O que andei a ver neste Inverno

quinta-feira, 30 de março de 2023


Na publicação de hoje venho partilhar com vocês as minhas impressões sobre as séries que vi nestes últimos meses de Inverno. A maior parte delas são miniséries uma vez que dou sempre preferência a histórias que eu sei que têm princípio, meio e fim.


Andor (2022-) é uma série de 12 episódios que funciona como uma prequela do filme "Rogue One", tendo como protagonista Cassian Andor (Diego Luna). Nesta história, acompanhamos a jornada de Cassian desde o seu anonimato até se tornar um herói rebelde, bem como o papel de mais alguns intervenientes importantes na luta contra o Império. 
Esta foi uma série que me surpreendeu pela positiva. Apesar de ter lugar no universo de Star Wars, tem mais uma vibe de série de intriga política, repleta de perigo e tensão. É uma série com um ritmo pausado mas com momentos realmente marcantes e impactantes. Acredito que não será uma série para todos mas é muito o meu estilo. Disponível na Disney +. 🌟🌟🌟🌟


Black Bird (2022) é uma minissérie de 6 episódios produzidos pela Apple Tv. Conta a história de Jimmy Keene, interpretado por Taron Egerton, que é condenado por tráfico de drogas a 10 anos de cadeia. Para ver a pena reduzida, ele aceita ir para uma prisão de segurança máxima com o objectivo de se tornar amigo de um alegado assassino em série, Larry Hall (Paul Walter Hauser), e descobrir onde este enterrou os corpos de várias raparigas antes de o recurso de Hall ser aprovado. 
Esta foi uma série que me chamou a atenção quando foi nomeada para os Golden Globes. É uma série de true crime bastante envolvente e que se destaca sobretudo pelas suas interpretações. Hall é um assassino bastante peculiar e Hauser está impressionante enquanto ele. Não admira que tenha ganho o Golden Globe para melhor actor secundário em minisséries. 🌟🌟🌟1/2



Slow horses (2022-) é uma série baseada numa série de livros policiais de Mick Herron. Esta segue uma equipa de agentes secretos britânicos que trabalham numa sede abandonada do MI5, a Slough House. Gary Oldman é Jackson Lamb, o brilhante mas irascível líder dos espiões que acabaram na Slough House após cometerem graves erros nas suas carreiras. O nosso protagonista é River Cartwright (Jack Lowden) que acredita que é demasiado competente para estar na Slough House e quer provar o seu valor. 
Eu adoro dramas de espionagem e sinto que é algo que já não é muito popular hoje em dia. Como tal, tinha de experimentar esta série e até agora conseguiu captar a minha atenção. Estão disponíveis duas temporadas e até agora vi a primeira.  É uma série com mistérios intrigantes, uma boa dose de humor e uma interpretação fantástica de Gary Oldman a não perder. 🌟🌟🌟🌟



Sul (2019) é uma minissérie policial portuguesa com 9 episódios. Acompanhamos o inspector Humberto e a sua colega Alice que investigam a morte de duas mulheres que foram encontradas afogadas no rio e dadas como casos de suicídio. 
Esta foi uma série que acabei por não conseguir ver na altura em que deu na televisão e que vi então recentemente através da RTP Play. É uma série competente, com uma história interessante e uma boa dose de mistério mas é também algo lenta e previsível nalguns momentos. Visualmente, é bastante apelativa e conta com boas interpretações. É uma série policial bastante sólida, especialmente tendo em conta que é ficção nacional. 🌟🌟🌟


