Na publicação de hoje venho partilhar com vocês as minhas impressões sobre as séries que vi nestes últimos meses de Outono. Algumas das que vi já falei delas neste post, e hoje venho falar de mais umas quantas. Muitas delas são estreias de 2019: segundas temporadas ou minisséries.
Então, as séries que vi nestes últimos meses e que não vou aprofundar muito foram: a 2ª temporada de Barry, a 2ª temporada do The Kominsky Method, a minissérie Sanditon e a minissérie Catherine the great.
Infelizmente, a série Catherine the great foi uma desilusão. É uma adaptação demasiado moderna, historicamente pouco fiel aos eventos reais e com interpretações um pouco exageradas. Nem da interpretação da Helen Mirren gostei muito. Em termos de guarda-roupa e cenários é fantástica mas, de resto, não me convenceu. Barry e The Kominsky Method continuam a ser excelentes séries comico-trágicas que eu recomendo muito! Podem encontrar as opiniões das primeiras temporadas aqui e aqui. Já publiquei também a minha opinião da série Sanditon, que podem encontrar aqui.
The act (2019) é uma minissérie de 8 episódios da HBO que dramatiza a história verídica de Gypsy Rose Blanchard, uma jovem que vivia com a sua mãe, Dee Dee, numa casa construída para elas pela Habitat for Humanity, após a sua ter sido destruída pelo furacão Katrina. Elas qualificaram-se para esta casa devido às muitas doenças de Gypsy, que a confinaram a uma cadeira de rodas. No entanto, as coisas não são bem o parecem e é isso que vamos descobrir à medida que acompanhamos esta dupla ao longo dos anos.
Confesso que pouco sabia sobre esta história antes de começar a ver a série e, portanto, gostei muito de ir conhecendo os vários pormenores à medida que esta avançava. É uma série viciante e intrigante, que, em vários momentos, me deixou verdadeiramente incrédula por ser baseada em factos reais. Está bem editada e realizada, e é um retrato emotivo e verosímil do Síndrome de Münchhausen por procuração.
As interpretações do duo principal são fantásticas e, em conjunto com o argumento bem escrito, conseguem trazer complexidade a esta relação tóxica. Patricia Arquette está quase irreconhecível no papel desta mãe super-protectora e obcessiva e Joey King foi, para mim, uma revelação.
Há episódios em que o ritmo é um pouco inconsistente mas, fora isso, é uma série impecável que consegue injectar algum drama numa história real, sem nunca perder autenticidade e deixar de ser fiel à verdadeira.
Recomendo muito e quero ver se no início do próximo ano vejo o documentário sobre a mesma história, Mommy dead and dearest, que também está disponível na HBO. 🌟🌟🌟🌟1/2
Então, as séries que vi nestes últimos meses e que não vou aprofundar muito foram: a 2ª temporada de Barry, a 2ª temporada do The Kominsky Method, a minissérie Sanditon e a minissérie Catherine the great.
Infelizmente, a série Catherine the great foi uma desilusão. É uma adaptação demasiado moderna, historicamente pouco fiel aos eventos reais e com interpretações um pouco exageradas. Nem da interpretação da Helen Mirren gostei muito. Em termos de guarda-roupa e cenários é fantástica mas, de resto, não me convenceu. Barry e The Kominsky Method continuam a ser excelentes séries comico-trágicas que eu recomendo muito! Podem encontrar as opiniões das primeiras temporadas aqui e aqui. Já publiquei também a minha opinião da série Sanditon, que podem encontrar aqui.
The act (2019) é uma minissérie de 8 episódios da HBO que dramatiza a história verídica de Gypsy Rose Blanchard, uma jovem que vivia com a sua mãe, Dee Dee, numa casa construída para elas pela Habitat for Humanity, após a sua ter sido destruída pelo furacão Katrina. Elas qualificaram-se para esta casa devido às muitas doenças de Gypsy, que a confinaram a uma cadeira de rodas. No entanto, as coisas não são bem o parecem e é isso que vamos descobrir à medida que acompanhamos esta dupla ao longo dos anos.
Confesso que pouco sabia sobre esta história antes de começar a ver a série e, portanto, gostei muito de ir conhecendo os vários pormenores à medida que esta avançava. É uma série viciante e intrigante, que, em vários momentos, me deixou verdadeiramente incrédula por ser baseada em factos reais. Está bem editada e realizada, e é um retrato emotivo e verosímil do Síndrome de Münchhausen por procuração.
As interpretações do duo principal são fantásticas e, em conjunto com o argumento bem escrito, conseguem trazer complexidade a esta relação tóxica. Patricia Arquette está quase irreconhecível no papel desta mãe super-protectora e obcessiva e Joey King foi, para mim, uma revelação.
