalmente, considero A Inquilina a sua verdadeira obra-prima.
A história decorre em Inglaterra, no século XIX,  e inicialmente seguimos Gilbert, um jovem fazendeiro, que se apaixona por uma misteriosa viúva que se mudou para uma propriedade nas proximidades da sua casa – Wildfell Hall. Uma senhora sozinha, reservada, com um filho, a morar numa casa em decadência é algo que impressiona os vizinhos e rapidamente surgem rumores e boatos, nos quais Gilbert não acredita. No entanto, uma situação inesperada leva Gilbert a questionar a sua devoção e Helen resolve clarificar a situação, oferecendo-lhe o seu diário onde está descrita a sua vida.


Tinha altas expectativas para este livro e felizmente estas não foram defraudadas. É um excelente clássico que conquista pelas ideias que são abordadas e pela visão moderna da nossa protagonista.
Este foi muito mal recebido e criticado na época em que foi publicado pelo seu retrato honesto e realista do alcoolismo, adultério e violência doméstica, temas que eram considerados chocantes e vulgares para a audiência victoriana da altura. É um livro que gira essencialmente em torno da instituição do casamento e são apresentados vários casais e perspectivas de diferentes personagens em relação ao tema.
É inevitável não associar algumas personagens e eventos do livro à vida pessoal da escritora. Branwell Brontë, o seu irmão, foi tutor na mesma casa em que a Anne era preceptora e aí ele envolveu-se com a senhora da casa, que era casada. Quando o seu relacionamento foi descoberto, ele entrou numa espiral de depressão, alcoolismo e consumo de ópio. Tenho a certeza que muitas das suas experiências naquela casa e com o seu irmão serviram de inspiração para a Anne.


Gostei muito da protagonista pela sua determinação e força para superar as adversidades, bem como, pela sua luta por segurança e autonomia. É uma mulher com uma perspectiva moral muito forte o que, por vezes, a torna um pouco mais fria e altiva mas nem por isso deixou de me cativar. É uma protagonista imperfeita que vai crescendo e evoluindo ao longo da história. O resto das personagens possuem também muitas falhas o que as torna igualmente interessantes.
É também um livro feminista que defende a emancipação da mulher e que aborda muito as diferenças, que existiam na altura, entre os homens e mulheres na forma como eram educados e como a sociedade os via. Critica os homens que viam o casamento como salvação das suas vidas loucas e as mulheres que achavam que era nobre casar com homens com falhas porque elas conseguiriam mudá-los e "corrigir" os seus maus comportamentos. Foca-se em questões de maternidade, na falta de poder que as mulheres tinham nos casamentos, na visão tóxica do que é ser um "homem de verdade", vícios e salvação, entre outros temas igualmente pertinentes.


A estrutura da história é também algo bastante interessante. Inicialmente, temos a perspectiva de Gilbert através de cartas que ele escreve a um seu amigo e, depois, temos acesso à perspectiva da Helen através de passagens antigas do seu diário. Na minha opinião, ambas as partes estão bem construídas mas sinto que, em termos do enredo em si, faria mais sentido Helen ter contado o seu passado directamente a Gilbert e não através de cartas. De qualquer modo, senti-me envolvida em ambas as histórias e ambas as vozes me soaram características e autênticas. No final do livro, regressamos à perspectiva do Gilbert para o culminar da história.
Não é um livro perfeito para mim por causa do teor religioso mas isso é apenas uma mera implicação pessoal. Baseando-me nos livros que já li até agora, continuo a achar que de todas as irmãs, Anne é aquela que evidencia mais na sua obra a sua forte educação cristã e, apesar de não me identificar com alguns conceitos apresentados, acho que são bem explorados no livro e percebo o seu contexto.

