Sugestões de filmes com crianças como protagonistas

sábado, 30 de novembro de 2019

De volta com mais uma lista de sugestões para a maratona #mcinexmas. Hoje venho recomendar-vos 15 filmes que têm crianças como protagonistas.

O livro da selva (2016): Mogli, um rapaz criado na selva por uma família de lobos descobre que já não é bem-vindo na selva quando Shere Khan, um assustador tigre que carrega cicatrizes feitas pelo Homem, promete eliminar tudo o que lhe pareça uma ameaça. Convidado a abandonar a única casa que conheceu, Mogli embarca numa viagem de auto-descoberta, guiado por Bagheera, a pantera que se torna no seu mentor, e pelo urso Balu. Esta é a mais recente adaptação live action da famosa história de Mogli, que é bem mais fiel ao livro original do que o filme de animação da Disney. Tem bons efeitos visuais, um bom elenco de vozes e as famosas canções que todos adoramos. [imdb]
Hunt for the wilderpeople (2016): Ricky, um órfão criado na cidade e amante de hip-hop, começa uma nova vida com uma família adoptiva na zona rural da Nova Zelândia. Mas uma tragédia ameaça separá-lo de sua nova família e Ricky e seu tio Hec (Sam Neil) decidem forjar uma fuga, escondendo-se na floresta. A ação desencadeia uma caçada nacional, já que os serviços sociais acham que o rapaz, na verdade, foi raptado. Este filme é uma aventura hilariante e peculiar. É um filme encantador, para toda a família, que conquista pela sua energia meio frenética e pelos seus momentos mais emotivos e genuínos. [imdb]
A lenda do dragão (2016): Durante anos, o Sr. Meacham (Robert Redford), encantou as crianças com as suas histórias sobre o dragão feroz que vive na floresta. Para a sua filha, Grace (Bryce Dallas Howard), que trabalha como guarda-florestal, estas não passam de contos de fadas... até conhecer Pete (Oakes Fegley). Pete é um misterioso rapaz de 10 anos, sem família e sem casa, que afirma viver na floresta com um dragão verde gigante, chamado Elliott, que é muito parecido com o dragão das histórias do Sr. Meacham. Este é um filme que nos mostra que a nossa família não tem necessariamente que seguir os moldes mais tradicionais. Esta pode ser encontrada em qualquer lado e em qualquer pessoa, basta que os sentimentos que a unem sejam fortes e verdadeiros. [imdb]

A princesinha (1995): 1914, Simla, Índia. Sara Crewe (Lisel Matthews) é uma rapariga inglesa que vive feliz, apesar de ser órfã de mãe. Quando o seu pai (Liam Cunningham) parte para lutar na 1ª Guerra Mundial, este deixa Sara num luxuoso colégio interno para raparigas, que é administrado com mão de ferro pela Srta. Minchin (Eleanor Bron). Quando, um dia, o Sr. Barrow (Vincent Schiavelli), o advogado do Capitão Crewe, chega ao colégio para anunciar a paragem dos pagamentos, pois o pai de Sara morreu em combate,  Minchin passa a obrigar a rapariga a trabalhar como uma criada, para pagar sua estadia ali. Este filme é uma adaptação do livro com o mesmo nome de Frances Hodgson Burnett e é realizada pelo talentoso Alfonso Cuarón. É uma história ternurenta e emotiva, com alguns momentos mais negros mas mesmo assim repleta de esperança. Vale também pela fotografia e cenários. [imdb]
O Segredo de Terabítia (2007): Jess (Josh Hutcherson) é um miúdo inadaptado, tanto na escola como no seio da sua própria família. Treinou o Verão inteiro para ser o mais rápido da escola, mas vê o seu sonho destruído pela nova colega, Leslie (AnnaSophia Robb), que entrou numa corrida supostamente "só para rapazes" e ganhou. Apesar do irritante primeiro contacto, os dois jovens rapidamente se apercebem do muito que têm em comum e tornam-se os melhores amigos. Leslie adora contar histórias de magia e abre um novo mundo de imaginação a Jess, e juntos criarão o reino secreto de Terabitia, um lugar mágico em que só os dois podem entrar. Esta é uma história encantadora e emotiva, um filme de fantasia e aventura sobre a amizade e o poder da imaginação. [imdb]
It (2017): Numa pequena cidade no Maine, sete crianças conhecidas como "O Clube dos Falhados" enfrenta os problemas, os valentões e um monstro que toma a forma de um palhaço chamado Pennywise. Esta é a primeira parte da mais recente adaptação do livro com o mesmo nome de Stephen King. Apesar de ser um filme de terror, os sustos não são muito aterradores e o filme vale mais pelo seu humor e química entre os vários protagonistas. [imdb]

Billy Elliot (2000): O pano de fundo do filme é a greve mineira que estalou no norte de Inglaterra em 1984 em oposição ao governo de Margaret Thatcher. Billy Elliot (Jamie Bell) é um adolescente de onze anos, órfão de mãe, cujo pai (Gary Lewis) e irmão (Jamie Draven) fazem parte da comunidade mineira revoltada. O jovem não se identifica com o boxe, o desporto que é imposto pela escola aos rapazes. Apesar de viver num meio cheio de preconceitos, Billy decide trocar secretamente as luvas de couro pelas sapatilhas de ballet e entregar-se de corpo e alma à sua verdadeira vocação: a dança.... Este é um filme coming of age que nos incentiva a lutarmos pelos nossos sonhos e a buscarmos a nossa identidade pessoal. Tem uma boa dose de realismo, dança e humor.  [imdb]
Cinema Paraíso (1988): Roma, 1980. O cineasta Salvatore Di Vitta (Jacques Perrin) recebe um telefonema da mãe que lhe comunica a morte do seu velho amigo Alfredo (Philipe Noiret). Salvatore – ou Totó – é invadido por recordações, revisitando a sua infância, na sua Sicília natal, quando vivia fascinado pela cabina mágica de Alfredo, o mal-humorado projeccionista do cinema da vila: o Cinema Paraíso. Este é um filme italiano muito encantador e nostálgico. É um filme envolvente e emotivo que funciona como uma verdadeira ode ao cinema. [imdb]
Quarto (2015): Jack (Jacob Tremblay) tem cinco anos e vive com a mãe, carinhosa e dedicada. Como qualquer boa mãe (Brie Larson), dedica-se a manter Jack feliz e seguro, alimentando-o, dando-lhe calor e amor e fazendo coisas normais como inventar jogos e contar histórias. No entanto, as suas vidas nada têm de normal. Jack e a sua mãe estão confinados a um pequeno quarto sem janelas onde ela criou todo um universo para garantir que, mesmo neste ambiente traiçoeiro, Jack é capaz de viver uma vida completa e gratificante. Esta é uma história extremamente emotiva e forte que nós acompanhamos através do olhar inocente de uma criança. Vale sobretudo a pena pelas fantásticas interpretações do duo principal. [imdb]

