«Waves», «Sorry we missed you» & «Honey boy»

segunda-feira, 13 de abril de 2020

O tema do dia de hoje do desafio #nossodiarioemquarentena é: filmes que vi recentemente e recomendo. Como tal, hoje venho falar-vos de 3 filmes do ano passado que eu tive oportunidade de ver nestes últimos dias e que recomendo bastante. Todos eles são dramas íntimos e comoventes, mas com estilos e temáticas diferentes.

realizado por  TREY EDWARD SHULTS   protagonizado por  TAYLOR RUSSELL, KELVIN HARRINSON JR., STERLING K. BROWN, LUCAS HEDGE

Waves conta a históra de uma família negra de classe média americana do Sul da Florida que implode após uma tragédia.


Waves é um drama familiar do qual só ouvi falar quando o vi surgir no top 10 de 2019 de alguns amantes de cinema que sigo. Agora que o vi, posso dizer que não estaria no meu top mas que foi, mesmo assim, um filme que gostei muito de ver e acho que mais pessoas o deviam conhecer.
Esta é uma história que é contada essencialmente em duas partes: o antes e o depois de um determinado acontecimento (que não quero revelar) que abala profundamente a vida desta família que parecia, à partida, bastante coesa. Na primeira parte, conhecemos esta família que é composta pelos dois pais e 2 filhos adolescentes, o Tyler e a Emily. Acompanhamos sobretudo a vida normal de adolescente do Tyler - amigos, estudo e namorada - e a sua relação com o seu pai que o pressiona a dar o melhor de si em tudo. Ao longo da segunda parte, acompanhamos as repercussões do incidente e de como a família gere o que aconteceu, especialmente através do ponto de vista da Emily.
Este é um filme sobre sofrimento familiar e, como o próprio realizador admitiu, é essencialmente um "aviso contra a tradicional ideia da masculinidade", a ideia tóxica de que um homem tem de ser duro e nunca mostrar vulnerabilidade ou falar sobre os seus sentimentos. Procura, especialmente na sua parte final, exaltar o poder do perdão, da aceitação das falhas e erros humanos e o valor da comunicação.
O filme destaca-se também pelo seu aspecto visual e banda sonora marcada pelas vozes de Kendrick Lamar, H.E.R. e Kanye West. A sua fotografia e mudanças constantes de "aspect ratio" conferem um estilo muito íntimo e poético à narrativa. É um filme emotivo que brilha também graças às poderosas interpretações, especialmente do pai e do filho.
Este é um filme do mesmo criador dos filmes Krisha e It comes at night, dois filmes sobre relações familiares que também gostei muito de ver, e, como tal, vou estar atenta a futuros projectos do realizador.
Concluindo, este filme é uma jornada emocional, muito onírica, sobre a complexidade do ser humano. Confesso que achei a primeira parte muito mais imersiva e apelativa que a segunda e daí que não tenha dado as 4 estrelas. 🌟🌟🌟1/2



realizado por  KEN LOACH   protagonizado por  KRIS HITCHEN, DEBBIE HONEYWOOD, RHYS STONE, KATIE PROCTOR

Ricky e a sua família lutam arduamente contra as dívidas desde o colapso financeiro de 2008. A certa altura, Ricky tem a oportunidade de recuperar alguma independência com uma camioneta novinha em folha e a possibilidade de trabalhar por conta própria como motorista de entregas. É um trabalho duro, mas o emprego da mulher como cuidadora não é mais fácil. A família é forte, mas quando ambos são empurrados em sentidos diferentes, o ponto de ruptura torna-se iminente.


Passámos por cá estreou em Portugal no final de Novembro e foi um filme que, na altura, infelizmente acabou por me escapar. Gosto bastante do cinema de Ken Loach e da forma como os seus filmes abordam questões sociais pertinentes e bastante actuais. Este, mais uma vez, não foi excepção.
Esta é a história simples de uma família que procura sobreviver na nossa sociedade contemporânea. O pai torna-se num motorista de entregas de encomendas numa empresa de franchise, convencido que isso lhe vai dar liberdade mas rapidamente se apercebe que é apenas fachada - que trabalha muito e pouco ganha. Abbie, a sua mulher, é prestadora de cuidados a idosos e a outras pessoas incapacitadas, e lida com as dificuldades de manter a qualidade e humanidade dos seus serviços num horário cada vez mais rígido. Pelo meio, temos os seus dois filhos: Seb, um adolescente que vive revoltado, e Jane, uma criança que se preocupa com o rumo que a família está a seguir.
Mais uma vez, temos aqui um filme sobre a vida normal de muitas famílias, de como se passa a vida a trabalhar para depois não se ter tempo para usufruir dos frutos desse mesmo esforço. É um filme que soa natural e autêntico, e que se debruça sobre os efeitos nas relações pessoais e familiares de uma exploração laboral cada vez mais camuflada mas ainda presente. É um drama duro e triste, muito marcado pelo desespero e frustação de uma família que entra numa espiral da qual não consegue escapar, por mais que se esforce.
Não é dos melhores filmes do realizador mas é, mesmo assim, um filme actual e tocante que recomendo muito que vejam. Daria uma boa sessão dupla com outro filme recente do realizador: I, Daniel Blake. 🌟🌟🌟🌟