Concluindo, este foi um livro que eu adorei ler e que se tornou num dos meus livros victorianos preferidos. Recomendo sobretudo a quem gosta de clássicos em que o mais importante são as ideias abordadas e não o romance. Existe uma edição em português da Europa-América. 🌟🌟🌟🌟🌟




- adaptação -

Este livro já foi adaptado duas vezes para televisão mas aquela que é mais conhecida e está mais acessível é a minissérie da BBC de 1996. Dama misteriosa conta com Tara Fitzgerald (Helen), Toby Stephens (Gilbert Markham), Rupert Graves (Huntingdon) e James Purefoy (Mr. Lawrence). Apesar de não ser uma má adaptação e de ser relativamente fiel ao livro, esta foi uma adaptação que não me conquistou totalmente.


Começando pelos pontos positivos, gostei muito das interpretações do duo masculino. Toby Stephens é sólido na sua interpretação de Markham e Rupert Graves é convincente enquanto o carismático e temperamental Huntingdon. Por outro lado, Tara Fitzgerald não me convenceu mesmo enquanto Helen...para mim foi demasiado fria e pouco expressiva e isso afectou negativamente a minha apreciação da série.
Possui um enredo bastante fiel à história do livro usando até várias citações da obra. A grande excepção é o final que foi de certo modo invertido e tenho de dizer que, pessoalmente, não desgostei desta alteração. Senti, no entanto, que três episódios foram pouco para explorar a história da Helen e, como tal, tudo soou muito apressado e simplificado. Gostava que nao tivessem ignorado praticamente todas as personagens secundárias.
Quanto à parte técnica, gostei da banda sonora e fotografia mas alguns moviementos de câmara não me agradaram tanto.
Concluindo, esta é uma minissérie sólida que eu recomendo a quem leu o livro mas sinto que não conquistará os espectadores por si só. Gostava que fosse mais envolvente. 🌟🌟🌟





E vocês? Já leram o livro?
Ou viram a adaptação?


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Movie Bucket List 2019 | The right stuff (1983), American History X (1998), Jaws (1975)

domingo, 8 de setembro de 2019

Hoje trago mais umas opiniões dos filmes que tenho visto para o meu projecto #moviebucketlist2019. Assim, hoje venho falar dos filmes que vi em Abril, Maio e Junho para este desafio: The right stuff (1983), American History X (1998) e Jaws (1975).


realizado por  PHILIP KAUFMAN   protagonizado por  SAM SHEPARD, ED HARRIS, SCOTT GLENN, DENNIS QUAID

O filme abrange o período de 1947 à 1963, e começa contando a história dos primeiros pilotos a tentarem quebrar a barreira do som. Após conseguirem o feito, os EUA descobrem que a URSS conseguiu colocar em órbita o primeiro foguete espacial. O governo dos EUA inicia então uma verdadeira maratona, testando pilotos de teste para serem os primeiros astronautas americanos, da missão Mercury. O principal piloto americano do período, Chuck Yeager (Sam Shepard) não é classificado por não ter curso superior, mas isso não o impede de continuar quebrando recordes, mesmo quando estes parecem já não ter importância. Os astronautas seleccionados são Scott Carpenter (Charles Frank), Gordon Cooper (Dennis Quaid), John Glenn (Ed Harris), Gus Grissom (Fred Ward), Wally Schirra (Lance Henrikssen), Alan Shepard (Scott Glenn), e Deke Slayton (Scott Paulin).


Os Eleitos é um filme sobre a conquista espacial americana, baseado no livro com o mesmo nome de Tom Wolfe. Enquanto que o livro se foca muito mais na jornada do piloto Chuck Yager, aqui preferiram focar-se nos astronautas da Mercury. 
É um filme épico com cerca de 3 horas, que capta bem a tensão e grandiosidade da corrida espacial. Mostra, de forma realista e intimista, não só os sucessos mas também os erros e problemas associados a esta grande aventura e, como na maior parte das vezes, os soviéticos eram os pioneiros e não os americanos. Tem recriações espectaculares de eventos espaciais importantes (a quebra da barreira do som, o voo orbital de John Glenn, etc..) e uma fantástica fotografia e banda sonora.
É um filme que se destaca sobretudo pelo seu talentoso elenco, repleto de actores e interpretações que conferem autenticidade e humanidade a estes astronautas que eram, na altura, verdadeiras celebridades.
Não consegui adorar totalmente o filme por causa da sua duração e do seu ritmo, por vezes, cansativo. Senti também que, algumas vezes, ficavam ideias e acontecimentos por desenvolver/explorar e que eu só percebia melhor a conexão quando o meu companheiro (que estava a rever o filme comigo e que leu o livro) me explicava. Também nem sempre gostei do modo como eles alternaram entre as duas histórias paralelas.
Apesar de tudo, foi um filme que eu gostei bastante de ver.  Retrata bem a época e o programa espacial americano, e é também uma celebração das pessoas que desafiaram os seus limites e que buscaram ir mais além. 🌟🌟🌟1/2


