Livros para ler em 1 dia

terça-feira, 7 de abril de 2020

Hoje estou de volta com mais um tema do desafio #nossodiarioemquarentena. Venho recomendar-vos então alguns livros, de diversos géneros, que se podem ler num único dia. A maioria deles são livros curtos que não vão além das 150 páginas ou então são livros leves e fáceis de ler.


O cultivo das flores de plástico de Afonso Cruz, 2013
Esta peça gira em torno do dia-a-dia de quatro sem-abrigo que partilham um beco numa cidade. É um livro extremamente pequeno, lê-se perfeitamente em 30/45 minutos, mas é daqueles que não nos abandona quando o pousamos. Faz-nos reflectir no nosso próprio comportamento em relação aos sem-abrigo e na rapidez com que o nosso mundo pode mudar de um dia para o outro.
Filoctetes de Sófocles
Até agora esta foi uma das tragédias gregas mais acessíveis que já li. A história narra um episódio da Guerra de Tróia, durante o qual Ulisses, para vencer os troianos, é obrigado a regressar à ilha de Lemnos, onde antes tinha abandonado o ferido Filoctetes, para recuperar o arco de Hércules que se encontra na sua posse. Para tal, ele convence Neoptólemo, filho de Aquiles, a enganar Filoctetes. Esta é uma história muito bem contada que gira, sobretudo, em torno de apenas 3 personagens e que se foca, essencialmente, no conflito "moralidade vs necessidade" e na velha questão: será que devemos obedecer a leis que consideramos injustas?



Winnie-the-Pooh de A.A. Milne, 1926
Qualquer livro infantil é fácil e rápido de se ler, mas não podia deixar de recomendar as histórias do Winnie que são extremamente ternurentas e têm ilustrações fofíssimas.
Charlie e a fábrica de chocolate de Roald Dahl, 1964
Qualquer livro do Roald Dahl é uma excelente escolha, mas resolvi recomendar-vos este porque é um dos mais divertidos e emblemáticos do autor.



O cão dos Baskervilles de Arthur Conan Doyle, 1902
Esta é a minha história preferida do Sherlock Holmes! Gira em torno do Solar dos Baskervilles e da família Baskerville, cujo senhor, Sir Charles Baskerville, aparece morto, com indícios de ter sido atacado selvaticamente por um animal...um cão negro, diabólico, que lança fogo pelos olhos e pela boca. Todos temem o terrível animal e , como tal, o novo senhor do Solar, Henry Baskerville, sobrinho de Sir Charles, decide recorrer a Sherlock Holmes para resolver o mistério que envolve a morte do tio. Extremamente atmosférico e uma das aventuras mais emblemáticas do grande detective.
Um gosto mórbido por ossos de Ellis Peters, 1983
Cozy mysteries é o meu subgénero preferido dentro do policial/mistério e, nesta onda, recomendo a saga de mistérios do monge-detective Irmão Cadfael. É uma saga com vários volumes pequenos e fácil leitura, protagonizada pelo Irmão Cadfael que é um monge bastante pragmático e inteligente, que teve uma vida bastante activa antes de ingressar numa ordem religiosa. Basicamente, no seu primeiro volume vamos conhecê-lo e acompanhá-lo numa visita ao País de Gales, com outros membros do seu convento, de modo a recuperar as ossadas de uma santa milagreira. É aí então que o homícidio ocorre e o Irmão Cadfael vai ser essencial na descoberta do culpado. É extremamente interessante ler um mistério que decorre na Idade Média e a autora consegue transportar-nos facilmente para a época histórica em questão.