Há episódios em que o ritmo é um pouco inconsistente mas, fora isso, é uma série impecável que consegue injectar algum drama numa história real, sem nunca perder autenticidade e deixar de ser fiel à verdadeira.
Recomendo muito e quero ver se no início do próximo ano vejo o documentário sobre a mesma história, Mommy dead and dearest, que também está disponível na HBO. 🌟🌟🌟🌟1/2
Chernobyl (2019) é uma minissérie de 5 episódios da HBO que dramatiza o acidente nuclear de 1986, incluindo a procura de soluções para o caos que é desencadeado e a investigação dos responsáveis pelo acidente.
Esta é uma série que, praticamente, dispensa apresentações. Toda gente falava dela há uns meses atrás e tenho a certeza que vai estar no top da lista de séries de quase toda a gente. Felizmente, esta é um exemplo de uma série em que todo o hype é merecido.
Para além do excelente retrato realístico do acidente e de todas as medidas que foram efectuadas em seguida para lidar com a situação, Chernobyl preocupa-se também em destacar o lado humano desta tragédia, bem como, as complicações políticas. É uma série que soa quase como um documentário, visto que é historicamente e cientificamente preciso, mas que entretém num misto de fascinação e terror. É de louvar também a capacidade de transmitir conceitos científicos complexos de uma forma que até um leigo consiga compreender.
Não posso deixar de mencionar também as interpretações do duo principal - Jared Harris e Stellan Skarsgård - que são excelentes, bem como todos os aspectos técnicos que são irrepreensíveis e que nos transportam facilmente para a União Soviética dos anos 80 (design de produção, fotografia, banda sonora).
Há alguns aspectos que denunciam que é o ponto de vista de uma produção americana, mas são raros.
Concluindo, esta é, sem dúvida, a série a não perder em 2019! Curiosamente, o acidente de Chernobyl ocorreu no ano em que nasci, poucos meses antes, logo é inevitável para mim não pensar no que teria acontecido se eu vivesse mais perto do local. Aterrador! 🌟🌟🌟🌟🌟
Esta é uma série que, praticamente, dispensa apresentações. Toda gente falava dela há uns meses atrás e tenho a certeza que vai estar no top da lista de séries de quase toda a gente. Felizmente, esta é um exemplo de uma série em que todo o hype é merecido.
Para além do excelente retrato realístico do acidente e de todas as medidas que foram efectuadas em seguida para lidar com a situação, Chernobyl preocupa-se também em destacar o lado humano desta tragédia, bem como, as complicações políticas. É uma série que soa quase como um documentário, visto que é historicamente e cientificamente preciso, mas que entretém num misto de fascinação e terror. É de louvar também a capacidade de transmitir conceitos científicos complexos de uma forma que até um leigo consiga compreender.
Não posso deixar de mencionar também as interpretações do duo principal - Jared Harris e Stellan Skarsgård - que são excelentes, bem como todos os aspectos técnicos que são irrepreensíveis e que nos transportam facilmente para a União Soviética dos anos 80 (design de produção, fotografia, banda sonora).
Há alguns aspectos que denunciam que é o ponto de vista de uma produção americana, mas são raros.
Concluindo, esta é, sem dúvida, a série a não perder em 2019! Curiosamente, o acidente de Chernobyl ocorreu no ano em que nasci, poucos meses antes, logo é inevitável para mim não pensar no que teria acontecido se eu vivesse mais perto do local. Aterrador! 🌟🌟🌟🌟🌟
O Cristal Encantado: a era da resistência (2019) é um regresso ao mundo de Thra que foi criado por Jim Henson no filme clássico de 1982 - O Cristal Encantado. A história segue três Gelfling que descobrem um segredo terrível por detrás do poder dos Skeksis e iniciam uma viagem épica para inspirarem e instigarem uma rebelião de modo a salvarem o seu mundo. É uma produção da Netflix com 10 episódios.
Esta é uma série de fantasia que eu estava mesmo a precisar! Só há uns anos atrás é que vi, pela primeira vez, o filme original e, apesar de não o ter adorado, foi um filme que me maravilhou pela sua imaginação e arte das marionetas. Acho que a série, ao contrário de muitos remakes ou continuações actuais, fez um excelente trabalho ao recriar o mesmo encantamento do filme original e ao criar novas personagens interessantes e uma mitologia ainda mais rica.
O mundo construído é deslumbrante e mágico mas não deixa de ser negro e traiçoeiro ao mesmo tempo. As marionetas, em conjunto com os efeitos especiais, funcionam muito bem e são uma bela homenagem ao legado de Jim Henson.
