«Judy», «Richard Jewell» e «Harriet»

terça-feira, 28 de janeiro de 2020

Hoje trago mais umas opiniões de filmes dos Óscares. Venho falar de 3 filmes que vi em Janeiro e que têm no seu elenco uma actriz - principal ou secundária - que está nomeada para um Óscar. Todos eles são também filmes baseados em pessoas ou factos reais.


realizado por  RUPERT GOOLD   protagonizado por  RENÉE ZELLWEGER, JESSIE BUCKLEY, FINN WITTROCK

Em 1968, Judy Garland chega a Londres para uma série de concertos. Passaram 30 anos desde foi lançada para o estrelato no filme "O Feiticeiro de Oz". Está cansada, assombrada por memórias de uma infância perdida para Hollywood, agarrada ao desejo de voltar para junto dos filhos, mas determinada a nunca desapontar os fãs.



Judy foi um filme que estreou em Portugal no Outubro do ano passado e que eu só tive oportunidade de ver recentemente. Sou uma fã de Judy Garland, especialmente enquanto cantora, e confesso que estava um pouco reticente em relação a este filme visto que não foi apoiado pela família e é baseado numa peça que inicialmente não era sobre a actriz. Apesar de não ser realmente um filme arrebatador, é de louvar a interpretação da Renée Zellweger e a preocupação em mostrar o impacto negativo da pressão do estúdio no desenvolvimento da actriz.
Em primeiro lugar, tenho de referir que a história não foi novidade para mim. Eu já conhecia o que Judy Garland tinha sofrido às mãos dos estúdios de Hollywood e a sua luta com o alcoolismo, especialmente no final da sua vida. Como tal, acho que me senti menos impressionada com o enredo e o facto de alternar entre o passado e presente também não me convenceu. Acho que a vida dela foi muito rica e senti que este argumento não lhe fez justiça.
Quanto às interpretações, gostei bastante da interpretação da Renée Zellweger mas não acho que tenha sido uma imitação brilhante da Judy Garland. É de louvar a atenção aos gestos e tiques da actriz, principalmente nas actuações musicais, mas soou-me mais a caricatura em alguns momentos. Confesso que vi mais de Liza Minelli do que Judy Garland. No entanto, gostei de a ouvir a cantar (apesar de não estar ao nível vocal da Judy Garland) e gostei também da escolha da actriz que interpretou a Judy em jovem. De destacar também o guarda-roupa!
Apesar de tudo, gostei do filme e recomendo. Não acredito que seja um retrato totalmente fiel da actriz mas sim uma interpretação artística que se foca mais no seu declínio e que é bem sucedida ao transmitir a turbulência interior da Judy Garland mas não a magnitude do seu talento. 🌟🌟🌟
Se sentem curiosidade para saber mais sobre a Judy Garland ou querem recomendações de filmes da actriz recomendo que oiçam o episódio 3 do meu podcast "Cineclássicos & Café" que foi dedicado a ela.



realizado por  CLINT EASTWOOD   protagonizado por  PAUL WALTER HAUSER, SAM ROCKWELL, KATHY BATES

"Há uma bomba no Parque Centennial. Têm trinta minutos." Richard Jewell apresenta-se pela primeira vez ao mundo como o segurança que localiza a bomba e salva inúmeras vidas no atentado de 1996, durante os Jogos Olímpicos em Atlanta.
Em poucos dias, no entanto, Jewell torna-se o suspeito número um do FBI. Difamado pela imprensa e pelo público, a sua vida depressa se transforma num pesadelo. Quando contrata o advogado Watson Bryant, Jewell expressa convictamente a sua inocência. Contudo, Bryant vê-se em desvantagem para limpar e proteger o nome do seu cliente, enquanto tenta combater os poderes combinados do FBI, dos investigadores estaduais da Georgia e do departamento de polícia de Atlanta.


O Caso de Richard Jewell foi um filme que estreou em Janeiro e que inicialmente não me tinha chamado muito a atenção. Não conhecia o caso real e Clint Eastwood ultimamente não tem produzido grandes filmes. Talvez por ir com as expectativas em baixo, acabei por gostar bastante deste filme.
Para mim, aquilo que mais eleva este filme são as suas interpretações. O trio principal do Sam Rockwell, Kathy Bates e o novato Paul Walter Hauser estão fantásticos e conferem uma maior humanidade a esta história de injustiça. Para mim, a nomeação de Kathy Bates é justíssima e, provavelmente, não devia ter sido a única nomeada.
É um filme controverso (na minha opinião mais pela política do realizador do que pela história em si) mas que, para mim, consegiu mostrar bem os perigos dos estereótipos e o de culpar imediatamente alguém só porque encaixa num perfil. Vale a pena também pela sua crítica dura aos meios de comunicação sensacionalistas. De facto, é pela representação da jornalista, interpretada por Olivia Wilde, que muitos criticam o filme...na minha visão, realmente, pareceu-me uma caracterização demasiado redutora da jornalista mas que não deixa de ter o seu fundo de verdade. Apesar de tudo, acho que esta é a maior falha do filme uma vez que vilifica demasiado a personagem e acabou por soar menos credível.
Mesmo assim, gostei do tom realista e incisivo do filme e acho que, acima de tudo, é preciso termos sempre uma visão crítica das situações e não acusar sem investigar a fundo.
Concluindo, este é um filme baseado em factos reais sóbrio e comovente ao mesmo tempo, que vale a pena pela denúncia do fácil julgamento em praça pública, quando a presunção de inocência devia estar acima de tudo, e pelo retrato do impacto dos circos mediáticos na vida das pessoas comuns.
🌟🌟🌟🌟



realizado por  KASI LEMMONS   protagonizado por  CYNTHIA ERIVO, LESLIE ODOM JR., JOE ALWYN

A história de Harriet Tubman, activista política que, durante a Guerra Civil americana, ajudou centenas de escravos a fugirem do sul dos Estados Unidos, depois dela mesma ter escapado da escravidão em 1849. As suas acções contribuíram fortemente para que a história tomasse um novo rumo.


Harriet foi um filme que saiu o ano passado nos EUA e que nunca chegou a estrear em Portugal. Era um filme que eu tinha muita curiosidade em ver porque sabia que Harriet Tubman tinha sido uma importante figura no movimento abolicionista da escravatura nos EUA. Infelizmente, o filme desiludiu-me um pouco e sinto que a sua vida tão rica e interessante merecia um filme melhor.
O filme aborda muitos anos da vida da Harriet e é de louvar o facto de ter conseguido abordar tantos eventos da vida desta figura de uma forma concisa mas apelativa. Gostei de acompanhar a viagem física da personagem mas senti que não retrataram tão bem a sua jornada psicológica e emocional. No entanto, acho que o maior pecado deste filme é o de ser bastante genérico e demasiado linear.
Confesso que também não apreciei muito o tom místico do filme, isto é, o modo como eles decidiram retratar a forte fé cristã de Harriet.
É uma interpretação sólida de Cynthia Erivo apesar de não ter ficado uma das minhas preferidas dela.
Mesmo assim, é um filme biográfico sólido e inspirador que recomendo se quiserem conhecer melhor o percurso desta importante figura histórica.
🌟🌟🌟



E vocês?
Já viram algum destes filmes?