A invenção de Hugo (2011): Na Paris dos anos 30, um orfão (Asa Butterfield) vive em segredo nas paredes de uma grande estação de comboios. Com a ajuda de um excêntrica rapariga (Chloë Grace Moretz)  procura a misteriosa ligação entre o pai que perdeu recentemente, o mal humorado dono da loja de brinquedos que vive por debaixo dele e uma fechadura em forma de coração, aparentemente sem chave. Este é um filme com uma encantadora aura mágica e uma lindíssima fotografia. [imdb]
O labirinto do fauno (2006): Espanha, 1944. A Guerra Civil já terminou há cinco anos, mas um grupo de rebeldes continua a lutar, invencível, nas montanhas de Navarra, apesar dos esforços do oficial fascista da zona, o Capitão Vidal. Ofélia, uma rapariga sonhadora de dez anos, muda-se com a mãe, grávida e frágil, para Navarra, para finalmente conhecer o Capitão, o seu novo padrasto. Um dia, Ofélia, fascinada por contos de fadas, descobre um grandioso labirinto a desmoronar-se atrás da fábrica em que se instalara o padrasto. No centro do labirinto, conhece Pan, um velho brincalhão que conta-lhe que ela é uma princesa, filha desaparecida do Rei das Fadas, e oferece-lhe a oportunidade de voltar ao mundo secreto e governar o reino de seu pai. Mas primeiro, deverá executar três tarefas antes da Lua cheia...Um filme muito original, especialmente pelo modo como consegue entrelaçar fantasia e retrato histórico. Tem uma lindíssima atmosfera onírica, fantásticos efeitos especiais e um tom de conto de fadas negro mas mágico.  [imdb]
O feiticeiro de Oz (1939): Dorothy (Judy Garland) e seu cão Totó são levados para a terra mágica de Oz quando um ciclone passa pela fazenda dos seus avós no Kansas. Para conseguirem voltar para casa, eles vão ter de viajar até à Cidade Esmeralda para encontrar o Feiticeiro Oz. Pelo caminhão vão conhecer um Espantalho, que precisa de um cérebro, um Homem de Lata sem um coração e um Leão Covarde que quer coragem, e vão ter de combater a Bruxa Malvada do Oeste. Este é um clássico que dispensa muitas apresentações e que conquista pelas cores, energia e música. [imdb]

Por culpa do Fidel (2006): Em 1970, Anna tem 9 anos. Para ela, a vida é simples e decorre confortavelmente entre Paris e Bordéus, entre a escola religiosa e a casa dos seus pais, Marie e Fernando, e a quinta vitícola dos seus avós maternos. A única mancha negra neste quadro perfeito é o tio que luta em Espanha contra o regime de Franco. Um comunista de que não convém falar-se. Mas rapidamente esta vida ordeira se complica, com a prisão do tio e uma viagem ao Chile em que Marie e Fernando manifestam os seus ideais políticos. Acontecimentos sobre os quais Anna, demasiado nova, não percebe a importância mas que mudam por completo a vida dos pais e a sua estabilidade. Este é um filme francês que explora a curiosidade e perspicácia das crianças, que conseguem captar bem tudo aquilo que os rodeia apesar de muitas vezes não entenderem o que se passa. É extremamente interessante ver assuntos complicados, em termos sociais e políticos, do ponto de vista de uma rapariga que de um momento para o outro vê o seu mundo virado do avesso. [imdb]
Primeiro, mataram o meu pai (2017): Camboja, 1975. Quando o regime comunista do Khmer Rouge assume o controlo da capital do país, Phnom Penh, a pequena Loung Ung (Sareum Srey Moch) é obrigada a deixar para trás a sua casa e seguir com a família para o interior. Num campo de trabalho forçado, ela convive diariamente com o horror, a fome, o medo e a ameaça de separação dos pais e irmãos. Este é um retrato histórico honesto, nada romantizado, que se preocupa mais em ilustrar os acontecimentos e os sentimentos dos intervenientes do que em entender os meandros políticos. Como a história é contada do ponto de vista de uma criança, há uma certa inocência e confusão no modo como os eventos são narrados. Mesmo assim, este é um filme intenso e duro. [imdb]
Queen of Katwe (2016): Este é um dos mais recentes filmes da "linha de desporto" da Disney. É baseado na história verídica de Phiona Mutesi, uma criança de 10 anos que vive nas ruas de Kampala, Uganda. Ela vende legumes para sustentar a sua família e ir à escola não é uma opção. A sua vida muda quando ela conhece Robert Katende (David Oyelowo) e começa a jogar xadrez. Este é um filme com uma mensagem muito inspiradora e é também uma história coming of age que se foca no no modo como Phiona vai lidando com o seu sucesso e com as suas raízes. A mãe da Phiona (Lupita Nyong'o) é também retratada neste filme e a sua história é das mais interessantes; vemos como ela enfrenta as dificuldades que surgem do facto dela ser uma mãe viúva e como ela luta para proteger os seus filhos. [imdb]



E vocês? Que filmes me sugerem ou 
estão a pensar ver nesta categoria? 




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7 filmes/séries para quem gosta de Downton Abbey

quinta-feira, 28 de novembro de 2019

No passado dia 19 de Setembro, estreou a adaptação cinematográfica da série "Downton Abbey". Ainda não tive oportunidade de ver o filme mas conto vê-lo no futuro visto que a série foi sempre para mim um guilty pleasure agradável. Para quem, tal como eu, ainda não viu o filme e quer entrar no mood, deixo aqui algumas sugestões de filmes e séries semelhantes.


Gosford Park é a magnífica casa de campo onde Sir William McCordle e a sua esposa, Lady Sylvia, reúnem os amigos para uma caçada. O eclético grupo de convidados inclui uma condessa, um herói da Grande Guerra, o ídolo inglês das matinés Ivor Novello e um produtor americano que faz os filmes de Charlie Chan. Enquanto os convidados se reúnem nas luxuosas salas de visita do andar de cima, os seus criados e mordomos particulares juntam-se aos quadros do pessoal da casa nas apinhadas cozinhas e corredores da cave. Mas nem tudo é o que parece e este encontro é perturbado por um crime.
Gosford Park (2001) é, sem dúvida, o filme certo para quem adora Dowton abbey uma vez que o seu argumento foi escrito por Julian Fellowes, o responsável pela criação da série. Realmente, são visíveis muitas semelhanças entre os dois, nomeadamente a nível das personagens (Maggie Smith interpreta basicamente o mesmo papel!) e da atmosfera. É um filme que mistura comédia de costumes com um policial de mistério (nunca se levando muito a sério nesta parte) e retrata, tal como Downton abbey, diferentes gerações, histórias e classes sociais.



Gran Hotel é uma série espanhola de 2011, composta por 39 episódios divididos em 3 temporadas. Tem início em 1905 e acompanha o nosso protagonista Julio, um jovem de origens humildes, que arranja emprego no Grand Hotel para descobrir o que aconteceu à sua irmã que desapareceu depois de ter sido expulsa do hotel por alegadamente ter roubado um cliente. Aí vai conhecer e se apaixonar por Alicia, uma das filhas da proprietária do hotel, que o irá ajudar na investigação.
Nesta série temos um hotel de luxo em vez de uma mansão nobre, mas a dinâmica entre as diferentes classes sociais é muito semelhante. Para além da colisão entre a classe alta, representada pelos proprietários e clientes do hotel, com os vários empregados temos também um amor impossível entre os dois protagonistas que são de mundos muito diferentes.  No entanto, esta é também uma história recheada de mistério e intriga que se destaca pelos seus valores de produção e retrato histórico.