Gostei dos nossos 3 protagonistas que são muito mais complexos e activos que os originais, mas, para mim, as melhores personagens continuam a ser os falsos e extravagantes Skeksis. A personagem Chamberlain já tinha sido um destaque no filme original mas aqui acabou por se tornar na minha personagem favorita. Adorei a sua duplicidade e manha, e o Simon Pegg fez um excelente trabalho vocal.
Na minha opinião, a única falha da série é o facto de querer introduzir tantas personagens diferentes e histórias em paralelo que acaba por tornar a história um pouco repetitiva e soar arrastada nalgumas partes.
No entanto, se gostam de séries de fantasia com mundos mágicos, num estilo mais old school, não deixem de ver esta. Acho que é uma série que não se apoia apenas na nostalgia pelo original e traz algo mais para os novos espectadores. 🌟🌟🌟🌟1/2
Esta é uma série de fantasia que eu estava mesmo a precisar! Só há uns anos atrás é que vi, pela primeira vez, o filme original e, apesar de não o ter adorado, foi um filme que me maravilhou pela sua imaginação e arte das marionetas. Acho que a série, ao contrário de muitos remakes ou continuações actuais, fez um excelente trabalho ao recriar o mesmo encantamento do filme original e ao criar novas personagens interessantes e uma mitologia ainda mais rica.
O mundo construído é deslumbrante e mágico mas não deixa de ser negro e traiçoeiro ao mesmo tempo. As marionetas, em conjunto com os efeitos especiais, funcionam muito bem e são uma bela homenagem ao legado de Jim Henson.
Gostei dos nossos 3 protagonistas que são muito mais complexos e activos que os originais, mas, para mim, as melhores personagens continuam a ser os falsos e extravagantes Skeksis. A personagem Chamberlain já tinha sido um destaque no filme original mas aqui acabou por se tornar na minha personagem favorita. Adorei a sua duplicidade e manha, e o Simon Pegg fez um excelente trabalho vocal.
Na minha opinião, a única falha da série é o facto de querer introduzir tantas personagens diferentes e histórias em paralelo que acaba por tornar a história um pouco repetitiva e soar arrastada nalgumas partes.
No entanto, se gostam de séries de fantasia com mundos mágicos, num estilo mais old school, não deixem de ver esta. Acho que é uma série que não se apoia apenas na nostalgia pelo original e traz algo mais para os novos espectadores. 🌟🌟🌟🌟1/2
The Loudest Voice (2019) é uma minissérie da Showtime, que podem encontrar na HBO Portugal, e que é constituída por 7 episódios. É uma série sobre Roger Aisles, o polémico fundador da cadeia televisiva Fox News. Abrange quase duas décadas de história: desde a criação da Fox News, até esta se tornar na rede de notícias mais vista dos Estados Unidos da América e culminando no despedimento de Ailes por acusações de assédio sexual.
Acho que aquilo que mais gostei foi o modo como eles estruturaram a série. Cada episódio foca-se num único ano na carreira do Roger Ailes e da Fox News, e gira especialmente em torno de algum acontecimento marcante que tenha acontecido nesse ano nos EUA. Vemos assim, por exemplo, o ataque do 11 de Setembro, a eleição do Obama e a eleição do Trump. Todos estes acontecimentos têm um impacto importante na direcção do canal de notícias e na vida do protagonista, e nós vamos acompanhando como o mundo político e jornalístico estão interligados. Temos aqui um argumento inteligente, denso e com uma boa dose de humor negro. Ailes era um homem muito influente e a série capta bem os seus polémicos ideais e técnicas reprováveis, .
Russel Crowe é bastante convincente no papel deste homem manipulador, belicoso, arrogante e leal e acho que tanto ele como o argumento trouxeram uma maior complexidade à personagem, não o retratando apenas como um vilão mas também não escondendo todas as suas enormes falhas. A equipa de maquilhagem está também de parabéns pela sua transformação, apesar das próteses não funcionarem tão bem nas partes finais. Outra interpretação que merece um destaque é a de Naomi Watts, enquanto Gretchen Carlson, ex-apresentadora da Fox, que entrou com uma acção judicial e deu início ao declínio de Ailes.
Acredito que as pessoas que estejam mais interessadas nas acusações finais de assédio sexual que levaram ao seu despedimento da cadeia televisiva, na sequência do movimento #metoo, vão se sentir um pouco desapontadas porque esse é o foco principal apenas dos últimos 2 episódios. Penso que o filme Bombshell que vai sair para o ano, e que se vai focar mais nestes casos de assédio sexual, será um bom complemento. Pessoalmente, eu gostei que a série tivesse sido mais abrangente e informativa.