2022 foi para mim o ano de The Wire! Sempre tinha ouvido falar que esta era uma das séries mais subestimadas de sempre e realmente tenho de concordar. Em 2022, vi as 5 temporadas deste drama policial e não há uma única má temporada! Série viciante, com enredos políticos e sociais muito bem construídos e personagens inesquecíveis. Recomendo vivamente! We own this city (2022) é uma minissérie policial de 6 episódios da HBO produzida por David Simon, o mesmo produtor de The Wire. Além disso, conta com alguns dos actores que vimos também em The Wire e decorre também em Baltimore. Como tal, são inevitáveis as comparações. Apesar de não ter a mesma excelência da série original, é também uma minisérie interessante que vale a pena por si só. 
Esta é baseada em eventos reais que decorreram na cidade de Baltimore em 2015. Motins irromperam pela cidade e os cidadãos exigiam justiça pela morte de Freddie Gray, um negro de 25 anos morto em circunstâncias suspeitas sob custódia policial. Ao mesmo tempo, as drogas e e crimes violentos aumentavam. A pressão do presidente da câmara e uma investigação federal sobre a morte de Gray levam os comandantes da polícia a apostar no Sargento Wayne Jenkins e na sua unidade de elite, a Gun Trace Task Force, para tirar armas e drogas das ruas. No entanto, por detrás destes novos esforços, desenrolava-se uma conspiração sem precedentes.
Esta é uma história que não é contada de forma linear, saltitando constantemente entre várias linhas temporais. Confesso que ao início achei bastante confuso mas fui-me habituando e acho que tem um objectivo que faz sentido. Tal como em The Wire, o enredo está bem construído e há bastante intriga política e tensão. Vi-a rapidamente e recomendo-a para quem gosta de séries policiais mais negras que retratam bem a realidade das forças policiais e políticas. 🌟🌟🌟1/2


E vocês? 
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Sugestões de Primavera

sábado, 25 de março de 2023


A Primavera começou há um par de dias e, portanto, achei que seria apropriado trazer-vos as minhas já habituais recomendações sazonais. Desta vez, trago-vos 5 filmes, 4 combinações de livros e suas adaptações, 4 clássicos infantis, 3 livros e 3 séries de tv que combinam com esta estação do ano. Tentei optar por histórias leves, confortáveis e divertidas.



Bright star, 2009
Estrela Cintilante é um drama de época biográfico, baseado no romance do jovem poeta inglês John Keats (Ben Whishaw) e da sua vizinha Fanny Brawne (Abbie Cornish). Apesar de terem muito pouco em comum, - ele um poeta romântico, ela uma estudante de moda pouco dada à literatura - a grave doença do irmão mais novo de John aproxima-os. Essa amizade, rapidamente transforma-se num amor sem limites, com toques finais trágicos.
Esta é uma história de amor doce e trágica que se foca na dificuldade do amor triunfar num período onde o que importava era o estatuto social. Apesar da personagem de Abbie ser um pouco fria demais, Keats é interpretado de forma brilhante por Ben Whishaw que consegue transmitir bem a melancolia e ternura do poetaO filme é visualmente lindíssimo e conta com cenas na Natureza maravilhosamente filmadas. Poesia & Natureza & Amor parece uma combinação perfeita para a Primavera.


Captain Fantastic, 2016
Capitão Fantástico conta a história de uma família invulgar - um pai idealista e dedicado, sente-se feliz por criar os seus seis filhos menores fora da civilização moderna e mais próximos do que a natureza tem para oferecer, seguindo uma educação rigorosa, quer a nível físico como intelectual. No entanto, uma tragédia obriga-os a abandonar o seu paraíso e a regressar à civilização, tendo por isso de enfrentar todos os problemas e dificuldades que tal mudança irá provocar .
Este é um filme ternurento e provocador ao mesmo tempo, que procura levar-nos a pensar sobre educação, sociedade e família. Óptimas interpretações de todo o elenco e a parte inicial na floresta não podia combinar melhor com a Primavera. Destaque ainda neste filme para a banda sonora, a fotografia maravilhosa e a riqueza do guarda-roupa

Midsommar, 2016
Midsommar - o ritual não é um filme fofo mas sim um filme de terror pagão. No entanto, toda a estética não podia ser mais primaveril! Conta a história de um jovem casal que viaja até à Suécia para visitar a cidade natal de um amigo e participar nas festividades tradicionais. Mas o que começa como um retiro idílico rapidamente passa a ser uma competição violenta e bizarra às mãos de um culto pagão.
É um drama psicológico pontuado por momentos violentos e perturbadores que explora temáticas de família, relações interpessoais e dificuldades em lidar com a dor e ansiedade, especialmente quando não se tem um forte sistema de apoio. É um filme um pouco bizarro que mistura humor com tensão e conta com uma grande interpretação de Florence Pugh. 

