Hoje trago a opinião de três filmes que eu acredito que vão estar na mira dos Óscares no início do próximo ano e que já estrearam cá em Portugal. Foram três filmes que gostei de ver, se bem que alguns mais do que outros. Ad Astra estreou em Setembro, Joker em Outubro e Knives Out em Novembro.
realizado por JAMES GRAY protagonizado por BRAD PITT, TOMMY LEE JONES, RUTH NEGGA
Roy McBride (Brad Pitt) embarca numa missão através da galáxia para descobrir a verdade sobre o desaparecimento do pai, ocorrido duas décadas antes, enquanto procurava sinais de vida alienígena. Após ter sido dado como morto, novas provas sugerem que o pai de Roy ainda pode estar vivo, refugiado numa central de produção de energia abandonada, num planeta distante - e que poderá representar um perigo para todo o universo.
Ad Astra é um filme de ficção científica que eu tive oportunidade de assistir em antestreia no cinema. É um filme realizado por James Gray, o mesmo do filme A cidade perdida de Z, um filme de 2016 que me surpreendeu, na altura, pela sua atmosfera e visual. Ad Astra é, de certo modo, um filme muito semelhante.
Em primeiro lugar, este filme destaca-se pela sua qualidade técnica e retrato futurista convincente. Visualmente, é um filme que impressiona pela sua fotografia magnífica, que é aliada a uma banda sonora minimalista mas marcante. Existem poucas cenas de acção mas as que existem são tensas e bem realizadas.
A sua maior falha é, tal como no filme que referi de 2016, o seu ritmo algo lento. Não que tenha achado o filme muito aborrecido mas é, sem dúvida, um filme mais contemplativo e melancólico. É um filme que se foca no lado humano da exploração espacial e na jornada intimista, solitária e emocional do nosso protagonista, numa história repleta de silêncios e monólogos interiores em voz off. Gostei das várias reflexões apesar de ter sentido que, muitas vezes, soaram vagas e vazias demais.
Brad Pitt foi bastante convincente num papel que é difícil de desempenhar...esta é uma personagem reservada, controlada e pouco emotiva e, como tal, o actor teve que expressar as suas emoções mais através de olhares e gestos, e não de palavras, que aqui são sempre muito contidas. Achei que esteve à altura do desafio apesar de não me ter arrebatado.
Este é um filme existencialista e reflexivo, que certamente não irá agradar a todos, mas que vale a pena sobretudo pela imagem. Para mim, foi acima de tudo uma experiência marcante no cinema. 🌟🌟🌟1/2
Em primeiro lugar, este filme destaca-se pela sua qualidade técnica e retrato futurista convincente. Visualmente, é um filme que impressiona pela sua fotografia magnífica, que é aliada a uma banda sonora minimalista mas marcante. Existem poucas cenas de acção mas as que existem são tensas e bem realizadas.
A sua maior falha é, tal como no filme que referi de 2016, o seu ritmo algo lento. Não que tenha achado o filme muito aborrecido mas é, sem dúvida, um filme mais contemplativo e melancólico. É um filme que se foca no lado humano da exploração espacial e na jornada intimista, solitária e emocional do nosso protagonista, numa história repleta de silêncios e monólogos interiores em voz off. Gostei das várias reflexões apesar de ter sentido que, muitas vezes, soaram vagas e vazias demais.
Brad Pitt foi bastante convincente num papel que é difícil de desempenhar...esta é uma personagem reservada, controlada e pouco emotiva e, como tal, o actor teve que expressar as suas emoções mais através de olhares e gestos, e não de palavras, que aqui são sempre muito contidas. Achei que esteve à altura do desafio apesar de não me ter arrebatado.
Este é um filme existencialista e reflexivo, que certamente não irá agradar a todos, mas que vale a pena sobretudo pela imagem. Para mim, foi acima de tudo uma experiência marcante no cinema. 🌟🌟🌟1/2
realizado por TODD PHILLIPS protagonizado por JOAQUIN PHOENIX, ROBERT DE NIRO, ZAZIE BEETZ
Sozinho na multidão da Gotham City dos anos 80, Arthur Fleck (Joaquin Phoenix) procura ligar-se a alguém. Porém, enquanto caminha através das ruas poluídas e pelas carruagens de metro grafitadas de uma cidade hostil, dividida e insatisfeita, Arthur usa duas máscaras. Uma, pinta-a no dia a dia, quando tenta fazer os outros rir. A outra, nunca a pode remover; é o disfarce da fútil tentativa de sentir que pertence ao mundo à sua volta, e não o homem incompreendido, constantemente derrotado pela vida. No entanto, após ser intimidado por adolescentes nas ruas, insultado por engravatados no metro, ou simplesmente provocado pelos colegas no trabalho, Arthur começa a sentir-se ainda mais desajustado em relação aos que o rodeiam.