Howards end é uma minissérie de 2017, com 4 episódios, baseada no livro com o mesmo nome do autor E.M. Forster. Relata as vivências de três famílias de Inglaterra no princípio do século XX, que representam diferentes níveis sociais da classe média eduardiana: os Wilcoxes (Matthew Macfadyen), que são capitalistas ricos e que fizeram fortuna nas colónias; os irmãos meio-alemães Schlegel - Margaret ( Hayley Atwell), Tibby e Helen -, que representam a burguesia intelectual e idealista; e os Basts, um casal da baixa classe média trabalhadora.
Tal como Downton Abbey, esta é uma história que explora as convenções e diferenças sociais entre os diversos personagens, numa Inglaterra que se encontra num período de transição. É também um filme sobre dinâmicas familiares, diferentes mentalidades conforme a nacionalidade e estrato social, e o surgimento de ideias feministas. Existe também a versão em filme de 1992 realizada por James Ivory, com Anthony Hopkins e Emma Thompson, que eu recomendo muito.

The last September (1999) é um filme baseado na obra com o mesmo nome de Elizabeth Bowen. Decorre na Irlanda nos anos 20 e acompanha uma família anglo-irlandesa de classe alta que se vê dividida entre as suas raízes inglesas e a sua empatia pelas pessoas do seu povo em plena Guerra da Indepedência. Conta com actores famosos, tais como, Maggie Smith, Michael Gambon, Keeley Hawes e David Tennant.
Este, tal como Downton abbey, é um filme de época sobre conflitos sociais, tradições e o retrato da decadência da nobreza. É também um filme coming of age que nem sempre funcionou para mim por causa da protagonista. No entanto, mesmo não sendo um filme excelente (acredito que o livro seja bem melhor), consegue ser muito atmosférico e capturar bem a crise de identidade e conflito de lealdade destas personagens.


Os despojos do dia (1993) é a adaptação cinematográfica do livro com o mesmo nome do conceituado Kazuo Ishiguro, realizada por James Ivory. Este livro conta-nos a história do mordomo Stevens (Anthony Hopkins) que, já próximo da velhice, recorda as três décadas na metade do século XX que dedicou à casa de um distinto nobre da Grã-Bretanha, Lord Darlington, hoje ocupada por um milionário norte-americano. Ao longo da história vamos conhecendo a sua relação com o restante pessoal da casa, especialmente com a governanta Miss Kenton (Emma Thompson), a sua relação com o patrão, que teve um papel polémico na segunda Guerra Mundial, e vamos conhecendo também as suas reflexões sobre o papel dos mordomos.
Se gostam da história do mordomo Carson e da governanta Mrs. Hughes, então não podem deixar de ver este filme. Este é um filme subtil, sem grande acção e que demora o seu tempo a desenrolar-se. Tem um tom nostálgico e reflexivo, e é um filme sobre oportunidades desperdiçadas e arrependimento. Fantástico em termos de produção e interpretações.


The shooting party (1985) decorre no Outono de 1913, nas vésperas da I Guerra Mundial, quando um grupo de aristocratas se reúne na herdade do Sir Randolph Nettleby (James Mason) para uma caçada.
Esta é uma história que retrata muito bem a hipocrisia e alheamento da aristocracia da época, bem como o começo do declínio da classe alta inglesa. Captura bem as tradições e modo de pensar da altura. No filme, a Inglaterra encontra-se à beira da I Guerra Mundial, um conflito que iria para sempre alterar o modo de vida dos aristocratas europeus e a sociedade em geral. Este conflito e as mudanças que trouxe são também exploradas em Downton abbey e daí esta minha recomendação.

A família Bellamy (1971-1975) é uma série de época, com cinco temporadas, que retrata as atribulações da família Bellamy e dos seus empregados durante quase duas décadas.
Upstairs, downstairs é a Downton abbey original dos anos setenta! Ambas retratam o naufrágio do Titanic, a I Guerra Mundial, diferentes dinâmicas familiares e estratos sociais, e o declínio da aristocracia britânica. É uma série com muito charme, personagens ricamente caracterizadas e um fantástico e mais sério retrato da época. Ainda funciona muito bem nos dias de hoje.



E vocês? Gostam de Downton Abbey?
Já viram alguma destas recomendações?


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Los Pazos de Ulloa, Emilia Pardo Bazán

terça-feira, 26 de novembro de 2019

Confesso que, apesar de adorar ler clássicos, sinto que me foco muito nas obras britânicas e acabo por não ler tanto outros clássicos europeus. Como tal, quando ouvi falar bem deste clássico espanhol e vi que estava disponível nesta edição fofíssima da Pocket Penguins, não deixei escapar a oportunidade. No início de Novembro, li então esta obra e hoje venho partilhar com vocês a minha opinião favorável.


Los Pazos de Ulloa é uma obra do século XIX da autoria da Condessa Emilia Pardo Bazán, uma escritora aristocrata da Galicia que ficou conhecida por introduzir o naturalismo na literatura espanhola e pela sua preocupação com a defesa dos direitos das mulheres. Era uma mulher culta, uma crítica literária, tradutora, jornalista e uma mulher de grande peso intelectual. Este foi o primeiro livro que li da autora e deixou-me uma boa primeira impressão e vontade de conhecer mais obras dela.


Los Pazos de Ulloa é um livro curto, com quase 300 páginas. Conta a história do jovem sacerdote Julián, que vai servir na casa nobre do Marquês Don Pedro Moscoso que se situa na zona rural da Galicia. Ao chegar, o padre fica chocado com o estado de degradação físico da casa e da capela, bem como pelo estado de degradação moral e estilo de vida do Marquês e dos outros habitantes. Ao longo do livro, ele vai tentando modificar aquilo que o rodeia: algumas tentativas são bem sucedidas e outras nem tanto.

Este livro foi um marco dentro do realismo/naturalismo espanhol e realmente são visíveis características de ambos os estilos. Temos um retrato realista da época, com casamentos arranjados, relacionamentos e  filhos ilegítimos, e também uma preocupação em evidenciar um regionalismo bem forte e o impacto do local nas pessoas que aí vivem. 


A escrita é realmente muito bonita e gostei, sobretudo, das descrições das paisagens e das pessoas que habitavam tanto a Galicia rural como a citadina, que aqui é representada sobretudo através de Santiago de Compostela. Há um claro contraste entre o campo e a cidade, entre o lado mais animal (instinto) e o mais racional das pessoas, não deixando nunca de realçar os aspectos mais negativos de ambos os locais e como esses afectam os seus habitantes. Uma vez que o livro decorre no norte de Espanha, já bem pertinho de Portugal, é inevitável não reconhecermos um pouco do nosso país no ambiente descrito.

Aquilo que mais gostei no livro foi o retrato da decadência da aristocracia rural do final do século XIX, que é visível não só na personagem e situação do Don Pedro Moscoso, mas também noutras  famílias com as quais o padre se acaba por cruzar brevemente ao longo da história. Há também uma forte crítica à corrupçao politica, especialmente ao sistema de "caciques" da altura. Apesar de ter achado este tópico muito interessante, uma vez que pouco sabia sobre o assunto, em certos momentos do livro achei que a autora se extendeu um pouco demais nestes pontos.

Confesso também que, em certas alturas, o nosso ingénuo e impressionável narrador - o padre Julián - me irritou um pouco pela sua extrema devocão religiosa. No entanto, gostei de acompanhar a luta deste homem pio e puro para tentar trazer ordem à casa de Ulloa e acabar com alguns dos actos imorais e cruéis que ali são praticados. Ele é um elemento importante nesta colisão entre a natureza selvagem e os costumes culturais e religiosos.
Quanto ao lado mais feminista da autora, este livro não é propriamente a melhor representação. Penso que o livro dela La Tribuna será uma melhor escolha.