realizado por  ALMA HA´REL   protagonizado por  SHIA LABEOUF, NOAH JUPE, LUCAS HEDGE

A história de uma estrela infantil que, ao longo de uma década, tenta melhorar o relacionamento com o pai, um criminoso alcoólico. História inspirada na vida de Shia LaBeouf.


Honey boy foi um filme que, inicialmente, me passou um pouco despercebido mas que acabou por me interessar por causa das boas críticas que recebeu. É um filme de ficcão, baseado na vida do actor Shia Labeouf, cujo argumento foi escrito por ele durante a sua terapia ordenada pelo tribunal em 2017, após uma série de maus comportamentos e abusos. Foi um projecto que, no fundo, o ajudou a lidar com a fonte da sua raiva: o pai.
É claramente um filme bastante pessoal, íntimo e cru que expõe e disseca a relação tumultuosa que ele tinha com o seu pai, um ex-palhaço itinerante com um passado de vício em drogas e abuso sexual. Soa muito autêntico e é um retrato honesto da juventude do actor, expondo a relação complicada entre pai e filho, e o impacto dos seus traumas nalgumas das suas decisões futuras. Apesar da exploração da raiva e da dor, é também um filme sobre redenção e perdão. 
É importante destacar as fantásticas interpretações do duo principal: Noah Jupe, que interpreta o Otis (versão fictícia do Shia) com 12 anos, e Shia Labeouf que interpreta o seu próprio pai. Lucas Hedge é também bastante convincente, interpretando o Shia, na sua versão já cinematográfica, aquando da crise que o conduziu à terapia forçada.
O filme é realizado, com muita sensibilidade e melancolia, por Alma Har’el, que até aqui era conhecida pelo seu trabalho em videoclipes e em documentários. Um filme que não é perfeito, visto que não me convenceu tanto nos momentos com o Otis em adulto, mas que me conquistou pela sinceridade do argumento e poderosas interpretações. Espero que tenha tido o efeito catártico que o Shia desejava. 🌟🌟🌟🌟




E vocês?

Já viram algum destes filmes?


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Livros para ler em 1 dia

terça-feira, 7 de abril de 2020

Hoje estou de volta com mais um tema do desafio #nossodiarioemquarentena. Venho recomendar-vos então alguns livros, de diversos géneros, que se podem ler num único dia. A maioria deles são livros curtos que não vão além das 150 páginas ou então são livros leves e fáceis de ler.


O cultivo das flores de plástico de Afonso Cruz, 2013
Esta peça gira em torno do dia-a-dia de quatro sem-abrigo que partilham um beco numa cidade. É um livro extremamente pequeno, lê-se perfeitamente em 30/45 minutos, mas é daqueles que não nos abandona quando o pousamos. Faz-nos reflectir no nosso próprio comportamento em relação aos sem-abrigo e na rapidez com que o nosso mundo pode mudar de um dia para o outro.
Filoctetes de Sófocles
Até agora esta foi uma das tragédias gregas mais acessíveis que já li. A história narra um episódio da Guerra de Tróia, durante o qual Ulisses, para vencer os troianos, é obrigado a regressar à ilha de Lemnos, onde antes tinha abandonado o ferido Filoctetes, para recuperar o arco de Hércules que se encontra na sua posse. Para tal, ele convence Neoptólemo, filho de Aquiles, a enganar Filoctetes. Esta é uma história muito bem contada que gira, sobretudo, em torno de apenas 3 personagens e que se foca, essencialmente, no conflito "moralidade vs necessidade" e na velha questão: será que devemos obedecer a leis que consideramos injustas?



Winnie-the-Pooh de A.A. Milne, 1926
Qualquer livro infantil é fácil e rápido de se ler, mas não podia deixar de recomendar as histórias do Winnie que são extremamente ternurentas e têm ilustrações fofíssimas.
Charlie e a fábrica de chocolate de Roald Dahl, 1964
Qualquer livro do Roald Dahl é uma excelente escolha, mas resolvi recomendar-vos este porque é um dos mais divertidos e emblemáticos do autor.