realizado por  TONY KAYE   protagonizado por  EDWARD NORTON, EDWARD FURLONG, AVERY BROOKS

Derek Vinyard (Edward Norton) é o irmão mais velho, que finalmente regressa a casa após três anos preso. Todos o aguardam ansiosamente: a sua mãe (Beverly D’Angelo), a sua namorada (Fairuza Balk) e, mais do que ninguém, Danny (Edward Furlong), o seu irmão mais novo, que sempre o considerou um herói. Nesse mesmo dia, Danny entrega na escola um trabalho sobre "Mein Kampf" de Hitler. O director da escola (Avery Brooks) fica indignado e recusa-se a aceitá-lo. Em contrapartida, pede-lhe que conte a história de Derek – que, após a morte do pai por um grupo de negros, decidira fazer justiça pelas próprias mãos, organizando um grupo de extrema-direita. 


América Proibida é um filme duro que retrata de forma crua, gráfica e realista a disseminação de ideias e movimentos de índole nazi na América contemporânea composta por uma sociedade multiracial mas ainda com um racismo profundamente enraizado. 
É um tema delicado que é abordado de forma provocadora e honesta, com uma narrativa intensa e mordaz. O enredo do presente é intercalado com flashbacks a preto e branco do passado, que nos dão a conhecer o percurso de Derek até acabar na prisão. Nem sempre gosto deste estilo narrativo mas aqui as transições foram orgânicas e senti que estas funcionaram bem. De realçar, a cena de abertura, a preto e branco, que é bastante chocante e marcante.
Edward Norton está assombroso e compreende-se perfeitamente porque foi nomeado para o Óscar e porque este continua a ser um dos seus melhores papéis.
Para mim, o filme peca apenas pela conversão e transformação demasiado rápida e fácil do nosso personagem principal. A mensagem que pretende transmitir é boa mas talvez um pouco simples e ingénua demais.
De qualquer modo, é um filme que eu recomendo muito. É um filme extretamente relevante nos dias de hoje e, arrisco-me a dizer, que infelizmente cada vez mais. É, acima de tudo, um filme que demonstra que ódio gera cada vez mais ódio e que este infelizmente é ensinado e não nasce com as pessoas.   
🌟🌟🌟🌟


realizado por  STEVEN SPIELBERG   protagonizado por  ROB SCHEIDER, ROBERT SHAW, RICHARD DREYFUSS
A ilha de Amity é uma estância balnear procurada no Verão, pelas suas praias e ritmo calmo de vida. Pouco depois de Brody (Roy Scheider) tomar posse como chefe de polícia local, uma rapariga é morta por um tubarão, quando nadava à noite, e mais tarde uma criança sofre o mesmo destino. Apesar do conselho de Brody para fechar a praia as autoridades negam-e a fazê-lo, e em pleno 4 de Julho, um novo ataque à vista de todos lança o pânico. Conjuntamente com o caçador de troféus, Quint (Robert Shaw), e o oceanógrafo, Hooper (Richard Dreyfuss), Brody faz-se ao mar para dar caça a um enorme tubarão branco que assola as praias de Amity.


