«The Spy», «Years and Years» & «Unbelievable»

terça-feira, 19 de novembro de 2019

Hoje venho falar de 3 séries que vi nos últimos meses. Duas delas são da Netflix e uma da HBO, mas todas elas são séries que recomendo muito. Duas delas estrearam em Setembro deste ano - "Unbelievable" e "The spy" - e "Years and Years" estreou em Maio.

The spy é uma minissérie original da Netflix que conta a história real do espião israelita Eli Cohen em 6 episódios. Decorre na década de 60 e segue o percurso de Eli Cohen desde que este é recrutado pela agência de inteligência israelita, para se infiltrar na alta sociedade da Síria, até ele ser descoberto e punido. Esta foi uma série que me surpreendeu bastante e que eu acho que passou um pouco despercebida. É uma história politicamente e humanamente rica, especialmente porque vamos alternando entre a vida animada de Eli enquanto Kamel Amin Thaabet, um grande empresário sírio que se diverte em grandes festas e convive com os ricos e poderosos de Damasco, e a sua vida real em Tel-Aviv junto da sua esposa Nadia que não sabe o que o marido faz. Ao longo da série, vamos vendo como Eli tem cada vez mais dificuldade em separar as duas identidades perdendo até um pouco o controlo da situação e, neste ponto, há que elogiar a óptima interpretação de Sacha Baron Cohen, um actor que nos habituou nos seus papéis cómicos, mas que aqui convence e brilha enquanto um homem dividido e em conflito consigo mesmo.
De certo modo, esta é uma série que me faz lembrar um pouco os filmes de James Bond, com as suas técnicas de infiltração, espionagem e glamour. Não tem um ritmo acelerado e imensas cenas de acção mas não deixa de ser tensa, emotiva e intrigante. Historicamente, não é 100% correcta mas dá-nos uma ideia geral do homem e do período histórico. Em termos de fotografia, cenários e guarda-roupa a série está também de parabéns! Recomendo para quem gosta de séries de suspense e intriga política. 🌟🌟🌟🌟


Years and Years é uma minissérie britânica, produzida em parceria com a BBC, composta por seis episódios. Esta tem início em 2019, num ano em que uma comentadora política do Reino Unido (Emma Thompson) faz fortes declarações num debate televisivo e a família Lyons se reune mais uma vez para celebrar o aniversário da avó. Ao longo dos episódios, vamos acompanhando a evolução desta família ao longo dos anos bem como todos os desenvolvimentos políticos e sociais que vão ocorrendo.
Esta é uma série que apresenta um futuro distópico muito possível, tendo em conta o panorama actual, e é assustador e perturbador. Aborda questões políticas e sociais tais como, a imigração, as crises de bancos, a globalização, o desenvolvimento de novas tecnologias, as difíceis relações ente países, etc. Ao mesmo tempo, não deixa de ser uma história sobre laços e dinâmicas familiares, muito envolvente e com uma forte carga emocional (especialmente um certo episódio).
Confesso que não a adorei a 100% porque existiram alguns momentos que me soaram um pouco forçados e pouco convincentes, especialmente no episódio final, mas nem por isso deixo de acreditar que esta é uma série extremamente pertinente e que todos deviam ver. É provocadora e dá-nos que pensar. 🌟🌟🌟🌟


Unbelievable é baseada em factos reais e inspirada num artigo vencedor do Prémio Pulitzer de jornalismo em 2016. A minissérie de oito capítulos conta a história da jovem Marie Adler, 18 anos, que contou à polícia que um desconhecido invadiu o seu apartamento, ameaçou-a e violou-a. No entanto, os detetives (todos homens) duvidam do seu relato e começam a pressioná-la de tal maneira que a levam a ter dúvidas e ela acaba mesmo por negar ter sofrido o ataque. Alguns anos depois, duas detectives vão desvendar o que realmente aconteceu e encontrar o culpado.
Esta série foi uma surpresa bastante agradável que eu comecei a ver um pouco por acaso mas que facilmente captou a minha atenção.
É uma série pouco vistosa, por vezes até crua e fria, mas que, desse modo, acaba por soar mais autêntica e transmitir bem a dureza de certas cenas. Preocupa-se mais em ser realista e honesta do que em entreter ou chocar. Mostra não só o trauma que uma violação traz, mas também todo o processo difícil ao qual a vítima é sujeita depois - todas as descrições repetidas nos interrogatórios, os exames no hospital ou o julgamento da sociedade. É realmente um assunto delicado que é abordado com muita sensibilidade e rigor. No entanto, aquilo que para mim fez a série bilhar foram as interpretações. Toni Collette está muito bem mas confesso que quem me impressionou imenso foi Merritt Weaver, uma actriz que não conhecia. Ela trouxe imensa sensibilidade, carisma e calor à sua personagem. A jovem Kaitlyn Dever tem um papel dificílimo mas esteve à altura.
O primeiro episódio é provavelmente o menos impressionante mas insistam porque vale a pena! É um drama sobre crimes sexuais que promove a reflexão e a empatia. 🌟🌟🌟🌟1/2




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