«The Gentlemen», «The Invisible Man» & «Emma.»

sábado, 4 de abril de 2020

Hoje trago as opiniões de três filmes que estrearam em 2020. Todos eles foram filmes que eu gostei de ver e bastante diferentes uns dos outros. Venho falar-vos então de um filme de época - Emma., de um filme de terror psicológico - The invisible man, e de uma comédia de acção - The Gentlemen.

realizado por  GUY RITCHIE   protagonizado por  MATTHEW MCCONAUGHEY, CHARLIE HUNNAM, HUGH GRANT, JEREMY STRONG

O americano Mickey Pearson construiu um império de marijuana altamente lucrativo, em Londres. Quando se torna público que está a pensar vender o negócio para se reformar, tem início um ciclo de conspirações, esquemas, subornos e chantagens para tomarem os seus domínios.


The Gentlemen: Senhores do crime estreou nos finais de Fevereiro em Portugal e foi um filme que acabei por ver um pouco por acaso. Vi-o mais pelo seu elenco do que pela história em si mas acabou por me surpreender pela positiva. Não é de todo o melhor filme do Guy Ritchie mas é um dos melhores dele dos últimos tempos. Este assinala o regresso do realizador ao género que o fez famoso nos anos 90, o da comédia de gangsters.
É um filme que oferece o habitual do Guy Ritchie: uma edição rápida, uma estética cool, um humor seco muito britânico, uma narrativa com várias camadas e a exploração do submundo criminoso inglês.
Algo que eu achei que corria o risco de não funcionar mas que acabou por me agradar bastante foi o facto da história ser contada, no fundo, por um jornalista chantagista (Hugh Grant) através de flashbacks. É uma narrativa dentro de uma narrativa que confere um ritmo muito próprio ao filme e um tom jocoso que me cativou. Acho que não teria funcionado tão bem se não fosse a interpretação do Hugh Grant. De facto, as interpretações são um do ponto forte do filme, especialmente, as de Colin Farrel e Matthew McConaughey.
É um filme que, em alguns momentos, peca um pouco pelo exagero da fórmula e pela previsibilidade do enredo mas que, mesmo assim, recomendo. É um thriller criminal muito divertido, com personagens únicas e bastantes reviravoltas, que entretém facilmente. 🌟🌟🌟1/2



realizado por  LEIGH WHANNELL   protagonizado por  ELISABETH MOSS, OLIVER JACKSON-COHEN, ALDIS HODGE

Uma noite, Cecilia ganha coragem e foge do namorado que a agride. Ao receber a notícia de que ele se suicidou, tenta construir uma vida melhor, mas começa a suspeitar de que, afinal, ele pode não estar morto...


O Homem Invisível estreou em Portugal no início de Março e despertou-me a curiosidade pelas críticas positivas que recebeu na altura. O seu realizador é o mesmo do filme Upgrade de 2018 que, na altura, foi uma agradável surpresa...tal como este.
Gostei muito de como este filme actualizou a premissa da história de H.G. Wells de modo a enquadrar-se na sociedade do séc. XXI; de como este mistura um terror aparentemente sobrenatural - um homem invisível - com um terror bem real -  o medo e a paranóica que uma vítima de um relacionamento abusivo sente. Mesmo antes do seu marido aparecer invisível na sua vida, Cecilia já se sente perseguida e assombrada por este na sua vida diária e isso criou , sem dúvida, tensão e ilustrou bem o trauma destas vítimas. É um filme que joga muito bem com a oscilação entre a ameaça real e a sugestão de perigo.
De destacar também a fotografia do filme e a interpretação fantástica de Elisabeth Moss, que suporta o filme nas suas costas. No entanto, penso que, em certos momentos, a história se extendeu um pouco demais e existem algumas falhas lógicas a nível do enredo que não me convenceram. Concluindo, este é um filme de terror mais psicológico, com bastante tensão e suspense, que explora bem a ameaça invisível dos monstros modernos. 🌟🌟🌟1/2



realizado por  GUY RITCHIE   protagonizado por  MATTHEW MCONAUGHEY, CHARLIE HUNNAM, HUGH GRANT, JEREMY STRONG

Bonita, inteligente e rica, Emma Woodhouse é uma inquieta abelha rainha sem rivais na sua pequena e adormecida cidade. Nesta cintilante sátira das classes sociais e das dores de crescimento, Emma tem de se aventurar por equívocos e erros românticos para encontrar o amor.


Emma. estreou em Fevereiro lá fora e é a mais recente adaptação do livro com o mesmo nome de Jane Austen. Até agora as outras adaptações mais famosas eram o filme de 1996, com a Gwyneth Paltrow, e a série de televisão de 2009, com a Romola Garai. Apesar de esta não se ter tornado na minha versão preferida, foi um filme que eu gostei muito de ver e que tentou trazer algo de novo sem alterar muito o enredo e o espírito da história original.
Uma característica importante da história da Emma que faz com que muitos leitores não adorem o livro (incluindo eu) é o facto da nossa protagonista ser uma personagem mimada, teimosa e um pouco arrogante. Não é fácil gostar da Emma e, como tal, sinto que a sua personagem acaba por ser sempre suavizada nas adaptações. Curiosamente, senti que este filme teve uma abordagem um pouco diferente...acho que não deixou de mostrar o lado mais negativo da personagem mas, para tal, jogou mais com a comédia. De facto, este é um filme bastante divertido e encantador, que se destaca pelo guarda-roupa vibrante e colorido (que não agradará certamente a todos) e os fantásticos cenários.
Tal como já referi, é bastante fiel ao enredo original  e algumas das cenas mais importantes foram realmente muito bem conseguidas, nomeadamente, a do baile e a do piquenique. Gostei muito de como eles se focaram mais na relação de amizade entre a Harriet e a Emma e, de como, retrataram bem a complexidade e o crescimento da Emma ao longo da história. A Emma é snob e desagradável às vezes mas é visível o seu bom fundo e a sua solidão que afecta algumas das suas escolhas. Acho que de todas as adaptações que vi, este foi o desenvolvimento da protagonista que me pareceu mais orgânico e Anya Taylor-Joy convenceu-me totalmente enquanto Emma.
Algo que também funcionou muito bem foi Johnny Flynn enquanto Mr. Knightley e a química entre o par romântico. Miranda Hart, enquanto Miss Bates, foi uma escolha perfeita bem como Bill Nighy enquanto Mr. Woodhouse. Por outro lado, aquilo que não me convenceu tanto foi toda a história em torno do Frank Churchill e Jane Fairfax. Penso que a oposição entre as duas jovens não foi suficientemente explorada e a personagem da Jane Fairfax (a minha preferida do livro) foi um pouco ignorada. No entanto, sinto que são escolhas creativas que se têm de tomar uma vez que se trata de um filme e não de uma série que acaba por ter mais tempo para explorar as motivações das várias personagens.
Concluindo, este é um filme que recomendo muito se são fãs de period drama mais leves, com um toque de modernidade, e de Jane Austen. Não ficou a minha adaptação preferida (essa continua a ser a série de 2009) mas é um filme que me vejo a rever. No entanto, não acredito que seja um filme especialmente apelativo para quem não é fã do género.
Curiosamente, o argumento foi escrito pela Eleanor Catton, autora do livro Os Luminares. 🌟🌟🌟1/2



E vocês?

Já viram algum destes filmes?