Concluindo, esta foi uma leitura bastante imersiva, com personagens marcantes e que me conquistou pelas suas descrições. É um livro que mistura muito bem comédia e tragédia. 🌟🌟🌟1/2
Não leva as 4 estrelas porque achei a segunda metade do livro menos cativante e fluida, talvez devido ao grande foco na parte política. Mesmo assim, foi uma leitura que me surpreendeu e pretendo ler mais obras da escritora. Recomendo-o sobretudo a quem gosta de clássicos naturalistas e das obras de Eça de Queiroz. Se não me engano, não se encontra traduzido em Portugal.



E vocês? Já leram este livro 
ou algum da autora?

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Sugestões de filmes que decorrem num clima frio

sábado, 23 de novembro de 2019

De 1 a 31 de Dezembro vou estar a promover uma maratona cinematográfica (mais info aqui) e um dos objectivos é ver um filme que decorra num clima frio. Como tal, hoje decidi trazer algumas dicas de filmes que se encaixam nesta categoria. Tentei escolher filmes de vários géneros e tentei não ir sempre pelos mais óbvios. Aqui ficam as várias sugestões:

Grand Budapest Hotel (2014): A história decorre durante a década de 30, na fictícia República de Zubrowka. Gustave H (Ralph Fiennes), "concierge" num luxuoso hotel, tornou-se célebre pela sua habilidade de satisfazer os hóspedes mais exigentes. Ao seu cuidado está Zero Moustafa, um jovem e muito dedicado paquete que tem por ele uma admiração sem limites e que sonha seguir o seu exemplo. Apesar da crise económica e instabilidade política da época, tudo se passa com relativa tranquilidade até à morte de Madame D., amiga e amante de Gustave, e ao desaparecimento de um valioso quadro renascentista. É um filme muito divertido, com uma estética maravilhosa e neve por todo o lado. [imdb]
Eu, Tonya (2017): Um filme biográfico que conta a história de Tonya Harding, uma grande patinadora e a mulher no centro do maior escândalo de sempre na história da patinagem artística. É um retrato meio absurdo da patinadora, trágico e hilariante ao mesmo tempo, e com uma grande interpretação da Margot Robbie. Casacos quentes e pistas de gelo por todo o lado! [imdb]
Em Bruges (2008): Depois de um trabalho em Londres que corre mal, dois assassinos são enviados para a pacata Bruges, na Bélgica, para desaparecerem do mapa por uns tempos. Ray (Colin Farrell) odeia a cidade e está irritado com o insucesso do trabalho, enquanto Ken (Brendan Gleeson), olhando o colega de forma paternalista, se deixa levar pela calma e beleza daquela mítica cidade belga de fortes traços medievais. As férias acabam quando o chefe, Harry (Ralph Fiennes), telefona a um deles e ordena-lhe que assassine o outro. Uma comédia negra repleta de momentos divertidos e outros mais emotivos, bem como de boas interpretações. O filme decorre durante as férias de Natal e são visíveis as decorações e sente-se o frio. (imdb)

Dúvida (2008): A história decorre numa escola católica no Bronx em 1964, onde o padre Flynn (Philip Seymour Hoffman) entra em confronto com a irmã Aloysius Beauvier (Meryl Streep), directora da instituição que dirige com mão-de-ferro. Quando a ingénua irmã James conta à irmã Aloysius que o padre Flynn presta demasiada atenção a um dos rapazes, a directora acredita ter encontrado o que precisava para desmascarar e afastar o sacerdote. A irmã Aloysius não tem nenhuma prova, mas a dúvida instala-se e vai dividir irremediavelmente a comunidade. Este é um filme extremamente poderoso, que aborda uma temática difícil com muita sensibilidade e que está recheado de interpretações marcantes. Tal como o tom do filme, também o ambiente em redor é bastante cinzento. (imdb)
Manchester by the sea (2016): Esta é a história da família Chandler, da classe trabalhadora do Massachusetts. Quando Joe (Kyle Chandler) morre subitamente, o seu irmão mais velho, Lee (Casey Affleck), passa a ter a guarda legal do sobrinho Patrick (Lucas  Hedges), um adolescente de 16 anos. Este facto obriga-o a lidar com o trágico passado que o separou da mulher, Randi (Michelle  Williams), e da comunidade onde nasceu e foi criado. Este é um filme muito melancólico e emotivo que gira em torno de uma difícil jornada interior da personagem principal. Decorre no Inverno e capta muito bem a beleza desta cidade à beira-mar. (imdb)
The Revenant, o renascido (2015): Nas profundezas do território selvagem norte-americano de inícios do século XIX, o caçador Hugh Glass (Leonardo DiCaprio) vê-se gravemente ferido e deixado para morrer por John Fitzgerald (Tom Hardy), um dos seus companheiros. Com a sua força de vontade como única arma, Glass navega num ambiente hostil, através de um inverno brutal e tribos guerreiras, numa busca incessante pela sobrevivência e pela vingança sobre Fitzgerald. Tem uma fotografia lindíssima e uma excelente realização. Não podia deixar de escolher este filme que, sem dúvida, nos faz sentir gelados o tempo todo! (imdb)

As crónicas de Narnia: o leão, a feiticeira e o guarda-roupa (2005): Baseado na aventura intemporal de C. S. Lewis, o filme decorre na Inglaterra da II Grande Guerra e conta a história de quatro irmãos, Lucy, Edmund, Susan e Peter, que entram no mundo de Nárnia quando estão a brincar às escondidas na casa de um misterioso professor. Aí, descobrem um incrível mundo habitado por criaturas falantes, anões, faunos, centauros e gigantes, amaldiçoados e condenados ao Inverno eterno pela Feiticeira Branca, Jadis. Guiados por um soberano, nobre e místico, o magnifico Leão Aslan, os jovens vão combater o poder que Jadis tem sobre o mundo de Nárnia. Uma história de encantar que combina muito bem com a época natalícia. (imdb)
A estrada (2009): Após uma terrível catástrofe que arrasou todo o planeta, um pai (Viggo Mortensen) e um filho (Smit-McPhee) tentam sobreviver à destruição. Eles, tal como milhares de sobreviventes, perderam tudo o que tinham, e agora, fazem um percurso sem rumo pela América, por uma estrada seca e árida onde apenas encontram miséria e sofrimento humano. Essa jornada de sobrevivência vai transformar cada um dos intervenientes e só o amor abnegado lhes poderá dar algum conforto. Uma interpretação poderosa de Viggo Mortensen e uma história devastadora de amor e sobrevivência. Com um ambiente pós-apocalíptico frio e repleto de neve e cinza. (imdb)
Snowpiercer - expresso do amanhã (2013): Uma experiência para travar o aquecimento global falha e provoca uma súbita idade do gelo que mata toda a vida no planeta exceto os habitantes do Snowpiercer, um comboio que viaja em redor do globo graças a um motor de movimento perpétuo. Com o tempo desenvolve-se um sistema de divisão por classes no interior do comboio, mas uma revolução aproxima-se. Filme distópico violento, arrojado e original, com boas cenas de acção e uma forte crítica social. Chris Evans é um bom protagonista e a atmosfera pós-apocalíptica presente é negra e surreal. (imdb)

