Hoje dou início a uma nova rubrica aqui no blogue. Todas as quartas espero trazer-vos 4 recomendações dentro de várias temáticas. Conto abranger tanto livros, como filmes e séries. Para começar, resolvi recomendar-vos 4 livros clássicos russos curtos. A maioria dos clássicos russos interessantes tendem a ser calhamaços, o que acaba por afastar algumas pessoas deste tipo de literatura. No entanto, existem alguns livros mais curtinhos que eu acho que são ideais para quem se quer estrear na literatura clássica russa.
A Morte de Ivan Iliitch, Lev Tolstoi (1886)
Editora: Relógio D' Água | Páginas: 120
Como o próprio nome indica este livro conta-nos a história da morte de Ivan Iliitch. Esta tem início com o velório de Iliitch, onde vamos ter acesso às reacções de várias personagens ligadas ao protagonista. Depois, a história foca-se em Iliitch, narrando como foi a sua vida, a sua doença e, no final, a sua morte.
Este foi um livro que eu li de uma assentada só há cerca de 5 anos atrás. Lembro-me que, desde o início, a escrita e os pensamentos presentes na novela me prenderam e não consegui pousar o livro. Não sou a maior fã de contos e novelas porque sinto sempre que as histórias e as mensagens nunca são bem desenvolvidas mas isso não se verifica em "A morte de Ivan Illitch" que é profundo e bem estruturado.
Apesar de viciante, esta não é uma leitura leve e fácil. Existiram diversas passagens nas quais me senti sufocada, angustiada e emociada. Sou sincera convosco, eu não lido muito bem com a temática da morte, e ler um livro em que acompanhamos o protagonista enquanto ele vai morrendo teve um grande impacto em mim. Mesmo assim, é um livro que acaba por ter uma mensagem positiva pois leva-nos a repensar na nossa vida e a dar mais valor às coisas importantes.
O Jogador, Dostoievski (1866)
Editora: Relógio D' Água | Páginas: 173
Este foi um livro que li neste mês de Janeiro e que vale a pena recomendar. O livro foi escrito em apenas um mês e é baseado nas próprias experiências do autor. Talvez por isso soe tão autêntico.
Nesta história, o tema principal é, como o próprio nome indica, o jogo. Esta decorre no séc. XIX, na cidade alemã de Roletenburgo, na qual acompanhamos o Alexéi Ivanivich, um jovem preceptor de 24 anos. Este faz parte do séquito de um general russo aí instalado que se encontra à espera de uma herança que parece nunca mais chegar. Enquanto espera, Alexéi desenvolve um vício pelo jogo a dinheiro no casino da cidade e tenta, ao mesmo tempo, lidar com a sua paixão louca por Polina.
Esta é uma fantástica e intensa exploração do poder destrutivo do jogo e do próprio poder de autodestruição e degradação do ser humano. Retrata a ruína e a decadência de quem se afunda no vício do jogo, sempre com muito humor e ironia. As personagens soam bastante reais e o autor consegue transmitir com mestria a montanha russa de emoções pelas quais elas passam: euforia, melancolia, angústia, frustação, loucura e ambição. As duas personagens mais marcantes são o Alexéi e a Avó que retratam na perfeição a compulsão do vício do jogo...o êxtase da vitória, a esperança sufocante de voltar a ganhar e o desespero da derrota.
É um livro bastante viciante, com um ritmo frenético, e a escrita do autor é bastante acessível. Um bom ponto de partida para quem quer conhecer o estilo do Dostoievski, mas ainda não se quer aventurar no Crime e Castigo.
O livro tem início com o jovem Arkádi que, após completar a sua formação na universidade, volta à propriedade da família e leva consigo um amigo, Bazarov. Bazarov é um niilista (termo popularizado através deste livro), isto é, não reconhece qualquer tipo de autoridade e não aceita nenhum princípio sem provas. Estas ideias vão colidir com os valores conservadores da família aristocrata de Arkádi e, pouco a pouco, os conflitos e antagonismo vão evoluindo.
Este livro foi publicado no início de 1860, numa altura em que a Rússia estava a passar por diversas mudanças, nomeadamente, o fim da servidão dos mujiques (camponeses russos). Este é um tema que está bastante presente no livro e gostei bastante de como o autor conseguiu retratar a Rússia da altura, com os seus desafios e contrastes. Foi um livro com o qual aprendi bastante.