O Tubarão é um dos grandes clássicos do cinema americano e, FINALMENTE, lá o vi. Curiosamente, este foi um filme que eu nunca senti grande curiosidade em ver e que suspeitava que não iria gostar. Era um daqueles filmes que só queria ver pelo seu estatuto e, se não fosse este projecto, não o teria visto tão depressa. Felizmente, este acabou por se revelar uma agradável surpresa e foi um filme que eu gostei muito de ver.
Este foi o terceiro filme do realizador Steven Spielberg e aquele que o lançou para a fama, criando igualmente o conceito de "blockbuster de Verão". 
O filme pode ser essencialmente dividido em duas partes e ambas funcionam bem apesar de eu ter gostado mais da segunda. A primeira parte funciona mais como um filme de suspense, repleto de tensão e inquietação, na qual temos a ameaça escondida do tubarão que pode atacar a qualquer momento e na qual poucas pessoas acreditam. Tem algumas cenas bastante emblemáticas e Rob Scheider convence totalmente enquanto o polícia local que tem de balançar os poderes políticos com a segurança das pessoas. É aqui que a banda sonora de John Williams brilha mais, com o famoso trecho a tocar sempre que o tubarão se avizinha.
A segunda parte é mais um filme de aventura em que o nosso trio de protagonistas procura caçar o tubarão, aventurando-se para tal em alto-mar. Gostei muito desta parte não tanto pela acção (que também é boa) mas sim pela excelente química entre as três personagens, que são todas elas também muito interessantes. O companheirimo que surge entre os três soa natural e é fácil torcermos pelo seu sucesso. É só nesta parte que vemos o tubarão pela primeira vez, numa cena que é actualmente já muito conhecida de todos mas que, mesmo assim, ainda manteve o seu poder quando a vi no filme.
Para finalizar quero destacar a edição, que valeu a Verna Fields o Óscar, e que eleva este filme acima de um mero filme de aventura. Este é um thriller que eu recomendo muito, especialmente para esta altura do ano. 🌟🌟🌟🌟1/2



E vocês? 
Já viram estes filmes?





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O que andei a ver neste Verão

terça-feira, 3 de setembro de 2019

Na publicação de hoje venho partilhar com vocês as minhas impressões sobre algumas das séries que vi nestes últimos meses de Verão. A maior parte delas são até recentes, algumas estrearam este ano e outras no ano passado. Curiosamente, vi muitas comédias, um género que não costumo assistir frequentemente.


Então, nestes últimos dois meses vi as seguintes séries: a minissérie "A very english scandal", a minissérie "Good Omens", a 3ª temporada de "Attack on titan" (2ª parte), a 3ª temporada de "Stranger things", a minissérie "Summer of rockets", a 1ª temporada de "Barry" e a mais recente temporada de "Mindhunter".
Não irei falar de algumas destas séries porque não teria muito a dizer. Gostei da mais recente temporada de Stranger things (foi melhor que a segunda) mas nunca é uma série que me arrebate. Também gostei desta segunda parte da temporada de Attack on titan...muitas revelações e um significativo desenrolar da história. Adorei esta temporada de Mindhunter e terá direito a um post só sobre ela.


A very english scandal é uma minissérie britânica de 3 episódios que estreou no final de 2018 e que chamou muito a atenção na altura dos prémios. É baseada em factos reais e conta a história da relação entre Jeremy Thorpe (Hugh Grant), que viria a ser líder do partido liberal britânico e chefe de família, e Norman Scott (Ben Whishaw). Tem início no começo da década de 1960, numa altura em que a homossexualidade era crime, e culmina com Norman Scott a acusar Thorpe de ter encomendado o seu assassinato.
Eu confesso que não conhecia a história mas, ao que parece, foi um evento muito marcante no Reino Unido. Quanto à série, esta é dramática e cómica, bem com aquele toque de humor britânico irónico e absurdo ao mesmo tempo. Nunca pensei dizer isto, mas fiquei muito impressionada com a interpretação do Hugh Grant, mesmo muito boa. Aqui afasta-se das suas personagens tipicamente boazinhas e interpreta um homem cínico, carismático e manipulador. Ben Whishaw está também muito bem enquanto o instável e excêntrico Norman Scott.
É uma história que procura humanizar esta história sensacionalista e que não deixa de criticar a hipocrisia e corrupção da classe política e da sociedade no geral. Retrata bem os vários aspectos deste escândalo político e brilha, sobretudo, devido às várias personagens envolvidas. Recomendo! 🌟🌟🌟🌟