O cão dos Baskervilles de Arthur Conan Doyle, 1902
Esta é a minha história preferida do Sherlock Holmes! Gira em torno do Solar dos Baskervilles e da família Baskerville, cujo senhor, Sir Charles Baskerville, aparece morto, com indícios de ter sido atacado selvaticamente por um animal...um cão negro, diabólico, que lança fogo pelos olhos e pela boca. Todos temem o terrível animal e , como tal, o novo senhor do Solar, Henry Baskerville, sobrinho de Sir Charles, decide recorrer a Sherlock Holmes para resolver o mistério que envolve a morte do tio. Extremamente atmosférico e uma das aventuras mais emblemáticas do grande detective.
Um gosto mórbido por ossos de Ellis Peters, 1983
Cozy mysteries é o meu subgénero preferido dentro do policial/mistério e, nesta onda, recomendo a saga de mistérios do monge-detective Irmão Cadfael. É uma saga com vários volumes pequenos e fácil leitura, protagonizada pelo Irmão Cadfael que é um monge bastante pragmático e inteligente, que teve uma vida bastante activa antes de ingressar numa ordem religiosa. Basicamente, no seu primeiro volume vamos conhecê-lo e acompanhá-lo numa visita ao País de Gales, com outros membros do seu convento, de modo a recuperar as ossadas de uma santa milagreira. É aí então que o homícidio ocorre e o Irmão Cadfael vai ser essencial na descoberta do culpado. É extremamente interessante ler um mistério que decorre na Idade Média e a autora consegue transportar-nos facilmente para a época histórica em questão.



O regresso do soldado de Rebecca West, 1918
Este é um livro de ficção que está ligado à I Guerra Mundial. Um soldado regressa da linha da frente, com um trauma que lhe varreu a memória dos últimos quinze anos, e encontra três mulheres do seu passado: é Kitty, a sua mulher, fria, elegante e bela; a sua dedicada prima, Jenny e Margaret, o seu primeiro amor e que é agora uma mulher maltratada pela vida. Lembra-se da prima como amiga de infância, não tem qualquer memória da esposa e está ligado à sua juvenil paixão por Margaret. É um livro bastante melancólico, com uma prosa lírica, narrado do ponto de vista da prima. Debruça-se sobre os efeitos da guerra nos civis e nos soldados que regressavam a casa para enfrentar, no fundo, outro tipo de batalha - uma mais psicológica.
A Princesa de Clèves de Madame de Lafayette, 1678
Este foi um dos primeiros livros publicados dentro do género do romance psicológico e histórico. Este tem como pano de fundo os últimos anos do reinado de Henrique II e segue a história de uma mulher, a Princesa de Cléves, que se casa por conveniência sem amar o marido e que se apaixona por um jovem fidalgo sedutor. É uma história que mistura muito bem elementos de não ficção, com ricas descrições de figuras e locais históricos reais do séc. XVI, com uma narrativa introspectiva que explora profundamente os pensamentos e emoções interiores dos personagens . Conquistou-me, sobretudo, pelas suas reflexões e final.



A quinta dos animais de George Orwell, 1945
Um clássico da literatura que tem início quando o porco Major convoca uma reunião com os vários animais da quinta para lhes falar do sonho que teve, um sonho onde todos os animais viveriam livres do domínio dos homens através de uma revolução. Pouco tempo depois o Major morre mas o seu sonho não. Os animais começam a reflectir nas palavras proferidas na reunião e começam a preparar a revolução. Esta pode parecer, à primeira vista, uma história simples mas é, na verdade, um livro complexo que foi escrito como uma sátira ao regime totalitarista da União Soviética da altura. Está carregado de simbolismo, tanto a nível de personagens como de acontecimentos, e quem conhecer um pouco da história da Revolução Russa consegue encontrar vários paralelismos. Uma fábula brilhante e ainda bastante actual. Recomendo vivamente visto que é uma leitura rápida e bastante profunda.
Flores para Algernon de Daniel Keyes, 1966
Um clássico que não é o típico livro de ficção científica com naves espaciais ou robots. É um livro sobre Charlie, um homem de cerca de 30 anos com um QI de 68 que aceita fazer parte de uma experiência científica de modo a aumentar a inteligência. A experiência revela-se um sucesso e ele torna-se num génio. Contudo, quando Algernon, o rato de laboratório cuja transformação precedeu a dele, começa a regredir Charlie tem de lidar com a possibilidade de que a sua transformação foi apenas temporária. Uma leitura poderosa, emocional e marcante que nos faz reflectir no modo como nós olhamos e tratamos as pessoas menos inteligentes e/ou com deficiências mentais.



