MOTELx '19 | «Bacurau» e «Midsommar»

terça-feira, 24 de setembro de 2019

Nos passados dias 10 a 15 de Setembro, decorreu a 13ª edição do MOTELx - o Festival Internacional de Cinema de Terror de Lisboa. Este é um festival que eu gosto sempre de visitar, nem que seja só para ver um filme, e que eu recomendo muito. Este ano acabei por ir assistir dois filmes bastante diferentes: Bacurau, o novo filme sensação do Brasil, e Midsommar, o novo filme de um dos realizadores mais aclamados de 2018.


realizado por  JULIANO DORNELLES, KLEBER MENDONÇA FILHO   protagonizado por  BÁRBARA COLEN, THOMAS AQUINO, SÔNIA BRAGA

Daqui a alguns anos... Bacurau, uma pequena cidade brasileira no oeste de Pernambuco, lamenta a perda de sua matriarca, Carmelita, que viveu até os 94 anos. Dias depois, os seus habitantes apercebem-se que a sua comunidade desapareceu da maioria dos mapas e surge uma ameaça que leva à união do povo de Bacurau.


Bacurau é um filme brasileiro que chamou a minha atenção quando recebeu o Prémio do Júri do Festival de Cannes deste ano. Como tal, resolvi aproveitar o festival para o ver visto que é possível que este não chegue às salas de cinema portuguesas.
Este é um filme que funciona como um western sertanejo, com um pé no fantástico e outro no realismo. Gostei de como o filme recorreu à história e tradições do Nordeste, região muito marcada por revoltas violentas e movimentos de resistência popular, e as utilizou para construir os "clichés" e elementos típicos de um western. Gostei também do quão reais e autênticas a cidade e pessoas de Bacurau soam e parecem. Não há a típica glamorização que é frequentemente vista nos filmes de Hollywood. Outro ponto muito positivo, é a sua lindíssima fotografia.
É óbvio o comentário político nas entrelinhas, com a denúncia das desigualdades sociais e corrupção que ocorrem actualmente no Brasil, e o apelo à resistência e luta pela liberdade e identidade do povo brasileiro. Mesmo assim, tenho a certeza que algumas metáforas e referências culturais acabaram por me escapar na altura.
Apesar dos aspectos positivos, este foi um filme que, para mim, se perdeu um pouco na sua narrativa, com as suas várias mudanças de tom e estilo, e que acabou por se extender demasiado na resolução final, fragilizando a sua aura surreal, tensa e intimista dos momentos iniciais. Sei que há pessoas que pensam o contrário (que o primeiro acto é que é muito extenso), mas esse foi o meu preferido e acho que dá alma ao filme.
De qualquer modo, acho que é um filme que apresenta uma forte alegoria política de uma forma que entretém, sendo até bastante divertido em certos momentos, e que também nos faz pensar. Acho que quanto menos souberem sobre o enredo em si antes de verem o filme, melhor! 🌟🌟🌟1/2




realizado por  ARI ASTER   protagonizado por  FLORENCE PUGH, JACK REYNOR

Um jovem casal viaja até à Suécia para visitar a cidade natal de um amigo e participar nas festividades tradicionais do meio do verão. Mas o que começa como um retiro idílico rapidamente se torna numa experiência violenta e bizarra às mãos de um culto pagão.


Midsommar - o ritual é o segundo filme do realizador Ari Aster e estreia nas salas de cinema portuguesas nesta próxima quinta-feira. No ano passado vi o seu primeiro filme - Hereditário - e foi uma experiência mista. Gostei de cerca de metade do filme, das interpretações e da qualidade técnica deste, mas o seu final sobrenatural e ritmo não me convenceram. Como tal, parti curiosa para este filme mas não com as expectativas demasiado altas. Acabei por ser agradavelmente surpreendida, pois este filme tornou-se, até agora, numa das minhas estreias preferidas do ano.
Este é um filme de terror pagão (folk horror), um género que me agrada apesar de não ter visto ainda muitos filmes (de destacar claro o fantástico The Wicker Man no qual este filme se inspirou com certeza). Este é um filme pouco assustador que acaba por funcionar mais como drama psicológico pontuado por momentos violentos e perturbadores. Curiosamente, o filme foca-se mais em temáticas de família, relações interpessoais e dificuldades em lidar com a dor e ansiedade, especialmente quando não tens um sistema de apoio.
É, sem dúvida, uma história algo previsível e pouco subtil mas, pessoalmente, eu gostei muito de como esta foi conduzida, misturando humor, tensão e momentos mais bizarros. Também aqui, o ritmo da história não foi perfeito mas, mais uma vez, o realizador criou um filme irrepreensível em termos cénicos, de fotografia e de som. De uma forma geral, as interpretações são boas mas o destaque vai, sem dúvida, para Florence Pugh que está fantástica.
Não é um filme para todos mas recomendo-o para quem gosta do género ou de filmes atmosféricos e bizarros. 🌟🌟🌟🌟1/2



E vocês? 
Já viram algum destes filmes?