Minari, 2020
Minari é um filme que decorre na década de 80 e segue uma família americana de ascendência coreana que se muda da Costa Oeste para uma zona rural do Arkansas, deparando-se um novo ambiente e um estilo de vida diferenteA mãe, Monica, fica horrorizada por morarem numa casa móvel no meio do nada e o pequeno e travesso David e a sua irmã estão entediados e sem rumo. Enquanto isso, o pai Jacob, determinado a criar uma fazenda em solo inexplorado, coloca em risco as suas finanças, o seu casamento e a estabilidade da família.
Este é um filme super ternurento, com um toque quase onírico e longos shots naturalistas. É um filme sobre raízes, família e sonhos, que vale a pena pela sua sensibilidade e interpretações. Drama familiar universal que conquista pelo seu ritmo suave e uma abordagem subtil mas emotiva.


Peau d'âne, 1970
A princesa com pele de burro é um filme francês que conta a história de uma princesa que é ajudada pela fada madrinha a fugir do pai que deseja casar com ela. Para se disfarçar e passar por uma pessoa do povo, a princesa usa a pele de um burro. Este é um musical realizado por Jacques Demy e, como tal, é um filme extremamente colorido, com uma estética original e um magnífico guarda-roupa. A história é bastante fiel ao conto original de Perrault, o que significa que possui magia e alguns elementos/pormenores mais loucos, típicos dos contos de fadas.




A room with a view de E.M.Forster, 1908 (filme de 1985)
Um quarto com vista é uma novela curta que tem como protagonista Lucy Honeychurch, uma jovem que se encontra em Florença de férias com a sua prima Charlotte. Aí vai conhecer os Emmerson, um pai e filho com ideias diferentes das que ela está habituada e que a vão impressionar. De volta a Inglaterra, ela vai começar a questionar o seu noivado.
O livro é delicado e com um humor irónico subtil. Procura criticar as convenções rígidas da sociedade inglesa e evidenciar a emancipação feminina que começava a despoletar na altura. As descrições de Itália, da arte e o seu tom combinam muito bem com a Primavera. O filme conta com Helena Boham Carter, Daniel Day-Lewis e Maggie Smith e visualmente é belíssimo. Pessoalmente, até gostei mais do filme do que do livro mas recomendo ambos (tenho de reler o livro!). 

Black beauty de Anna Sewell, 1877 (filme de 1994)
Beleza negra é um clássico infanto-juvenil que conta a história de vida de um cavalo. Acompanhamos os seus altos e baixos, tudo narrado a partir do seu ponto de vista. É uma história enternecedora e comovedora, que vale a pena tanto em livro como na adaptação de 1994, que conta com Sean Bean e David Thewlis.

Emma de Jane Austen, 1815 (filme de 2020)
Qualquer livro de Jane Austen combina bem com a Primavera mas uma das cenas mais importantes de Emma decorre durante um piquenique por isso acabo sempre por associar mais este livro à estação do que os outros. Além disso, a mais recente adaptação é tão colorida, vibrante e florida que é inevitável não optar por esta recomendação dupla. 
A protagonista é Emma Woodhouse, uma jovem rica, bonita e mimada que não tem rival na sua pequena e adormecida cidade. No entanto, ao longo da história ela tem de se aventurar por equívocos e erros românticos para encontrar o amor e amadurecer.