Joker é o maior êxito de bilheteiras deste ano e também eu não resisti a vê-lo. Confesso que não sou uma grande fã desta onda de filmes de super-heróis que tem dominado os cinemas. Ocasionalmente vejo alguns e admito a sua mais valia enquanto entretenimento mas nunca são filmes que me entusiasmem muito. Como sabia que este não ia seguir o mesmo formato, estava mais curiosa para vê-lo.
Primeiramente, tenho de referir que este não é um filme fácil de se ver. É um filme negro e duro que perturba, não tanto pela sua violência mas sim pela crueldade da sociedade que retrata. Para mim, foi inevitável não rever no Arthur familiares que tenho que sofrem de doenças mentais, nomeadamente esquizofrenia, e sofrer com o retrato das dificuldades que ele (e eles) enfrentam no seu dia-a-dia. E realmente, existiram vários momentos que mexeram comigo e que me deixaram emotiva.
Como tal, eu sinceramente percebo, porque certas pessoas dizem que se sentiram demasiado desconfortáveis ao ver o filme mas, no fundo, eu acho que é esse o objectivo. Alertar, de certo modo, para os perigos da falta de empatia entre seres humanos e espelhar a realidade caótica do nosso mundo.
É claro que as acções cometidas pelo Arthur não podem ser desculpadas e desculpabilizadas mas também acho que é irresponsável ignorar a forma como a sociedade cuida e trata dos seus pacientes com doenças mentais. Se o filme empatiza demasiado com ele? Talvez o glorifique um pouco demais no seu final...mas esta não é, de certeza, a primeira vez que um filme humaniza um vilão e não será a última.
Falando de outros aspectos do filme, este é um filme com uma estética muito vincada, repleta de cores vivas e atenção aos detalhes. De destacar também a banda sonora, guarda-roupa e a maquilhagem. No entanto, quem brilha mais no filme é Joaquin Phoenix que tem uma interpretação soberba. Consegue transmitir a dor, angústia, solidão e loucura da personagem de uma forma autêntica e sincera.
Para mim, os pontos negativos do filme foram algumas falhas em termos de roteiro que eu achei que não fizeram muito sentido e que acabaram por enfraquecer o percurso da personagem (não vou especificar porque seria spoiler). Senti também que o filme prolongou desnecessariamente o final e que, no fundo, a história não precisava de ser acerca do Joker visto que as referências e passagens ligadas aos Wayne foram as que menos gostei.
São também claramente visíveis as influências de filmes, tais como, Taxi Driver e O rei da comédia de Scorsese e acho que, em certos momentos, estas referências podiam ter sido um pouco mais subtis.
Concluindo, este é um filme que estará no meu top no final do ano e foi uma reinterpretação da personagem que me agradou. Não é um filme perfeito mas vale a pena sobretudo pela interpretação do Joaquin Phoenix, visual do filme e ambiguidade no retrato desta personagem complexa. 🌟🌟🌟🌟1/2
Primeiramente, tenho de referir que este não é um filme fácil de se ver. É um filme negro e duro que perturba, não tanto pela sua violência mas sim pela crueldade da sociedade que retrata. Para mim, foi inevitável não rever no Arthur familiares que tenho que sofrem de doenças mentais, nomeadamente esquizofrenia, e sofrer com o retrato das dificuldades que ele (e eles) enfrentam no seu dia-a-dia. E realmente, existiram vários momentos que mexeram comigo e que me deixaram emotiva.
Como tal, eu sinceramente percebo, porque certas pessoas dizem que se sentiram demasiado desconfortáveis ao ver o filme mas, no fundo, eu acho que é esse o objectivo. Alertar, de certo modo, para os perigos da falta de empatia entre seres humanos e espelhar a realidade caótica do nosso mundo.
É claro que as acções cometidas pelo Arthur não podem ser desculpadas e desculpabilizadas mas também acho que é irresponsável ignorar a forma como a sociedade cuida e trata dos seus pacientes com doenças mentais. Se o filme empatiza demasiado com ele? Talvez o glorifique um pouco demais no seu final...mas esta não é, de certeza, a primeira vez que um filme humaniza um vilão e não será a última.