Barry é uma série que é, até ao momento, composta por duas temporadas de 8 episódios cada. Eu ainda só vi a primeira temporada mas esta conquistou-me e, em breve, conto começar a segunda. Esta série foca-se em Barry, um assassino a soldo (Bill Hader), à medida que ele procura abandonar a sua carreira de crime, que ele odeia mas na qual é muito bom, e seguir uma carreira de actor, para a qual ele tem pouco jeito mas que o faz sentir feliz.
É uma sátira muito inteligente e divertida, uma verdadeira comédia negra que tão depressa nos faz rir como chorar. O elenco de personagens é hilariante e o argumento está muito bem construído.
Sempre achei que Bill Hader tinha muito talento mas nunca tinha visto nenhum filme ou série que lhe fizesse jus. Se calhar, ele pensou o mesmo e foi por isso que decidiu criar esta série, em parceria com Alec Berg, e protagonizá-la. Foi uma excelente aposta que lhe valeu já várias nomeações e prémios dos Emmy e Globos de Ouro.
Recomendo muitíssimo...se gostam de comédias negras com profundidade não deixem de ver esta! 🌟🌟🌟🌟🌟


Good Omens é uma minissérie britânica de 6 episódios, adaptada do livro com o mesmo nome de Neil Gaiman e Terry Pratchet, que estreou no final de Maio. Confesso que não sou fã de Neil Gaiman e, portanto, estava quase para não ver esta série. O que acabou por me convencer foi a escolha de David Tennant e Michael Sheen para interpretarem o duo principal. Esta foca-se no demónio Crowley e anjo Aziraphale que decidem trabalhar juntos para tentar encontrar o anticristo e evitarem que o Apocalipse chegue.
De uma forma geral, gostei bastante da série. Não sei se é muito fiel ao livro pois nunca o li, mas acho que capta bem o espírito e estilo de ambos os escritores. É uma comédia bizarra repleta de personagens e situações excêntricas. Ambos os actores principais captam na perfeição "o seu lado da moeda" sem nunca soarem forçados, ridículos ou aborrecidos. Óptimas interpretações e caracterizações! De louvar também Jon Hamm enquanto o Arcanjo Gabriel.
No entanto, quando o duo principal não está em cena, a história não é tão interessante ou envolvente. A química entre os dois é fantástica e a série brilha mais quando se foca nesta reinterpretação/parodização do Céu (anjos) vs Inferno (demónios). Para mim, alguns enredos secundários não funcionaram bem e quebravam muitas vezes o ritmo. Gostava que a série se tivesse focado apenas neles os dois!
De qualquer modo, esta é uma série ousada e original, que eu recomendo para quem gosta do estilo dos escritores. Mesmo que não queiram ver a série, espreitem os créditos iniciais que são fantásticos! 🌟🌟🌟1/2



Summer of rockets é uma minissérie da BBC composta por 6 episódios que estreou no final de Maio. Decorre em Inglaterra, durante o período da Guerra Fria, numa época em que se vivia a ameaça da espionagem internacional e da destruição nuclear. No centro da trama está um inventor russo de origem judaica (Toby Stephens) que é abordado pelo MI5 para mostrar o seu trabalho. Contudo, não é nas suas invenções que estão interessados, mas sim em fazer com que ele obtenha informações sobre um casal amigo. Eu decidi ver esta série porque tinha Toby Stephens, um actor que adoro, como um dos protagonistas e, apesar da sua boa interpretação e de ser um period drama britânico que se foca numa era que eu considero muito interessante, a série acabou por não me arrebatar.
Comecemos pelos pontos positivos...os cenários, design de produção e guarda-roupa são fantásticos e captam bem a época. De uma forma geral, as interpretações são boas com destaque para Toby Stephens e Keeley Hawes. A narrativa principal de espionagem é interessante e, em alguns momentos, intrigante e tensa.
No entanto, é um enredo que saltita muito e que parece que não vai a lado nenhum durante muito tempo. Às vezes, as histórias das outras personagens parecem um pouco aleatórias e com pouca relevância para a narrativa (principalmente os que envolvem a filha e a personagem da Keeley Hawes). Em alguns momentos, acabei mesmo por me sentir entediada ou desinteressada.
É um period drama que entretém mas que não cativa. Gostava que não soasse tão superficial e disperso, e que se tivesse focado mais na perspectiva política e social da época. Recomendo apenas para quem gosta do género. 🌟🌟1/2