The Secret Garden de Frances Hodgson Burnett, 1911 (filme de 1993)
Este, para mim, é o clássico infanto-juvenil primaveril por excelência! Afinal, toda a história gira em volta de um jardim abandonado que é necessário recuperar. A amizade que se estabelece entre as 3 crianças é adorável e é interessante ver a evolução da nossa protagonista ao longo do tempo. Aliás, a história é, essencialmente, sobre o poder regenerador da Natureza e o valor das segundas oportunidades. O filme era um dos meus preferidos em criança e foi através dele que conheci, pela primeira vez, a actriz Maggie Smith (professora McGonagall de Harry Potter). 
O jardim secreto conta a história de Mary Lennox que depois da morte dos seus pais na Índia, vai viver para a enorme mansão do seu tio, nas imensas e solitárias charnecas do Yorkshire. Aí descobre um jardim secreto abandonado que decide fazer reviver com ajuda do seu amigo Dicken e do seu primo doente.




Alice's adventures in wonderland de Lewis Carroll, 1864
Alice no País das Maravilhas conta a história de Alice que, ao perseguir o Coelho Branco, cai numa toca muito funda e vai ter ao País das Maravilhas onde conhece muitas personagens extravagantes. Não é a leitura mais fácil, devido aos imensos trocadilhos e carga altamente simbólica, mas vale a pena. Procura transmitir o mundo dos adultos visto do ponto de vista das crianças, como ele pode parecer louco e surreal com todas as suas regras e responsabilidades. 

Anne of green gables de L.M. Montgomery, 1908
Ana dos cabelos ruivos conta a história de uma menina órfã, que é enviada a um irmão e irmã idosos por engano e acaba por encantar a sua nova casa e comunidade com o seu espírito e imaginação ardente. Esta é uma bonita história coming of age, cheia de vida, doce e divertida. A Anne, além de super imaginativa e sonhadora, tem uma energia, uma curiosidade e optimismo contagiantes. O livro decorre na ilha Prince Edward no Canadá, no fim do século XIX, e o ambiente local combina na perfeição com a Primavera.

The wind in the willows de Kenneth Grahame, 1908
O vento nos salgueiros conta a história de um grupo de amigos que vivem na margem de um rio. O Toupeira, o Rato, o Sapo, o Texugo e o Lontra levam uma vida tranquila, mas discutem sobre a necessidade de abandonar o lar e viver excitantes aventuras. Uma fábula sobre a amizade e solidariedade, com uma atmosfera idílica e pitoresca muito primaveril.

Watership down de Richard Adams, 1972
Era uma vez em Waterhsip down conta a história de Fiver, um coelhinho com visões premonitórias que sonha com a destruição massiva da sua colónia. Levados pelo medo e pela coragem, um grupo de coelhos decide então abandonar a colónia e iniciar uma longa jornada em busca de um novo lar. Apesar de este ser considerado um clássico juvenil, este não é um livro fofinho para crianças mas sim um livro para toda a gente. É um livro emocionante, com bastante aventura e peripécias. Ilustra bem uma sociedade, com diferentes tipos de personalidades, que luta pela sobrevivência e liberdade.



I capture the castle de Dodie Smith, 1948
Este livro conta a história, sob a forma de um diário, de Cassandra Mortmain e da sua extraordinária família que vive num castelo em ruínas. A vida destas personagens é abalada com a chegada dos novos vizinhos vindos da América. A nossa protagonista é Cassandra e ela é uma narradora muito divertida e querida. Aliás, todas as personagens são bem cativantes, diferentes entre si e todas um pouco excêntricas à sua maneira. O próprio castelo onde vivem é mais do que um mero cenário, é outra personagem do livro com um papel importante na narrativa e que confere uma atmosfera muito peculiar e única à história. Esta é uma leitura ternurenta e confortável que nos deixa de bom humor.

The forgotten garden de Kate Morton, 2008
O jardim dos segredos conta três histórias em paralelo: em 1913 uma criança é encontrada só num barco que se dirigia à Austrália; no seu 21.º aniversário, Nell Andrews descobre algo que mudará a sua vida para sempre e que a leva a viajar até à costa da Cornualha e à bela e misteriosa Mansão Blackhurst; após o falecimento de Nell, a sua neta Cassandra depara-se com uma herança supreendente - a Casa da Falésia e o seu jardim abandonado. Apesar de andarmos sempre a saltar entre personagens, épocas diferentes e locais diferentes, a autora consegue interligar todas estas perspectivas de uma forma muito eficaz e cativante.
A história está repleta de mistérios e segredos de família misturados com uma atmosfera sonhadora e de contos de fadas. A escrita é acessível e tem um bom ritmo tornando a leitura extremamente fluida e quase viciante. 