Agnus dei - as inocentes (2016): Polónia, 1945. Mathilde, uma jovem médica da Cruz Vermelha francesa, está numa missão de ajuda a sobreviventes da guerra. Quando uma freira lhe pede auxílio, é levada até um convento onde se escondem várias religiosas grávidas e incapazes de conciliar a sua fé com o estado em que se encontram. Mathilde transforma-se na última esperança daquelas mulheres. Este é um filme polaco que consegue, através de um enredo relativamente simples, abordar várias temáticas, tais como, o impacto da guerra nos inocentes, a dificuldade de manter a fé perante todos os horrores da guerra, o lado negro do ser humano, etc.. Possui um ritmo lento e é um filme bastante introspectivo que cativa pela atmosfera de medo, trauma e vergonha criada. Marca também pela cinematografia lindíssima, incluindo a das paisagens repletas de neve. (imdb)
A escolha do rei (2016): O filme narra três dias extremamentes dramáticos vividos na Noruega em Abril de 1940, quando o rei norueguês recebeu um ultimato impensável dos militares alemães nazis: rendição ou morte. Na ocasião, o rei deverá fazer uma decisão que pode mudar a história de seu país para sempre. Filme norueguês historicamente muito interessante que aborda uma faceta da II Guerra menos explorada e com uma excelente interpretação de Jesper Christensen enquanto Rei Haakon VII. Dramático, com um feeling quase de documentário, e visualmente muito  bonito e cuidado, especialmente a nível do guarda-roupa. A acção decorre num país escandinavo logo neve não falta.
Nordwand (2008): Em 1936, dois alpinistas decidem escalar o pico Eiger, um maciço dos Alpes suíços que já matou vários homens. Esta ação faz parte de uma estratégia de propaganda nazi e, se tiverem sucesso, serão aclamados como heróis do Terceiro Reich. Este é um filme alemão que conta com algum rigor histórico e técnico, este episódio incrível e trágico da História. Vale a pena pelas incríveis imagens da montanha e Alpes, bem como pelo retrato de uma incrível e assustadora modalidade - a escalada. (imdb)

Raptadas (2013): Keller Dover (Hugh Jackman) é um carpinteiro que vive pacatamente numa pequena cidade quando a filha e a melhor amiga desaparecem. A polícia não consegue descobrir o paradadeiro das duas adolescentes e Keller decide raptar o homem que considera o principal suspeito. No caminho vai cruzar-se com o detetive Loki (Jake Gyllhenhaal) destacado para o caso. Este é um dos meus filmes preferidos do realizador Denis Villeneuve e conta com várias interpretações marcantes. Filme tenso, emotivo, sombrio e tecnicamente muito bom. (imdb)
O nome da rosa (1986): Baeado no livro com o mesmo nome, esta é uma história de crime e mistério passada num mosteiro italiano no século XIV, em plena Idade Média. Depois da morte misteriosa de um jovem iluminista num mosteiro beneditino no norte de Itália, em que a vítima aparece com os dedos e a língua roxos, William de Baskerville (Sean Connery), um respeitado monge franciscano, é enviado para ajudar a determinar a causa da morte. É uma história intrigante que decorre num local invulgar e que recria muito bem a época em que decorre. Grande interpretação de Sean Connery e um mistério que prende facilmente a atenção. (imdb)
Wind river (2017): A jovem agente do FBI Jane Banner (Elizabeth Olsen) é destacada para uma Reserva de Nativos Americanos, situada no estado de Wyoming (EUA), para investigar a morte de uma adolescente, cujo corpo fora encontrado por Cory Lambert (Jeremy Renner), um caçador local. Pouco preparada para o isolamento da região ou para os rigores do clima, ela vê-se com dificuldade em avançar com a investigação. É então que contrata Cory como guia e, com ele, aventura-se por território selvagem onde a lei da natureza impera sobre todas as outras. Este é um filme de mistério invulgar que se desenrola devagar e que se foca mais no desenvolvimento das personagens e retrato da comunidade. A fotografia é lindíssima, com as montanhas cheias de neve do Wyoming em destaque (imdb)

O apartamento (1960): C.C. Baxter (Jack Lemmon) é um empregado de escritório que procura subir na hierarquia cedendo o seu apartamento para as aventuras extra-conjugais dos administradores. Até que se apaixona por uma dessas “conquistas”: Fran Kubelick (Shirley MacLaine). Esta é uma excelente comédia romântica que conquista facilmente através do seu humor bastante natural e diálogos rápidos e inteligentes. Apesar do seu tom humorístico, é também um drama que não deixa de ter alguns inesperados momentos mais negros que conferem uma maior seriedade e credibilidade a esta história. Óptima química entre o par romântico e interpretações do duo principal. Decorre em plena quadra natalícia. (imdb)
Doutor Zhivago (1965): Clássico do cinema que quase que dispensa apresentações. Baseado no livro com o mesmo nome, decore na Rússia e conta-nos a história de Yuri, um médico aristocrata que se apaixona por Lara, a mulher de um activista político. Apesar de ser um filme historicamente interessante, este é essencialmente um filme sobre o romance atribulado entre a Lara e o Yuri. As paisagens de Inverno são maravilhosas e a banda sonora é espectacular. Não irá agradar a todos pois é um filme longo e algo lento mas eu adoro-o ver nesta altura do ano. (imdb)
Carol (2015): Conta-nos a história do romance entre uma aspirante a fotógrafa (Rooney Mara) e uma dona-de-casa mais velha (Cate Blanchett) em Nova Iorque dos anos 50. O filme decorre no Inverno e Nova Iorque está repleta de neve. Visualmente, este filme é lindíssimo e todo o guarda-roupa e cenários conferem um encantamento especial ao filme. É um filme calmo e subtil que nos mostra uma relação proibida nos anos 50. Vale sobretudo pelas interpretações. (imdb)

Deixa-me entrar (2008): Aos 12 anos, Oskar é um adolescente frágil, martirizado pelos colegas de turma e sem amigos. Ele não contra-ataca, mas sonha vingar-se. Quando conhece Eli, uma menina da sua idade, sente que finalmente encontrou alguém com quem pode ter uma verdadeira relação de amizade. Porém, a rapariga intriga-o: ela apenas sai à noite e, apesar do muito frio, anda sempre de t-shirt. A agravar as suas suspeitas está o facto de a sua chegada a Estocolmo coincidir com uma série de mortes e desaparecimentos misteriosos. Este é um filme sueco baseado no livro com o mesmo nome e que conquista pela sua premissa original e boas interpretações. É, ao mesmo tempo, um filme coming of age diferente e tocante, e um filme fantástico negro e atmosférico. (imdb)
Misery - o capítulo final (1990): Baseado no livro com o mesmo nome de Stephen King, conta a história de Paul Sheldon (James Caan), um escritor de sucesso, que decide libertar-se da sua personagem mais popular, Misery, matando-a num derradeiro capítulo da série de romances. Para finalizar o manuscrito, Paul viaja para a sua pequena casa no Colorado mas no regresso a Nova Iorque sofre um acidente e acorda na casa de Annie Wilkes (Kathy Bates), uma enfermeira que se apresenta como a sua maior fã. O problema é que Annie não está disposta a deixá-lo "matar" Misery e muito menos a deixá-lo partir.  É um bom filme de terror psicológico e uma boa adaptação do livro. Vale a pena ver nem que seja pela fantástica interpretação de Kathy Bates. (imdb)
Veio do outro mundo (1982): Uma equipa de investigação científica na Antártica é atacada por um extraterrestre que tem a capacidade de se transformar em qualquer pessoa. Um dos grandes clássicos dos filmes de terror que brilha pela atmosfera de paranóia criada. Sem dúvida, que quando pensamos em filmes que decorrem num clima frio, este é um que nos vem logo à mente. (imdb)



E vocês? Que filmes me sugerem ou 
estão a pensar ver nesta categoria? 




