Tenho de admitir que uma das minhas maiores falhas enquanto leitora, é o pouco que eu leio de autores portugueses. Há muitos clássicos que me despertam a curiosidade mas confesso que são poucos os autores portugueses contemporâneos que me chamam a atenção. Existem algumas excepções, nomeadamente entre os escritores de romances históricos, e a Célia Correia Loureiro é uma delas. A filha do barão foi a minha estreia com a autora e esta, felizmente, foi auspiciosa.
Este é um romance histórico que foi publicado, pela primeira vez, em 2014. Conta-nos a história de Mariana, filha do barão D. João de Albuquerque, que é prometida pelo pai moribundo a Daniel Turner, um inglês que investiga o potencial comercial do vinho do Porto. Este casamento de conveniência vai trazer muitos desafios a ambos: Mariana é uma rapariga de 14 anos que se vê obrigada a ir morar para o Douro, longe do seu pai, e Daniel vive atormentado pela sua responsabilidade para com a amante. Como se não bastasse eles terem de aprender a lidar um com o outro, com um novo local e uma nova situação, a ameaça de uma invasão francesa a Portugal começa a tornar-se cada vez mais real.
O livro está dividido em 3 partes, cada uma delas abrangendo cerca de dois anos da vida dos nossos protagonistas, desde 1805 até 1808. Para além do par romântico, acompanhamos também outros elementos da sua família, nomeadamente a mãe de Mariana, a irmã do Daniel e até alguns criados da família Albuquerque.
Vou começar por aquilo que mais gostei nesse livro, que foi a escrita da autora. A linguagem usada ao longo do livro é cuidada e fiel à época mas é também muito acessível o que permitiu uma leitura fluida e prazeirosa.
A autora conseguiu transportar-me facilmente através do tempo, contextualizando a época de forma excelente e integrando, de forma natural, as várias referências históricas. Salvo raras excepções, as informações históricas que foram sendo transmitidas ou retratadas nunca soaram forçadas ou irrelevantes. Este Verão foi a primeira vez que visitei o Porto e, como tal, foi muito engraçado regressar às ruas da cidade através desta leitura e conseguir reconhecer alguns dos monumentos que vão sendo mencionados ao longo da história. Em Agosto, passeei também pelas margens vinícolas do Douro e, como tal, senti que o livro captou bem a atmosfera do local.
Confesso que esperava um enredo que girasse mais em torno das invasões francesas e, como tal, fiquei um pouco desiludida por apenas cerca do último terço da história decorrer durante as invasões a Portugal. Não me interpretem mal, a autora tece um bom retrato do clima vivido pela sociedade da altura nos anos que antecedem a invasão - a expectativa, o medo e o conflito de ideais - mas, mesmo assim, gostava que uma maior parte do livro tivesse estado intrinsicamente ligado às invasões. De qualquer modo, tenho de reconhecer o mérito da autora por ter escrito sobre acontecimentos históricos que raramente vejo abordados noutras obras.
Quanto ao maior ponto negativo, tenho de referir que, infelizmente, não consegui estabelecer um grande vínculo emocional com os nossos dois protagonistas. Ambos são, sem dúvida, personagens lutadoras e determinadas mas soaram-me sempre bastante arrogantes e hipócritas o que fez com que eu me ligasse emocionalmente mais a algumas personagens secundárias, tais como, a fiel criada Nuna, a amante Isabel e a mãe da Mariana. Gostei de acompanhar as suas adversidades e romance, mas nunca torci apaixonadamente por eles.
Quanto à estrutura do livro, senti que a última parte podia ter sido melhor explorada. Senti que os acontecimentos foram um pouco apressados e que uma personagem importante que é introduzida nessa altura quase que cai um pouco do nada. Mesmo assim, tenho de realçar que adorei o final; este foi muito intenso e historicamente bem ilustrado.
A autora conseguiu transportar-me facilmente através do tempo, contextualizando a época de forma excelente e integrando, de forma natural, as várias referências históricas. Salvo raras excepções, as informações históricas que foram sendo transmitidas ou retratadas nunca soaram forçadas ou irrelevantes. Este Verão foi a primeira vez que visitei o Porto e, como tal, foi muito engraçado regressar às ruas da cidade através desta leitura e conseguir reconhecer alguns dos monumentos que vão sendo mencionados ao longo da história. Em Agosto, passeei também pelas margens vinícolas do Douro e, como tal, senti que o livro captou bem a atmosfera do local.
Confesso que esperava um enredo que girasse mais em torno das invasões francesas e, como tal, fiquei um pouco desiludida por apenas cerca do último terço da história decorrer durante as invasões a Portugal. Não me interpretem mal, a autora tece um bom retrato do clima vivido pela sociedade da altura nos anos que antecedem a invasão - a expectativa, o medo e o conflito de ideais - mas, mesmo assim, gostava que uma maior parte do livro tivesse estado intrinsicamente ligado às invasões. De qualquer modo, tenho de reconhecer o mérito da autora por ter escrito sobre acontecimentos históricos que raramente vejo abordados noutras obras.
Quanto ao maior ponto negativo, tenho de referir que, infelizmente, não consegui estabelecer um grande vínculo emocional com os nossos dois protagonistas. Ambos são, sem dúvida, personagens lutadoras e determinadas mas soaram-me sempre bastante arrogantes e hipócritas o que fez com que eu me ligasse emocionalmente mais a algumas personagens secundárias, tais como, a fiel criada Nuna, a amante Isabel e a mãe da Mariana. Gostei de acompanhar as suas adversidades e romance, mas nunca torci apaixonadamente por eles.
Quanto à estrutura do livro, senti que a última parte podia ter sido melhor explorada. Senti que os acontecimentos foram um pouco apressados e que uma personagem importante que é introduzida nessa altura quase que cai um pouco do nada. Mesmo assim, tenho de realçar que adorei o final; este foi muito intenso e historicamente bem ilustrado.
A filha do barão revelou-se um romance histório português muito bem escrito e historicamente rico. Recomendo-o sobretudo para os fãs dos romances de época, especialmente aqueles que sentem falta de histórias passadas no nosso Portugal. Sem dúvida, que pretendo ler mais obras da autora. 🌟🌟🌟🌟
E vocês? Já leram este livro