Middlemarch de George Eliot, 1871
Este é um clássico victoriano que decorre na cidade fictícia de Middlemarch, durante o período de 1830-1832, e acompanha várias pessoas, casais e núcleos familiares. Funciona quase como um estudo da vida provinciana, debruçando-se sobre várias temáticas: arte, religião, ciência, política, sociedade e relações humanas. De facto, é um livro com uma forte análise psicológica e social, com a escrita da autora a ter um tom quase instructivo.
A leitura não é das mais acessíveis visto que temos aqui um calhamaço com mais de 650 páginas e muitas histórias em paralelo, mas no final é recompensadora. A atmosfera da história é muito primaveril, tendo em conta o seu pano de fundo rural. Recomendo para se ler com calma ao longo da estação.




All creatures great & small, 2020-
Veterinário de provincía é uma série que está disponível na Disney Plus e conta já com 3 temporadas. Baseada no livro com o mesmo nome, esta é a história de um jovem veterinário que chega aos campos rurais de Yorkshire para trabalhar pela primeira vez e decorre durante a década de 40. É uma série leve e divertida, muito focada no quotidiano de uma pequena aldeia e das suas pessoas. Óptimo para a Primavera pelo foco na Natureza e nos animais.


The Dark Crystal: age of resistance, 2019
O Cristal Encantado: a era da resistência funciona como uma prequela do filme de 1982 com o mesmo nome, do criador Jim Henson. É uma série que expande o universo criado pelo filme e é visualmente lindo, mantendo o encantamento do estilo das marionetas originais. A história segue três Gelfling que descobrem um segredo terrível por detrás do poder dos Skeksis e iniciam uma viagem épica para inspirarem e instigarem uma rebelião de modo a salvarem o seu mundo de Thra. O mundo construído é deslumbrante e mágico mas não deixa de ser negro e traiçoeiro ao mesmo tempo. O mundo natural tem uma importância muito grande na história e para as personagens daí ser uma recomendação primaveril. É uma pena que só tenham apostado numa temporada. Maldita Netflix!

Lark Rise to Candleford, 2008-2011
Série britânica que adaptou a trilogia de livros com o mesmo nome. Conta a história de um conjunto personagens, uns que vivem numa aldeia pequena - Lark Rise - e outros numa vila maior - Candleford, que acreditam que o seu estilo de vida é o melhor. Foca-se sobretudo em Laura Timmins que muda-se de Lark Rise para Candleford, para trabalhar como aprendiz no posto dos correios. É um period drama com personagens memoráveis, uma atmosfera aconchegante e um ambiente rural pitoresco e bucólico.



E vocês? 
Quais as vossas sugestões de Primavera?


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«A Dama das Camélias» & «Madame Bovary»

sábado, 18 de março de 2023

Estou de volta com mais algumas "opiniões perdidas". Desta vez, trago a opinião de dois livros clássicos franceses que li há alguns anos atrás. 