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Sanditon

quinta-feira, 21 de novembro de 2019

Hoje venho falar-vos de Sanditon, o eterno romance inacabado de Jane Austen. Falo um pouco do que achei do livro e comparo/contrasto com a sua recente adaptação, tudo sem spoilers


- livro -

Sanditon é uma obra de Jane Austen na qual ela começou a trabalhar no início de 1817, ano em que viria a falecer. Deixou escritos 11 capítulos que acabaram por ser publicados postumamente.
O livro decorre no início do século XIX, quando a sociedade inglesa anda a descobrir o encanto dos banhos do mar. A nossa protagonista é a jovem Charlotte Heywood que, graças a um acidente, acaba por conhecer Tom Parker e a sua mulher. Como agradecimento pela ajuda prestada, este convida-a a visitar Sanditon, uma aldeia piscatória que Tom anda a transformar numa estação balnear. Neste local, Charlotte conhece várias pessoas, tais como, a Lady Denham e a sua pupila Clara, os irmãos Denham, e o irmão do anfitrião, o carismático Sidney Parker.


É muito difícil julgar um livro que não se encontra completo e, confesso que muitas vezes, acabo por evitar pegar em obras deste tipo. No entanto, a adaptação televisiva que estreou este ano despertava-me curiosidade e tendo já lido praticamente todas as novelas de Jane Austen, achei que seria interessante arriscar nesta leitura. Fico feliz por o ter feito! Sanditon é uma obra com muito potencial e é realmente uma pena a autora ter morrido antes da sua conclusão.
Em primeiro lugar, aquilo que chamou mais a minha atenção foi o local onde a acção decorre. Apesar de noutros livros da Jane Austen, as personagens visitarem locais à beira-mar, este é o único que parece que ia ter um local desse tipo como pano de fundo e mote. Acredito que a autora pretendia lançar um olhar crítico sobre a colisão entre tradições antigas e novas ambições, o que me pareceu extremamente interessante.
Quantos aos principais elementos que caracterizam os livros de Jane Austen, eles estão todos lá: o retrato de uma sociedade hipócrita, o contraste entre classes sociais, um eventual romance, uma protagonista forte e personagens peculiares, incluindo a sua primeira personagem negra.


Foi um livro que realmente gostei de ler mas que recomendo apenas aos fãs de Jane Austen que já leram os seus outros livros. São capítulos muito promissores mas, infelizmente, aquilo que chegou aos nossos dias é apenas a introdução da obra e, como tal, não considero que esta seja uma leitura imprescindível.



- adaptação -

Em Agosto deste ano, estreou então uma adaptação televisiva de Sanditon, produzida pela ITV e da autoria de Andrew Davies, mais conhecido pelas adaptações de Guerra e Paz e Os Miseráveis. Conta com Rose Williams como Charlotte, Theo James como Sidney, Anne Reid como Lady Denham, Kris Marshall como Tom Parker, entre outros. Como o livro apenas apresenta as personagens e não as desenvolve, praticamente todo o argumento teve de ser imaginado pelo escritor e aquilo que é retirado do livro corresponde apenas a cerca de metade do primeiro episódio.


Pessoalmente, esta foi uma série que gostei de acompanhar apesar de não me ter deslumbrado nem achar que é uma série ao estilo de Jane Austen. É verdade que muitas das personagens presentes retiram inspiração de algumas das personagens dos livros da autora mas são versões exageradas e levadas um pouco ao extremos. Este é, na verdade, um romance de época ao qual falta a subtileza de Jane Austen e que prefere modernizar e sexualizar alguns aspectos para manter o público dos dias de hoje mais interessado. Falta-lhe o humor e sagacidade da autora.
Apesar destes aspectos mais negativos, gostei do rumo de alguns enredos e das interacções entre certas personagens, especialmente o núcleo dos irmãos Denham (adorei a Esther). Pessoalmente, o casal principal não me conquistou (preferia que ela tivesse optado pelo outro candidato) mas gostei das personagens individualmente. Confesso que nem sabia que o Theo James era britânico e fiquei agradavelmente surpreendida com a interpretação e carisma dele.
É, sem dúvida, uma série que apaixona mais pelo romance e pela qualidade das interpretações do que pela crítica e retrato da sociedade. Mesmo assim, gostei de ver como a série explorou a história da primeira personagem negra de Jane Austen, Miss Lambe (Crystal Clarke), e a história do crescimento da estância balnear.


É uma série que recomendo apenas aos fãs de romances de época, especialmente aqueles que não se importam de assistir a versões mais modernas. O final deixou imensas pontas soltas por isso acredito que teremos segunda temporada. 🌟🌟🌟



E vocês? Já leram o livro?
Ou viram a adaptação?


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«The Spy», «Years and Years» & «Unbelievable»

terça-feira, 19 de novembro de 2019

Hoje venho falar de 3 séries que vi nos últimos meses. Duas delas são da Netflix e uma da HBO, mas todas elas são séries que recomendo muito. Duas delas estrearam em Setembro deste ano - "Unbelievable" e "The spy" - e "Years and Years" estreou em Maio.

The spy é uma minissérie original da Netflix que conta a história real do espião israelita Eli Cohen em 6 episódios. Decorre na década de 60 e segue o percurso de Eli Cohen desde que este é recrutado pela agência de inteligência israelita, para se infiltrar na alta sociedade da Síria, até ele ser descoberto e punido. Esta foi uma série que me surpreendeu bastante e que eu acho que passou um pouco despercebida. É uma história politicamente e humanamente rica, especialmente porque vamos alternando entre a vida animada de Eli enquanto Kamel Amin Thaabet, um grande empresário sírio que se diverte em grandes festas e convive com os ricos e poderosos de Damasco, e a sua vida real em Tel-Aviv junto da sua esposa Nadia que não sabe o que o marido faz. Ao longo da série, vamos vendo como Eli tem cada vez mais dificuldade em separar as duas identidades perdendo até um pouco o controlo da situação e, neste ponto, há que elogiar a óptima interpretação de Sacha Baron Cohen, um actor que nos habituou nos seus papéis cómicos, mas que aqui convence e brilha enquanto um homem dividido e em conflito consigo mesmo.
De certo modo, esta é uma série que me faz lembrar um pouco os filmes de James Bond, com as suas técnicas de infiltração, espionagem e glamour. Não tem um ritmo acelerado e imensas cenas de acção mas não deixa de ser tensa, emotiva e intrigante. Historicamente, não é 100% correcta mas dá-nos uma ideia geral do homem e do período histórico. Em termos de fotografia, cenários e guarda-roupa a série está também de parabéns! Recomendo para quem gosta de séries de suspense e intriga política. 🌟🌟🌟🌟