Um homem singular de Christopher Isherwood, 1964
Este livro decorre na Califórnia suburbana dos anos 60 e conta a história de George Falconer, um professor de inglês de meia-idade, que se encontra destroçado pela morte súbita do amante de longa data e que procura reaprender a viver. Um livro psicologicamente rico, com uma escrita elegante, e que ilustra bem sentimentos de alienação e de perda. Recomendo também a adaptação cinematográfica de 2009 com Colin Firth.
Ratos e Homens de John Steinbeck, 1937
Um dos livros mais bonitos e acessíveis de Steinbeck. Conta a história de amizade entre dois homens e tem como pano de fundo os Estados Unidos da América durante a Grande Depressão. George e Lennie vivem de trabalhos episódicos e sonham com uma vida tranquila, com a hipótese de arranjar uma quinta em que possam dedicar-se à criação de coelhos. George é o líder, é aquele que toma as decisões e protege o seu amigo, sem no entanto deixar de depender da amizade e da força de Lennie. Este é um gigante simpático, dotado de um físico excepcional, mas com problemas mentais. Estes dois homens, que viviam numa terra sem esperança e em que o mote era “cada um por si”, eram diferentes pois tinham o seu sonho e a sua amizade! Um livro belo e poderoso com uma história comovente e de lealdade levada ao extremo, em que nos são apresentadas personagens reais e cativantes.



Sanditon de Jane Austen, 1817
«opinião aqui»
A morte de Ivan Iliitch de Tolstoi, 1886
«opinião aqui»



E vocês? Que livros me recomendariam?


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«The Gentlemen», «The Invisible Man» & «Emma.»

sábado, 4 de abril de 2020

Hoje trago as opiniões de três filmes que estrearam em 2020. Todos eles foram filmes que eu gostei de ver e bastante diferentes uns dos outros. Venho falar-vos então de um filme de época - Emma., de um filme de terror psicológico - The invisible man, e de uma comédia de acção - The Gentlemen.

realizado por  GUY RITCHIE   protagonizado por  MATTHEW MCCONAUGHEY, CHARLIE HUNNAM, HUGH GRANT, JEREMY STRONG

O americano Mickey Pearson construiu um império de marijuana altamente lucrativo, em Londres. Quando se torna público que está a pensar vender o negócio para se reformar, tem início um ciclo de conspirações, esquemas, subornos e chantagens para tomarem os seus domínios.


The Gentlemen: Senhores do crime estreou nos finais de Fevereiro em Portugal e foi um filme que acabei por ver um pouco por acaso. Vi-o mais pelo seu elenco do que pela história em si mas acabou por me surpreender pela positiva. Não é de todo o melhor filme do Guy Ritchie mas é um dos melhores dele dos últimos tempos. Este assinala o regresso do realizador ao género que o fez famoso nos anos 90, o da comédia de gangsters.
É um filme que oferece o habitual do Guy Ritchie: uma edição rápida, uma estética cool, um humor seco muito britânico, uma narrativa com várias camadas e a exploração do submundo criminoso inglês.
Algo que eu achei que corria o risco de não funcionar mas que acabou por me agradar bastante foi o facto da história ser contada, no fundo, por um jornalista chantagista (Hugh Grant) através de flashbacks. É uma narrativa dentro de uma narrativa que confere um ritmo muito próprio ao filme e um tom jocoso que me cativou. Acho que não teria funcionado tão bem se não fosse a interpretação do Hugh Grant. De facto, as interpretações são um do ponto forte do filme, especialmente, as de Colin Farrel e Matthew McConaughey.
É um filme que, em alguns momentos, peca um pouco pelo exagero da fórmula e pela previsibilidade do enredo mas que, mesmo assim, recomendo. É um thriller criminal muito divertido, com personagens únicas e bastantes reviravoltas, que entretém facilmente. 🌟🌟🌟1/2



realizado por  LEIGH WHANNELL   protagonizado por  ELISABETH MOSS, OLIVER JACKSON-COHEN, ALDIS HODGE

Uma noite, Cecilia ganha coragem e foge do namorado que a agride. Ao receber a notícia de que ele se suicidou, tenta construir uma vida melhor, mas começa a suspeitar de que, afinal, ele pode não estar morto...