Este clássico francês foi publicado, pela primeira vez, em 1858 e eu li-o há cerca de 5 anos atrás.
Conta a história de um romance complicado entre Marguerite, uma famosa cortesã de luxo, e Armand, um jovem estudante de Direito com escassos recursos financeiros. Tem por base uma história real, sendo uma obra com um forte cunho autobiográfico visto que o próprio Alexandre Dumas filho teve um caso com uma cortesã que não acabou muito bem devido a problemas financeiros.
Esta é uma obra muito famosa que já foi adaptada muitas vezes para o cinema (ex: Moulin Rouge). e que inspirou também a criação da ópera La Traviata de Verdi.
Esta foi a minha primeira experiência com uma obra do filho e revelou-se positiva. O livro é curtinho, com cerca de 200 páginas, e foi uma leitura muito fluida e bastante acessível. Também ajuda o facto da escrita do autor ser poética mas, ao mesmo tempo, simples e directa.
O livro foca-se essencialmente num romance e, apesar de eu não ser uma grande fã de livros românticos e histórias melosas, acabei por gostar da relação que foi retratada nesta história. É verdade que é um romance com um sentimentalismo exacerbado mas, mesmo assim, consegue soar bastante autêntico por estar assente em problemas reais. De facto, contratempos realísticos, tais como, dificuldades financeiras, oposição da família e desaprovação da sociedade, acabam mesmo por ter um impacto neste relacionamento. Gostei também muito de como os dois elementos do romance encaram o relacionamento de forma diferente. Armand é muito mais emotivo e passional enquanto que a Marguerite é muito mais pragmática e "terra a terra".
O livro funciona também como uma crítica à sociedade francesa da época, evidenciando a sua hipocrisia, oportunismo e moralidade oca. Há também um bom retrato da opulência dos ricos e da decadência dos pobres. Além disso, retrata bem a descriminação que as cortesãs sofriam e, que no fundo, ainda sofrem. Logo no início do livro, o autor diz que não quer que o livro funcione como uma apologia da prostituição e do vício mas quer chamar a atenção para as dificuldades que as cortesãs enfrentavam e de quão fácil era para os outros julgar estas mulheres. De facto, um homem que tivesse um relacionamento com uma cortesã era bem visto pela sociedade mas a mulher em si era julgada e descriminada. Há realmente uma grande preocupação do escritor em humanizar as cortesãs.
Outro ponto forte do livro é o seu estilo narrativo - temos aqui uma história dentro de uma história. Começamos o livro com a informação de que Marguerite está morta. Morreu, deixando muitas dívidas, e começamos então com a descrição de um leilão dos bens da sua antiga casa para cobrir estas dívidas. O nosso narrador, que é basicamente o escritor em si, vai a esse leilão e compra um livro que tem no seu interior uma dedicatória do Armand. A dedicatória impressiona de tal forma o narrador que este quer conhecer o Armand e saber mais sobre o seu relacionamento. É então o Armand que lhe conta depois a história do amor do casal. Acabamos assim por ter duas linhas temporais e eu gostei muito deste estilo de narração.
Concluindo, esta foi uma leitura bastante agradável que, apesar de não ter uma história muito muito original para os dias de hoje, foi importante na sua época. Existem vários momentos tocantes ao longo do livro e conquistou-me pela escrita, críticas e retrato das cortesãs da época. Recomendo especialmente para quem não costuma ler clássicos. É uma leitura acessível para quem se quer iniciar neste tipo de livros. 🌟🌟🌟🌟



Este foi, provavelmente, o primeiro clássico francês que li, há cerca de 7, 8 anos atrás.
A nossa protagonista é Emma, uma jovem nascida no seio de uma família da pequena burguesia, que foi criada no campo e aprendeu a ver a vida através da literatura sentimental. Bonita e requintada para os padrões provincianos, acaba por se casar com Charles, um médico de província tão apaixonado pela esposa quanto entediante. Nem mesmo o nascimento da filha dá alegria ao casamento, a que Emma se sente presa, e busca então no adultério uma forma de encontrar a felicidade e a liberdade. Revoltada com a sua vida, Emma perseguirá os seus sonhos, com consequências trágicas.
Este livro foi publicado em 1856 , demorou cerca de 5 anos até estar pronto(!) e é considerado o primeiro clássico da literatura realista. Após a sua publicação gerou um forte impacto e Flaubert chegou a ser julgado por imoralidade. Assim, podem deduzir que o livro aborda temáticas sensíveis para a época, tais como, adultério, crítica à burguesia e ao clero.
Para mim, esta não foi uma leitura muito fluida e rápida de se ler. O autor recorre muito à descrição de locais e pessoas, tendo alguma tendência para divagar em certos momentos. Esta riqueza dos detalhes acaba por conferir um ritmo lento e, por vezes entediante, à leitura. De facto, não conectei muito com o estilo de escrita do autor mas, mesmo assim, apreciei a leitura por causa da história em si e da mensagem que transmite.
O livro apresenta um enredo simples, realista e com personagens humanamente imperfeitas, cheias de defeitos e falhas de carácter. A pior de todas é Emma, a personagem principal, que é fútil, egoísta e uma eterna insatisfeita. É muito fácil odiá-la (principalmente pelo modo como ela trata o marido) mas, por vezes, senti alguma certa empatia por ela pois vive presa a uma vida medíocre, de certo modo imposta pela sociedade, e entra facilmente em depressão. Realmente, é visível que uma das preocupações de Flaubert era retratar de forma verdadeira a sociedade da época, principalmente as suas partes menos positivas. A própria personagem da Madame Bovary funciona como uma crítica ao movimento romântico.
Resumindo, gostei do livro essencialmente por ser uma história realista e que ainda se aplica aos dias de hoje. Ainda há pessoas que estão sempre insatisfeitas com o rumo da sua vida e que a desperdiçam com fantasias ou usam o consumo desenfreado como terapia.
É um clássico que pretendo reler no futuro mas sinto que talvez Flaubert não seja para mim. 🌟🌟🌟