Years and Years é uma minissérie britânica, produzida em parceria com a BBC, composta por seis episódios. Esta tem início em 2019, num ano em que uma comentadora política do Reino Unido (Emma Thompson) faz fortes declarações num debate televisivo e a família Lyons se reune mais uma vez para celebrar o aniversário da avó. Ao longo dos episódios, vamos acompanhando a evolução desta família ao longo dos anos bem como todos os desenvolvimentos políticos e sociais que vão ocorrendo.
Esta é uma série que apresenta um futuro distópico muito possível, tendo em conta o panorama actual, e é assustador e perturbador. Aborda questões políticas e sociais tais como, a imigração, as crises de bancos, a globalização, o desenvolvimento de novas tecnologias, as difíceis relações ente países, etc. Ao mesmo tempo, não deixa de ser uma história sobre laços e dinâmicas familiares, muito envolvente e com uma forte carga emocional (especialmente um certo episódio).
Confesso que não a adorei a 100% porque existiram alguns momentos que me soaram um pouco forçados e pouco convincentes, especialmente no episódio final, mas nem por isso deixo de acreditar que esta é uma série extremamente pertinente e que todos deviam ver. É provocadora e dá-nos que pensar. 🌟🌟🌟🌟


Unbelievable é baseada em factos reais e inspirada num artigo vencedor do Prémio Pulitzer de jornalismo em 2016. A minissérie de oito capítulos conta a história da jovem Marie Adler, 18 anos, que contou à polícia que um desconhecido invadiu o seu apartamento, ameaçou-a e violou-a. No entanto, os detetives (todos homens) duvidam do seu relato e começam a pressioná-la de tal maneira que a levam a ter dúvidas e ela acaba mesmo por negar ter sofrido o ataque. Alguns anos depois, duas detectives vão desvendar o que realmente aconteceu e encontrar o culpado.
Esta série foi uma surpresa bastante agradável que eu comecei a ver um pouco por acaso mas que facilmente captou a minha atenção.
É uma série pouco vistosa, por vezes até crua e fria, mas que, desse modo, acaba por soar mais autêntica e transmitir bem a dureza de certas cenas. Preocupa-se mais em ser realista e honesta do que em entreter ou chocar. Mostra não só o trauma que uma violação traz, mas também todo o processo difícil ao qual a vítima é sujeita depois - todas as descrições repetidas nos interrogatórios, os exames no hospital ou o julgamento da sociedade. É realmente um assunto delicado que é abordado com muita sensibilidade e rigor. No entanto, aquilo que para mim fez a série bilhar foram as interpretações. Toni Collette está muito bem mas confesso que quem me impressionou imenso foi Merritt Weaver, uma actriz que não conhecia. Ela trouxe imensa sensibilidade, carisma e calor à sua personagem. A jovem Kaitlyn Dever tem um papel dificílimo mas esteve à altura.
O primeiro episódio é provavelmente o menos impressionante mas insistam porque vale a pena! É um drama sobre crimes sexuais que promove a reflexão e a empatia. 🌟🌟🌟🌟1/2




E vocês? 
Que andam a ver?


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Maratona cinematográfica "CineXmas"

sábado, 16 de novembro de 2019

Olá a todos! Hoje estou aqui com algo diferente...venho anunciar que durante o mês de Dezembro estarei a promover uma maratona cinematográfica chamada de "CineXmas". O objectivo é vermos filmes (mais do que o habitual, se possível) que encaixem em oito categorias ligadas a esta altura do ano.

As categorias foram escolhidas tendo em conta que Dezembro é sinónimo de reuniões familiares, Natal e o final de mais um ano. Aqui ficam então as 8 categorias:

1) filme ligado à quadra natalícia (que se passe ou lembre o Natal);
2) filme que te traga conforto (guilty pleasure, filme do teu género preferido, etc..)
3) filme que decorra num clima frio (neve, chuva, nevoeiro, frio, etc...);
4) filme que se foque numa família (qualquer tipo de família, disfuncional ou não);
5) filme com uma criança como protagonista;
6) filme que estreou em 2019 e que não queres deixar escapar;
7) filme de animação;
8) filme que tenha sido oferecido ou recomendado por alguém;


Como quero que a maratona seja acessível e uma oportunidade para partilharmos experiências, podem participar nela do modo que vos for mais conveniente. Podem usar um filme para várias categorias ou, se querem algo mais desafiante ou têm mais disponibilidade, podem usar apenas um filme por categoria. Eu irei ver um filme por categoria pois quero desafiar-me a mim própria mas sintam-se à vontade para verem a quantidade que puderem e preferirem. O importante é participarem e disfrutarem da experiência :)


Sempre que vir um filme irei partilhar nas minhas redes sociais (twitter, facebook, instagram). Sigam-me por lá! Gostava também que vocês, sempre que pudessem, partilhassem os filmes que viram. Pode ser no vosso blogue, canal, instagram, twitter ou qualquer outra rede social. Conto também ir partilhando listas com sugestões para as categorias aqui no blogue.


Juntem-se a mim nas redes sociais e partilhem os filmes que virem com a hashtag #mcinexmas:) 
Espero que gostem da maratona e que se divirtam a participar!
Ficam aqui também os banners, se os quiserem utilizar. 




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Sugestões de Outono

quarta-feira, 13 de novembro de 2019

Hoje venho recomendar-vos 5 filmes, 4 livros e 3 séries de tv que eu acho que combinam muito bem com o Outono. São sugestões perfeitas para os dias de frio e chuva, em que só apetece ficar dentro de casa com uma bebida quente e uma manta.




The trouble with Harry, 1955
O terceiro tiro é um filme de Alfred Hitchcock que decorre numa pequena cidade nos EUA, onde é encontrado numa colina o cadáver de Harry Worp. Apesar de ninguém saber bem como ele ali veio parar, vários pessoas da cidade acreditam estar relacionadas com a sua morte o que leva a uma série de situações inusitadas. Visualmente, este é um filme muito outonal pois decorre, na sua maioria, na floresta e redondezas ao ar livre, que se encontram recheadas de árvores com aquela maravilhosa coloração da estação, as folhas variando entre o amarelo e o marrom. É um filme de comédia leve, brincalhão, com humor negro e um pouco diferente dos outros do realizador. 


October Sky, 1999
Céu de Outubro é baseado em factos reais e decorre em 1957, na cidade mineira de Coalwood, EUA. Acompanhamos Homer (Jake Gyllenhaal), um jovem estudante que vê brilhar no céu o satélite Sputnik e, impressionado e deslumbrado por este momento, decide que as estrelas são o seu futuro. Com a ajuda de uns colegas e da sua professora (Laura Dern), inicia um arrojado plano para construir o seu próprio foguetão de modo a poder ganhar uma bolsa de estudo para a universidade e fugir assim ao seu destino enquanto mineiro. Este é um filme coming of age com muito coração, interessante e emotiva relação pai-filho e boas interpretações. É um filme cuja história real serve, mais uma vez, para nos incentivar a lutarmos pelos nossos sonhos. É um óptimo filme para ver em família e um que decorre numa época fria, que é visível sobretudo através da roupa quente que os miúdos usam (flanelas lembram sempre Outono não é?).


Ernest & Celestine, 2012
Ernest & Célestine é um filme de animação francês cuja história decorre numa sociedade de ursos, na qual a amizade entre estes e os ratos não é bem vista. Ernest é um grande urso, palhaço e músico, que vai acolher na sua casa a ratinha Célestine, uma orfã que escapou do mundo subterrâneo dos roedores. Com muita amizade, os dois vão encontrar uma vida confortável, mudando, para sempre, as normas desse mundo. Este é um filme super ternurento e doce que celebra a amizade entre pessoas diferentes. A animação é lindíssima, com imagens a lembrar aguarelas, e com tons suaves e pastel que lembram as cores do Outono.