O Homem Invisível estreou em Portugal no início de Março e despertou-me a curiosidade pelas críticas positivas que recebeu na altura. O seu realizador é o mesmo do filme Upgrade de 2018 que, na altura, foi uma agradável surpresa...tal como este.
Gostei muito de como este filme actualizou a premissa da história de H.G. Wells de modo a enquadrar-se na sociedade do séc. XXI; de como este mistura um terror aparentemente sobrenatural - um homem invisível - com um terror bem real -  o medo e a paranóica que uma vítima de um relacionamento abusivo sente. Mesmo antes do seu marido aparecer invisível na sua vida, Cecilia já se sente perseguida e assombrada por este na sua vida diária e isso criou , sem dúvida, tensão e ilustrou bem o trauma destas vítimas. É um filme que joga muito bem com a oscilação entre a ameaça real e a sugestão de perigo.
De destacar também a fotografia do filme e a interpretação fantástica de Elisabeth Moss, que suporta o filme nas suas costas. No entanto, penso que, em certos momentos, a história se extendeu um pouco demais e existem algumas falhas lógicas a nível do enredo que não me convenceram. Concluindo, este é um filme de terror mais psicológico, com bastante tensão e suspense, que explora bem a ameaça invisível dos monstros modernos. 🌟🌟🌟1/2



realizado por  GUY RITCHIE   protagonizado por  MATTHEW MCONAUGHEY, CHARLIE HUNNAM, HUGH GRANT, JEREMY STRONG

Bonita, inteligente e rica, Emma Woodhouse é uma inquieta abelha rainha sem rivais na sua pequena e adormecida cidade. Nesta cintilante sátira das classes sociais e das dores de crescimento, Emma tem de se aventurar por equívocos e erros românticos para encontrar o amor.


Emma. estreou em Fevereiro lá fora e é a mais recente adaptação do livro com o mesmo nome de Jane Austen. Até agora as outras adaptações mais famosas eram o filme de 1996, com a Gwyneth Paltrow, e a série de televisão de 2009, com a Romola Garai. Apesar de esta não se ter tornado na minha versão preferida, foi um filme que eu gostei muito de ver e que tentou trazer algo de novo sem alterar muito o enredo e o espírito da história original.
Uma característica importante da história da Emma que faz com que muitos leitores não adorem o livro (incluindo eu) é o facto da nossa protagonista ser uma personagem mimada, teimosa e um pouco arrogante. Não é fácil gostar da Emma e, como tal, sinto que a sua personagem acaba por ser sempre suavizada nas adaptações. Curiosamente, senti que este filme teve uma abordagem um pouco diferente...acho que não deixou de mostrar o lado mais negativo da personagem mas, para tal, jogou mais com a comédia. De facto, este é um filme bastante divertido e encantador, que se destaca pelo guarda-roupa vibrante e colorido (que não agradará certamente a todos) e os fantásticos cenários.
Tal como já referi, é bastante fiel ao enredo original  e algumas das cenas mais importantes foram realmente muito bem conseguidas, nomeadamente, a do baile e a do piquenique. Gostei muito de como eles se focaram mais na relação de amizade entre a Harriet e a Emma e, de como, retrataram bem a complexidade e o crescimento da Emma ao longo da história. A Emma é snob e desagradável às vezes mas é visível o seu bom fundo e a sua solidão que afecta algumas das suas escolhas. Acho que de todas as adaptações que vi, este foi o desenvolvimento da protagonista que me pareceu mais orgânico e Anya Taylor-Joy convenceu-me totalmente enquanto Emma.
Algo que também funcionou muito bem foi Johnny Flynn enquanto Mr. Knightley e a química entre o par romântico. Miranda Hart, enquanto Miss Bates, foi uma escolha perfeita bem como Bill Nighy enquanto Mr. Woodhouse. Por outro lado, aquilo que não me convenceu tanto foi toda a história em torno do Frank Churchill e Jane Fairfax. Penso que a oposição entre as duas jovens não foi suficientemente explorada e a personagem da Jane Fairfax (a minha preferida do livro) foi um pouco ignorada. No entanto, sinto que são escolhas creativas que se têm de tomar uma vez que se trata de um filme e não de uma série que acaba por ter mais tempo para explorar as motivações das várias personagens.
Concluindo, este é um filme que recomendo muito se são fãs de period drama mais leves, com um toque de modernidade, e de Jane Austen. Não ficou a minha adaptação preferida (essa continua a ser a série de 2009) mas é um filme que me vejo a rever. No entanto, não acredito que seja um filme especialmente apelativo para quem não é fã do género.
Curiosamente, o argumento foi escrito pela Eleanor Catton, autora do livro Os Luminares. 🌟🌟🌟1/2



E vocês?

Já viram algum destes filmes?


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