Para mim, as principais falhas da série são o tratamento dado a algumas personagens secundárias e alguns pontos menos convincentes que podiam ter sido melhor esclarecidos. Mesmo assim, recomendo-a para quem gosta de séries que se debruçam sobre os bastidores do poder político e sensacionalismo jornalístico. É uma série que também serve como um bom complemento ao recente filme Vice. 🌟🌟🌟🌟
Acho que aquilo que mais gostei foi o modo como eles estruturaram a série. Cada episódio foca-se num único ano na carreira do Roger Ailes e da Fox News, e gira especialmente em torno de algum acontecimento marcante que tenha acontecido nesse ano nos EUA. Vemos assim, por exemplo, o ataque do 11 de Setembro, a eleição do Obama e a eleição do Trump. Todos estes acontecimentos têm um impacto importante na direcção do canal de notícias e na vida do protagonista, e nós vamos acompanhando como o mundo político e jornalístico estão interligados. Temos aqui um argumento inteligente, denso e com uma boa dose de humor negro. Ailes era um homem muito influente e a série capta bem os seus polémicos ideais e técnicas reprováveis, .
Russel Crowe é bastante convincente no papel deste homem manipulador, belicoso, arrogante e leal e acho que tanto ele como o argumento trouxeram uma maior complexidade à personagem, não o retratando apenas como um vilão mas também não escondendo todas as suas enormes falhas. A equipa de maquilhagem está também de parabéns pela sua transformação, apesar das próteses não funcionarem tão bem nas partes finais. Outra interpretação que merece um destaque é a de Naomi Watts, enquanto Gretchen Carlson, ex-apresentadora da Fox, que entrou com uma acção judicial e deu início ao declínio de Ailes.
Acredito que as pessoas que estejam mais interessadas nas acusações finais de assédio sexual que levaram ao seu despedimento da cadeia televisiva, na sequência do movimento #metoo, vão se sentir um pouco desapontadas porque esse é o foco principal apenas dos últimos 2 episódios. Penso que o filme Bombshell que vai sair para o ano, e que se vai focar mais nestes casos de assédio sexual, será um bom complemento. Pessoalmente, eu gostei que a série tivesse sido mais abrangente e informativa.
Para mim, as principais falhas da série são o tratamento dado a algumas personagens secundárias e alguns pontos menos convincentes que podiam ter sido melhor esclarecidos. Mesmo assim, recomendo-a para quem gosta de séries que se debruçam sobre os bastidores do poder político e sensacionalismo jornalístico. É uma série que também serve como um bom complemento ao recente filme Vice. 🌟🌟🌟🌟
Succession (2018-) é uma série da HBO que conta já com duas temporadas, cada uma com 10 episódios. Segue uma família disfuncional americana que é dona de um grupo de média conservador e é comandada pelo patriarca Logan Roy.
Esta é certamente uma série que não é para todos e foi uma que primeiro estranhei e depois entranhei. Na verdade, os dois primeiros episódios são os menos impressionantes de todos e levaram a questionar-me se valia a pena continuar. Felizmente, ainda bem que insisti e continuei a ver porque realmente esta foi uma série viciante que adorei.
Em primeiro lugar, tenho de referir que todas as personagens da série são pessoas horríveis e oportunistas, que só pensam nelas mesmas e que cometem erros a toda a hora. Mesmo assim, não consegui deixar de me apegar a todas elas e a torcer por muitas ao longo do caminho. A dupla Greg/Tom é a minha favorita dos últimos tempos e diverti-me imenso com as suas interacções ridículas ao longo das temporadas.
É uma série negra com um fantástico argumento, muito ácido e inteligente. Está repleta de conspirações tensas e decisões duvidosas e, como tal, surgem vários momentos totalmente inesperados e extremamente memoráveis. É, de certo modo, uma mistura perfeita de comédia e drama, que só funciona também graças às interpretações fenomenais do elenco principal. Brian Cox está fenomenal no papel do implacável patriarca da família mas quem me tem surpreendido muito é Jeremy Strong, numa interpretação repleta de nuances.
O que não deixa de ser interessante ver é que os parasitas Roy são uma família dos nossos tempos e é inevitável não reconhecermos nela traços da família Murdoch, Redstone, Disney e até Trump. Uma odisseia do mundo moderno assustadora mas muito real.
Recomendo-a imenso para quem gosta de séries repletas de traições, intrigas familiares e jogos de poder. Quase que me esquecia de falar da banda sonora que é fantástica (oiçam tema principal aqui). 🌟🌟🌟🌟🌟
E vocês?