Lady Macbeth, 2016
Lady Macbeth é uma adaptação de uma novela do autor russo Nikolai Leskov. Decorre na Inglaterra rural em 1865 e segue Katherine (Florence Pugh) que vive oprimida pelo seu casamento de conveniência com um homem azedo com o dobro da sua idade e pelo pai deste, um homem frio e impiedoso. Quando se envolve com um trabalhador da propriedade, sente libertar dentro de si uma força tão poderosa que nada a deterá para conseguir o que deseja. É um filme com um ambiente que lembra muito o Monte dos Vendavais. A paisagem austera dos moors, a belíssima cinematografia e a simples decoração cénica combinam na perfeição com esta história em que repressão e rebelião existem em iguais medidas. É um filme negro mas quieto, com um ritmo lento que deixa a história desenrolar-se sem muitas pressas. Recomendo este filme para quem gosta de filmes de época atmosféricos e quer algo diferente dentro do género.


A Monster calls, 2016
Sete minutos depois da meia-noite é uma adaptação do livro com o mesmo nome e conta a história do Connor, um menino de 12 anos que vive sozinho com a mãe que se encontra doente. Certa noite, sete minutos depois da meia noite, este é visitado por um monstro, uma árvore gigante que lhe diz que nos próximos dias irá aparecer novamente para lhe contar 3 histórias e que no final espera que o Connor também lhe conte uma. Este é um filme muito tocante e autêntico, com um tema triste que é abordado de uma forma imaginativa e original. É visualmente muito apelativo, especialmente no modo como a animação é usada para contar as histórias do monstro. Toda a sua atmosfera se adequa na perfeição ao Outono.





Crooked House de Agatha Christie, 1947
"A numerosa família Leonides vive numa estranha mansão nos subúrbios de Londres, sob o olhar protector, e um tanto controlador, do patriarca Aristide Leonides. Quando o velho milionário é assassinado, deixa para trás uma longa lista de suspeitos, encabeçada pela própria viuva, cinquenta anos mais nova do que ele."
Para mim, mistérios funcionam muito bem em conjunto com mantas e bebidas quentes e, por isso, não podia deixar de vos sugerir um. A Casa Torta é um livro da Agatha Christie em que o investigador não é nenhum dos seus detectives famosos, mas nem por isso deixa de resultar (é aliás um dos meus favoritos dela). É um livro com um desfecho forte e que gira em torno de uma única família peculiar. É fácil de ler, prende facilmente a atenção e é um livro muito atmosférico e tenso.



Far from the madding crowd de Thomas Hardy, 1874
"Narra a história de Gabriel Oak e da sua grande paixão pela bela, independente e enigmática Bathsheba Everdene, que chegou a Weatherbury como herdeira de uma vasta propriedade rural. Mas a jovem é também pretendida pelo sedutor sargento Troy e pelo respeitável agricultor de meia-idade Boldwood. Ao mesmo tempo que os destinos destes três homens dependem da escolha de Bathsheba, ela descobre as terríveis consequências do seu coração inconstante."
Longe da multidão é um clássico romântico do século XIX, cujas descrições das paisagens rurais e atmosfera combinam na perfeição com o Outono. A escrita de Thomas Hardy é poética e descritiva, por vezes até um pouco demais, o que leva a que esta seja uma leitura mais lenta que se vai saboreando devagar. Livro perfeito para se ler com calma e com uma chávena de chá a acompanhar. Vale a pena ver também as suas duas adaptações cinematográficas (1967 e 2015).


Northanger Abbey de Jane Austen, 1818
"Durante uma temporada em Bath, a jovem e ingénua Catherine Morland conhece pela primeira vez a sociedade mundana. Fica deliciada com os seus novos conhecimentos: a sedutora Isabella, que apresenta a Catherine os prazeres dos romances góticos, e os sofisticados Henry e Eleanor Tilney, que a convidam a visitar a casa do seu pai, a Abadia de Northanger. Ali, influenciada pelos romances de terror e mistério, Catherine começa a imaginar terríveis crimes cometidos pelo General Tilney, arriscando a perda da afeição de Henry. E terá então de aprender a diferença entre ficção e realidade, amigos verdadeiros e falsos. "
A Abadia de Northanger é um livro clássico que funciona como uma espécie de sátira à literatura gótica, que é um género que combina muito bem com esta altura do ano. Catherine Morland é uma protagonista muito imaginativa e os seus exageros tornam o livro muito atmosférico e misterioso. É, para mim, um dos livros mais acessíveis de Jane Austen visto que é bastante curto e divertido. 


The remains of the day de Kazuo Ishiguro, 1989
"Durante um passeio pelo campo, após trinta anos de serviço em Darlington Hall, Stevens, o mordomo perfeito, reflecte sobre o passado, sobre as relações que tinha com os vários elementos da casa e sobre o homem que serviu - Lord Darlington. Mas as recordações suscitam-lhe dúvidas quanto à verdadeira «grandeza» de Lord Darlington e dúvidas ainda mais graves quanto à natureza e ao sentido da sua própria vida."
Os Despojos do dia é um livro que eu adoro, um estudo psicológico escrito quase que como num fluxo de consciência e por um narrador não fiável. Tem um tom melancólico e muito trágico, que se adequa muito bem ao Outono. É uma história que nos faz reflectir nas repercussões das escolhas que fazemos ao longo da nossa vida. Recomendo muito também a adaptação cinematográfica com Anthony Hopkins e Emma Thompson.





The Bletchley Circle, 2012-2014
Código do crime é uma série com duas temporadas, cada uma com 3/4 episódios, que decorre em Inglaterra nos anos 50. Quatro amigas que trabalharam durante a II Guerra Mundial em Bletchley Park a quebrar os códigos usados pelos militares alemães, voltam a juntar-se para investigar uma série de assassinatos não resolvidos em Londres. Period dramas são sempre óptimas escolhas para esta altura do ano e a primeira temporada desta série é, sem dúvida, uma boa opção (para mim a segunda não resulta tão bem). Acho que há algo de muito apelativo numa investigação à moda antiga...sem computadores, com muita papelada, análise de padrões e deduções perspicazes. É isso que esta série oferece juntamente com quatro personagens femininas fortes e diferentes entre si.


Over the garden wall, 2014
Over the garden wall é uma minissérie de animação com 10 episódios que nos conta a história de dois irmãos que se encontram perdidos num bosque e que estão a tentar arranjar uma maneira de regressar a casa. Pelo caminho, eles vão conhecendo vários locais e personagens bem estranhas. Eu adoro esta série! Parece um conto de fadas bizarro que consegue misturar bem o negro com o doce. Tem vários momentos musicais muito bons, excelentes interpretações (destaque para o Elijah Wood enquanto Wart, o pessimista adorável) e visualmente é lindíssima. A animação, com os seus tons terra, e os vários elementos da história têm tudo a ver com o Outono.


The living and the dead, 2016-
The Living and the dead é uma série da BBC com apenas uma temporada de 6 episódios. Decorre em Inglaterra, no final do séc. XIX, e conta-nos a história de um casal que herda uma quinta e que está determinado a que esta tenha novamente sucesso. Infelizmente, uma série de acontecimentos sobrenaturais começa a ameaçar a relação do casal e tudo aquilo para o qual eles trabalharam. O seu cenário rural, as superstições e folclore tornam esta numa série perfeita para o Outono. É também visualmente muito bonita e tem uma banda sonora muito boa. Apesar do rumo final da série não ser o melhor, vale a pena ver pela atmosfera dos primeiros episódios.



E vocês? 
Quais as vossas sugestões de Outono?


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