E vocês? 
Que andaram a ver neste Verão?


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«Aladdin», «Rocketman» e «Variações»

domingo, 1 de setembro de 2019

Hoje trago a minha opinião de mais 3 filmes que estrearam nos cinemas em Portugal. Todos eles são filmes musicais, dois deles biografias e outro uma adaptação live-actionAladdin Rocketman estrearam em Maio e Variações chegou às salas de cinema em Agosto.
realizado por  GUY RITCHIE   protagonizado por  MENA MASSOUD, NAOMI SCOTT, WILL SMITH

Aladdin, um plebeu que vive nas ruas, é a única pessoa que pode entrar na caverna das maravilhas e recuperar uma lâmpada mágica para o malvado grão-vizir Jafar. Só que o jovem vê-se preso na gruta com o seu companheiro de sempre, o macaquinho Abu, e acidentalmente descobre o génio residente na lâmpada que lhe concede três desejos. Aladdin faz amizade com o génio e usa os seus desejos para se tornar um príncipe e conquistar as afeições da Princesa Jasmine. 


Não sou de todo fã desta nova moda da Disney de refilmar os seus grandes clássicos de animação e, como tal, Aladdin foi um filme que decidi não ir ver ao cinema. No entanto, quando começaram a sair críticas positivas, acabei por ficar curiosa e finalmente decidi vê-lo há uns dias atrás. Não posso dizer que me tenha agradado na totalidade, mas foi um filme mais sólido do que eu esperava.
Vamos começar pelos pontos positivos...adorei a abertura inicial com a famosa música das "Noites de Arábia" na qual temos um vislumbre de todas as personagens nos seus "habitats" naturais. Gostei da maioria das alterações à história, sobretudo aquelas que envolveram a personagem da Jasmine e aquelas que deram uma maior complexidade à relação amorosa e personalidades do nosso casal. A química entre os dois protagonistas é bastante boa, bem como a do Aladdin e do Génio. Apesar de não ser tão carismático quanto eu gostaria (aquele cabelo e chapéu não ajudaram!), Mena Massoud funciona enquanto Aladdin mas é realmente Naomi Scott que brilha enquanto Jasmine.
Will Smith em si convenceu-me enquanto Génio mas a qualidade dos efeitos visuais usados quando ele "está azul" é realmente fraca e impacta negativamente algumas cenas. Quanto ao Jafar estava à espera de bem pior depois de ter ouvido tantas críticas negativas. Pessoalmente, eu gostei dele no início enquanto vilão mais subtil e manipulador (que se move nas sombras). No entanto, ele não é nada convincente no final enquanto força ameaçadora. Nunca senti que ele era um vilão poderoso e perigoso e isso deve-se não só à interpretação do actor mas também a algumas escolhas creativas do filme. Para além do que já mencionei, gostei também bastante do vibrante guarda-roupa e dos vários momentos musicais.
Quantos aos pontos negativos, os efeitos especiais não são realmente os melhores e isso é sobretudo visível no Génio e cenas de perseguições. Também não adorei a caracterização de Agrabah...gostei do design e de ser tudo tão colorido mas a concretização e a escala não me convenceram totalmente...todos os cenários pareciam demasiado artificiais. Outros aspectos negativos foram o seu ritmo inconstante e humor que nem sempre funcionou.
De forma geral, é uma boa adaptação que entretém bastante apesar das suas falhas. 🌟🌟🌟


realizado por  DEXTER FLETCHER   protagonizado por  TARON EGERTON, JAMIE BELL, RICHARD MADDEN

Fantasia musical sobre a vida e a carreira da estrela pop Elton John, desde os anos como jovem prodígio na Real Academia de Música, à duradoura e influente parceria com Bernie Taupin.