O regresso do soldado de Rebecca West, 1918
Este é um livro de ficção que está ligado à I Guerra Mundial. Um soldado regressa da linha da frente, com um trauma que lhe varreu a memória dos últimos quinze anos, e encontra três mulheres do seu passado: é Kitty, a sua mulher, fria, elegante e bela; a sua dedicada prima, Jenny e Margaret, o seu primeiro amor e que é agora uma mulher maltratada pela vida. Lembra-se da prima como amiga de infância, não tem qualquer memória da esposa e está ligado à sua juvenil paixão por Margaret. É um livro bastante melancólico, com uma prosa lírica, narrado do ponto de vista da prima. Debruça-se sobre os efeitos da guerra nos civis e nos soldados que regressavam a casa para enfrentar, no fundo, outro tipo de batalha - uma mais psicológica.
A Princesa de Clèves de Madame de Lafayette, 1678
Este foi um dos primeiros livros publicados dentro do género do romance psicológico e histórico. Este tem como pano de fundo os últimos anos do reinado de Henrique II e segue a história de uma mulher, a Princesa de Cléves, que se casa por conveniência sem amar o marido e que se apaixona por um jovem fidalgo sedutor. É uma história que mistura muito bem elementos de não ficção, com ricas descrições de figuras e locais históricos reais do séc. XVI, com uma narrativa introspectiva que explora profundamente os pensamentos e emoções interiores dos personagens . Conquistou-me, sobretudo, pelas suas reflexões e final.



A quinta dos animais de George Orwell, 1945
Um clássico da literatura que tem início quando o porco Major convoca uma reunião com os vários animais da quinta para lhes falar do sonho que teve, um sonho onde todos os animais viveriam livres do domínio dos homens através de uma revolução. Pouco tempo depois o Major morre mas o seu sonho não. Os animais começam a reflectir nas palavras proferidas na reunião e começam a preparar a revolução. Esta pode parecer, à primeira vista, uma história simples mas é, na verdade, um livro complexo que foi escrito como uma sátira ao regime totalitarista da União Soviética da altura. Está carregado de simbolismo, tanto a nível de personagens como de acontecimentos, e quem conhecer um pouco da história da Revolução Russa consegue encontrar vários paralelismos. Uma fábula brilhante e ainda bastante actual. Recomendo vivamente visto que é uma leitura rápida e bastante profunda.
Flores para Algernon de Daniel Keyes, 1966
Um clássico que não é o típico livro de ficção científica com naves espaciais ou robots. É um livro sobre Charlie, um homem de cerca de 30 anos com um QI de 68 que aceita fazer parte de uma experiência científica de modo a aumentar a inteligência. A experiência revela-se um sucesso e ele torna-se num génio. Contudo, quando Algernon, o rato de laboratório cuja transformação precedeu a dele, começa a regredir Charlie tem de lidar com a possibilidade de que a sua transformação foi apenas temporária. Uma leitura poderosa, emocional e marcante que nos faz reflectir no modo como nós olhamos e tratamos as pessoas menos inteligentes e/ou com deficiências mentais.



Um homem singular de Christopher Isherwood, 1964
Este livro decorre na Califórnia suburbana dos anos 60 e conta a história de George Falconer, um professor de inglês de meia-idade, que se encontra destroçado pela morte súbita do amante de longa data e que procura reaprender a viver. Um livro psicologicamente rico, com uma escrita elegante, e que ilustra bem sentimentos de alienação e de perda. Recomendo também a adaptação cinematográfica de 2009 com Colin Firth.
Ratos e Homens de John Steinbeck, 1937
Um dos livros mais bonitos e acessíveis de Steinbeck. Conta a história de amizade entre dois homens e tem como pano de fundo os Estados Unidos da América durante a Grande Depressão. George e Lennie vivem de trabalhos episódicos e sonham com uma vida tranquila, com a hipótese de arranjar uma quinta em que possam dedicar-se à criação de coelhos. George é o líder, é aquele que toma as decisões e protege o seu amigo, sem no entanto deixar de depender da amizade e da força de Lennie. Este é um gigante simpático, dotado de um físico excepcional, mas com problemas mentais. Estes dois homens, que viviam numa terra sem esperança e em que o mote era “cada um por si”, eram diferentes pois tinham o seu sonho e a sua amizade! Um livro belo e poderoso com uma história comovente e de lealdade levada ao extremo, em que nos são apresentadas personagens reais e cativantes.



Sanditon de Jane Austen, 1817
«opinião aqui»
A morte de Ivan Iliitch de Tolstoi, 1886
«opinião aqui»



E vocês? Que livros me recomendariam?