Netflix | The Irishman & Marriage Story

quinta-feira, 12 de dezembro de 2019

Hoje venho então partilhar convosco a minha opinião de dois filmes que estrearam recentemente na Netflix e que prometem ser fortes concorrentes na corrida aos prémios de cinema. São filmes muito diferentes mas são dois filmes que prometem estar entre os meus preferidos do ano. The Irishman estreou no final de Novembro e Marriage Story no início de Dezembro.

realizado por  MARTIN SCORSESE    protagonizado por  ROBERT DE NIRO, AL PACINO, JOE PESCI

O Irlandês era um dos meus filmes mais esperados do final do ano e, felizmente, não desiludiu. É uma história que abrange várias décadas e que é contada, em retrospectiva, através da personagem de Frank Sheeran (Robert De Niro), um combatente da Segunda Guerra Mundial que é convertido em assassino a soldo da Máfia. Relata um dos maiores mistérios por resolver nos Estados Unidos: o desaparecimento do dirigente sindicalista Jimmy Hoffa (Al Pacino).


Eu adoro sagas familiares e a ideia de acompanhar uma personagem ao longo de décadas, e esse foi um dos aspectos que mais gostei neste filme. É uma viagem através do crime organizado do ponto de vista de um intermediário entre a Máfia e o mundo político. 
Gostei de ser um filme que se desenrola com calma, com um tom mais melancólico e sóbrio, com poucas cenas de acção típicas dos filmes de gangsters. É um filme que se apoia mais num estilo intimista e que está mais interessado nos pensamentos e relações dos vários intervenientes do que nas suas acções. Mesmo assim, não deixa de ser um filme tenso e realista.
Tenho de louvar também o guarda-roupa e maquilhagem que enquadraram sempre na perfeição o período histórico da acção e que permitiram que o filme saltasse facilmente entre períodos sem nunca me deixar confusa.
É um filme extremamente bem editado e realizado mas aquilo que também o eleva acima de outros são as suas interpretações. Robert de Niro brilha intensamente na tela, como já não o víamos há muito tempo. Temos também uma interpretação de Al Pacino bem exuberante, muito ao seu estilo, mas que senti que combinava bem com a personagem. Quem gostei mais de ver foi Joe Pesci que interpreta uma personagem mais subtil e calma mas que transmitiu sempre bem os sentimentos e pensamentos através das suas expressões. Muito diferente dos típicos papéis do actor e fiquei agradavelmente surpreendida. Quanto a Anna Paquin, muito se fala dela por causa das poucas falas da sua personagem. Pessoalmente, acho que fez todo o sentido no âmbito da trama.
Este é um filme que recorre a um processo digital de rejuvenescimento dos protagonistas, de modo a que sejam sempre os mesmos actores a interpretar as personagens. É uma técnica que aqui está longe de ser perfeita mas tenho de reconhecer que, salvo algumas excepções mais bizarras, achei que esta funcionou e não me senti muito desconfortável ao ver esses efeitos em acção.
Concluindo, este filme estará com certeza no meu top de filmes do ano. Não é certamente o melhor filme do Scorsese mas, pessoalmente, foi um dos que me entreteve mais. Curiosamente, estava preparada para ver este filme em duas partes visto que ele é tão longo (3 horas e meia!) mas vi-o de uma só assentada e nunca me senti entediada. 🌟🌟🌟🌟🌟



realizado por  NOAH BAUMBACH    protagonizado por  ADAM DRIVER, SCARLETT JOHANSSON

História de um casamento conta a história de Charlie, um encenador, e a sua esposa Nicole, uma actriz, que lutam através de um doloroso processo de divórcio que os leva ao limite. É um olhar profundo e humano sobre o fim de um casamento e a luta pela manutenção de uma família.


Geralmente, gosto muito de filmes que se foquem em dinâmicas familiares e no retrato do quotidiano, e este não foi excepção. É uma história relativamente simples, que se debruça sobre o dificíl processo de um divórcio do ponto de vista de ambas as partes e faz-o com tanta sensibilidade, compaixão e honestidade que me conquistou facilmente.
É um filme que apresenta um argumento com uma intensa carga emotiva e diálogos extremamente bem escritos. Não se coíbe de mostrar as personagens nos seus momentos mais negros e vulneráveis e todo o sofrimento que é causado por este processo sujo e triste que, em certos momentos, chega até a ser desconfortável de se assistir. Retrata também as dificuldades em conciliar carreiras e uma relação amorosa estável quando ambos os elementos querem ser pessoas individuais e não apenas um suporte para o companheiro.
Confesso que gostava de me ter relacionado um pouco mais com a personagem da Nicole que, apesar de compreender e apoiar totalmente na sua decisão de pedir o divórcio, acabei por nunca simpatizar tanto com a sua atitude durante o mesmo. Como tal, acabei sempre por empatizar mais com o Charlie e não acho que esse era bem o objectivo do filme. Penso que este queria mostrar que, muitas vezes, não há um bom e um mau na situação mas sim dois humanos que cometem erros e nem sempre estão certos mas que, mesmo assim, não deixam de ser boas pessoas e se apreciar mutuamente. Acima de tudo, o filme mostra que o mais importante numa relação amorosa é a comunicação sincera entre ambos os elementos.
No entanto, claro que este filme brilha, sobretudo, devido às poderosas e sentidas interpretações do duo principal. Scarlett Johanson está fantástica mas foi Adam Driver que me emocionou o tempo todo e me partiu o coração em vários momentos. Toda a gente fala da cena da discussão e esta é, sem dúvida, uma das cenas mais memoráveis e deprimentes do ano. Há que destacar também Laura Dern e Ray Liotta enquanto os advogados implacáveis que são, muitas vezes, quem externaliza a crueldade e a mesquinhez a que um divórcio pode chegar.
Para mim, o único ponto mais fraco do filme é o miúdo deles que chega a ser um pouco enervante nalguns momentos do filme.
Concluindo, este é um filme com muita qualidade...um filme sentimental, subtil e algo depressivo que eu recomendo muitíssimo! 🌟🌟🌟🌟🌟



E vocês? Já viram estes filmes?