Rocketman estreou no final de Maio em Portugal e foi um filme que eu tive de ver imediatamente no cinema. Cresci com as músicas do Elton John e sou uma fã do Taron Egerton, o que me deixou logo com expectativas altas para este filme. Felizmente, este não me desiludiu e tenho a certeza que estará no meu top de estreias preferidas de 2019.
Em primeiro lugar, aquilo que mais gostei no filme foi o facto de este ser um verdadeiro musical. Daqueles com momentos musicais espontâneos, repletos de coreografias elaboradas e com as músicas a serem utilizadas para ilustrar vários momentos da vida do artista. Os números são exuberantes e teatrais transmitindo bem o espírito e energia do músico. Gostei também de como a história vai entrelaçando a carreira pessoal do Elton John com a sua vida privada. Explora bem as raízes da sua música e parceria musical com o seu letrista e amigo Bernie Taupin, mas também nos dá a conhecer a sua relação com a sua família, orientação sexual, depressão e abuso de drogas. 
Todo o elenco está fantástico mas Taron Egerton realmente brilha enquanto Elton, soando sempre muito autêntico. Outra estrela do filme é o realizador Dexter Fletcher cuja força creativa e confiança elevam o filme.
É um filme biográfico pouco convencional, muito divertido e emotivo ao mesmo tempo. Não é totalmente factual e cronologicamente correcto mas é, acima de tudo, um filme que reflecte bem a personalidade do Elton John. Exuberante e íntimo ao mesmo tempo...recomendo muitíssimo! 🌟🌟🌟🌟🌟


realizado por  JOÃO MAIA  protagonizado por  SÉRGIO PRAIA, FILIPE DUARTE, VICTORIA GUERRA

A vida de António Ribeiro, barbeiro e figura da movida lisboeta no final dos anos 70, perseguindo o sonho de se tornar cantor e compositor, apesar de não saber uma nota de música. O filme conta o seu processo de transformação na personagem artística que foi António Variações, compositor, cantor excêntrico e popular, que viu a carreira fulgurante interrompida pela morte, em 1984.


Quem não adora a Canção do engateEstou além e O corpo é que pagaVariações é realmente um ícone português e, como tal, também eu não fui capaz de resistir a ir ver este filme. Apesar de ter algumas falhas, é um filme que merece ser visto e que capta bem a paixão do artista pela música.
A história decorre sobretudo entre 1977 e 1981, os primeiros anos da carreira de Variações. É um filme melancólico e nostálgico, que procura, através de uma perspectiva sensível e poética, dar a conhecer a naturalidade do processo criativo do músico, as suas raízes e o seu amor pela sua mãe e terra natal. Retrata também de forma intíma, mas não explícita, a sua relação próxima com Fernando Ataíde. 
Sérgio Praia está impressionante...os gestos, as expressões, o carisma, está tudo lá. Ele é realmente a alma do filme e maravilha-nos sempre que está em cena. É de realçar que ele canta todas as canções! É de louvar também a atenção dada ao guarda-roupa e caracterização, e a preocupação em recriar com detalhe e qualidade a Lisboa artística dos anos 70 e 80.
No entanto, é um filme que nem sempre soa totalmente coeso, com uma edição e ritmo irregulares, e que acaba por soar um pouco superficial em determinados momentos. Confesso que gostava que o filme se tivesse focado um pouco mais no auge da carreira do músico e não apenas na sua ascensão e intimidade. De qualquer forma, gostei de conhecer melhor o percurso de vida do Variações e a sua entrega total à música. 
É, sem sombras de dúvidas, um filme português que vale a pena apoiar. 🌟🌟🌟1/2



E vocês? 
Já viram algum destes filmes?

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