Este representa também os conflitos que existem naturalmente entre pais e filhos, bem como, os conflitos e dificuldades de comunicação entre a nova geração liberal de 1840 e a geração da "velha ordem", da Rússia feudal. Existem capítulos bastante interessantes, com debates bastante provocadores e conflitos interiores que nos aproximam das personagens. Além disso, a escrita de Turguéniev é muito boa.
Este é um livro que recomendo para quem gosta de livros que nos fazem pensar e que conseguem retratar bem os conflitos de uma determinada época histórica.
Nesta história, o tema principal é, como o próprio nome indica, o jogo. Esta decorre no séc. XIX, na cidade alemã de Roletenburgo, na qual acompanhamos o Alexéi Ivanivich, um jovem preceptor de 24 anos. Este faz parte do séquito de um general russo aí instalado que se encontra à espera de uma herança que parece nunca mais chegar. Enquanto espera, Alexéi desenvolve um vício pelo jogo a dinheiro no casino da cidade e tenta, ao mesmo tempo, lidar com a sua paixão louca por Polina.
Esta é uma fantástica e intensa exploração do poder destrutivo do jogo e do próprio poder de autodestruição e degradação do ser humano. Retrata a ruína e a decadência de quem se afunda no vício do jogo, sempre com muito humor e ironia. As personagens soam bastante reais e o autor consegue transmitir com mestria a montanha russa de emoções pelas quais elas passam: euforia, melancolia, angústia, frustação, loucura e ambição. As duas personagens mais marcantes são o Alexéi e a Avó que retratam na perfeição a compulsão do vício do jogo...o êxtase da vitória, a esperança sufocante de voltar a ganhar e o desespero da derrota.
É um livro bastante viciante, com um ritmo frenético, e a escrita do autor é bastante acessível. Um bom ponto de partida para quem quer conhecer o estilo do Dostoievski, mas ainda não se quer aventurar no Crime e Castigo.
Pais e Filhos, Ivan Turguéniev (1862)
Editora: Relógio D' Água | Páginas: 256
Este livro foi publicado no início de 1860, numa altura em que a Rússia estava a passar por diversas mudanças, nomeadamente, o fim da servidão dos mujiques (camponeses russos). Este é um tema que está bastante presente no livro e gostei bastante de como o autor conseguiu retratar a Rússia da altura, com os seus desafios e contrastes. Foi um livro com o qual aprendi bastante.
Este representa também os conflitos que existem naturalmente entre pais e filhos, bem como, os conflitos e dificuldades de comunicação entre a nova geração liberal de 1840 e a geração da "velha ordem", da Rússia feudal. Existem capítulos bastante interessantes, com debates bastante provocadores e conflitos interiores que nos aproximam das personagens. Além disso, a escrita de Turguéniev é muito boa.
Este é um livro que recomendo para quem gosta de livros que nos fazem pensar e que conseguem retratar bem os conflitos de uma determinada época histórica.
Contos de São Petersburgo, Nikolai Gogol (1836-1841)
Editora: Assírio & Alvim | Páginas: 70 a 90
Para finalizar, não vos quero recomendar um livro mas sim uma série de contos que estão disponíveis individualmente ou na forma de colectânea. No O Capote acompanhamos um homem pobre que poupa, com grande sacrifício, para o seu próximo agasalho que vai ser fabricado pelo seu alfaiate. No entanto, esta compra vai ter consequências desastrosas. No O Retrato um jovem e talentoso pintor descobre num quadro sombrio e peculiar uma grande quantia de dinheiro que lhe transforma a vida. No O Nariz, provavelmente o mais famoso dos três, um homem acorda e descobre que o seu nariz fugiu. Envergonhado, procura o nariz que deambula sozinho pela cidade.
Todos eles são contos satíricos e bizarros, que misturam realidade com fantasia, e que estão repletos de humor, ironia e absurdo. Neles as personagens são confrontadas com situações invulgares ou irrisórias que alteram a sua vida de forma surreal e que elas tentam enfrentar com dignidade, evitando ceder à loucura. São contos viciantes e de fácil leitura que recomendo. O meu preferido é O Capote mas todos eles valem a pena. O Retrato é o mais convencional dos três.
Todos eles são contos satíricos e bizarros, que misturam realidade com fantasia, e que estão repletos de humor, ironia e absurdo. Neles as personagens são confrontadas com situações invulgares ou irrisórias que alteram a sua vida de forma surreal e que elas tentam enfrentar com dignidade, evitando ceder à loucura. São contos viciantes e de fácil leitura que recomendo. O meu preferido é O Capote mas todos eles valem a pena. O Retrato é o mais convencional dos três.
E vocês? Já leram algum destes livros?
Que clássicos russos curtos me recomendam?