Falando de outros aspectos do filme, este é um filme com uma estética muito vincada, repleta de cores vivas e atenção aos detalhes. De destacar também a banda sonora, guarda-roupa e a maquilhagem. No entanto, quem brilha mais no filme é Joaquin Phoenix que tem uma interpretação soberba. Consegue transmitir a dor, angústia, solidão e loucura da personagem de uma forma autêntica e sincera.
Para mim, os pontos negativos do filme foram algumas falhas em termos de roteiro que eu achei que não fizeram muito sentido e que acabaram por enfraquecer o percurso da personagem (não vou especificar porque seria spoiler). Senti também que o filme prolongou desnecessariamente o final e que, no fundo, a história não precisava de ser acerca do Joker visto que as referências e passagens ligadas aos Wayne foram as que menos gostei.
São também claramente visíveis as influências de filmes, tais como, Taxi Driver e O rei da comédia de Scorsese e acho que, em certos momentos, estas referências podiam ter sido um pouco mais subtis.
Concluindo, este é um filme que estará no meu top no final do ano e foi uma reinterpretação da personagem que me agradou. Não é um filme perfeito mas vale a pena sobretudo pela interpretação do Joaquin Phoenix, visual do filme e ambiguidade no retrato desta personagem complexa. 🌟🌟🌟🌟1/2
realizado por RIAN JOHNSON protagonizado por DANIEL CRAIG, CHRISTOPHER PLUMMER, CHRIS EVANS, ANA DE ARMAS
O detetive Benoit Blanc (Daniel Craig) investiga o assassinato de Harlan Thrombey (Christopher Plummer), um famoso escritor de romances policiais e patriarca de uma excêntrica e bastante combativa família, encontrado morto na sua propriedade logo após cumprir o 85º aniversário.
Quem me conhece sabe que eu sou uma enorme fã de Agatha Christie e que adoro mistérios whodunnit. Era isso que estava à espera de Knives out: todos são suspeitos mas não foi bem isso que obtive, o que me desiludiu.
Quem me conhece sabe que eu sou uma enorme fã de Agatha Christie e que adoro mistérios whodunnit. Era isso que estava à espera de Knives out: todos são suspeitos mas não foi bem isso que obtive, o que me desiludiu.
Este é um filme que gira realmente em torno da morte do patriarca de uma família e da subsequente investigação dos vários elementos desta pelos inspectores da polícia e detective. No entanto, o nosso protagonista não é o detective e, quase no início, ocorre uma reviravolta que não achei particularmente original ou apelativa. Não vou entrar em pormenores, visto que não quero dar spoilers mas posso dizer que é algo que tira praticamente todo o mistério ao filme. Realmente, o objectivo de Rian Johnson era subverter as expectativas e introduzir um forte comentário social e político que, pessoalmente, não me cativou minimamente.
Eu sei que estou na minoria e que a maior parte das pessoas adorou este filme mas sinceramente eu não o achei assim tão inteligente e inovador visto que a partir de meio da história adivinhei facilmente qual seria o seu rumo e resolução.
Mesmo assim, foi um filme que me entreteve graças sobretudo à sua comédia e às boas interpretações, especialmente da Ana de Armas. Adorei o início, a forma como as várias personagens foram introduzidas e o sotaque ridículo do Daniel Craig. Leva mais meia estrela pelo design de produção e guarda-roupa que deram mais brilho a este filme.
Concluindo, este é um filme divertido que recomendo que vejam não pelo mistério mas sim pelo humor. Funciona mais como uma sátira nada subtil do que como um filme whodunnit. 🌟🌟🌟1/2
Eu sei que estou na minoria e que a maior parte das pessoas adorou este filme mas sinceramente eu não o achei assim tão inteligente e inovador visto que a partir de meio da história adivinhei facilmente qual seria o seu rumo e resolução.
Mesmo assim, foi um filme que me entreteve graças sobretudo à sua comédia e às boas interpretações, especialmente da Ana de Armas. Adorei o início, a forma como as várias personagens foram introduzidas e o sotaque ridículo do Daniel Craig. Leva mais meia estrela pelo design de produção e guarda-roupa que deram mais brilho a este filme.
Concluindo, este é um filme divertido que recomendo que vejam não pelo mistério mas sim pelo humor. Funciona mais como uma sátira nada subtil do que como um filme whodunnit. 🌟🌟🌟1/2
E vocês?