E vocês? Já leram algum destes livros?
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OSCARS 2023 | As minhas previsões e escolhas

sábado, 11 de março de 2023


Amanhã é dia de cerimónia de entrega dos Óscares. Mais uma vez resolvi aventurar-me e prever os vencedores de várias categorias. Aqui ficam as minhas previsões e quais são os filmes que eu gostava que ganhassem.


Vi muitos dos filmes nomeados (opiniões de todos eles aqui) mas mesmo assim ficaram por ver alguns que me interessam: "Living", "Women talking", "The whale" e "Aftersun". Espero vê-los no futuro.


Este ano consegui ver 8 dos 10 nomeados! Não consegui ver ainda o "Women talking" e não estou interessada em ver o "Avatar: the way of water".  Desde que "The Fabelmans" não vença fico feliz.
Gostava que ganhasseThe Banshees of Inisherin (o meu preferido de todos sem dúvida)
Vai ganharEverything, everywhere, all at once (não me conquistou mas percebo o seu apelo)


Gostava que ganhasseMartin McDonagh ou Todd Field 
Vai ganharThe Daniels 


Gosto muito de todos os actores desta categoria! No entanto, ainda só vi 2 dos filmes dos nomeados - "The Banshees of Inisherin" e "Elvis". Espero este ano ainda conseguir ver os outros filmes. 
Gostava que ganhasse: Austin Butler ou Colin Farrell. 
Vai ganhar: Acho que esta é uma categoria renhida e é possível que um dos três ganhe: Brendan Fraser, Austin Butler ou Colin Farrell. Ainda não vi o "The Whale" mas acredito que o prémio irá, no final, para Brendan Fraser.


Esta categoria, para mim, resume-se a duas actrizes: Michelle Yeoh e Cate Blanchett. Duelo de titãs. Não vi "To Leslie" nem "Blonde" (confesso que não tenho interesse em nenhum dos filmes). Irei ficar horrorizada se Michelle Williams ganhar pois não gostei nada da sua interpretação.
Gostava que ganhasse: Cate Blanchett. Ela está fenomenal no filme.
Vai ganhar: Michelle Yeoh. Cate Blanchett já tem um Óscar; acho que vão recompensar esta actriz pela sua fantástica carreira e, ao mesmo tempo, optar pela diversidade.


Destes, só não vi o filme "Causeaway". Confesso que a nomeação do Judd Hirsch me surpreendeu; é um papel tão pequeno e que não me impressionou particularmente.
Gostava que ganhasse: Barry Keoghan ou Ke Huy Quan. Adorei os dois.
Vai ganhar: Ke Huy Quan. Ele é o melhor do filme.



Não vi os dois primeiros filmes logo não posso julgar as suas interpretações. Confesso que não me agradaram particularmente as interpretações das duas actrizes nomeadas pelo filme "Everything (...)", especialmente Stephanie Hsu.
Gostava que ganhasse: Kerry CondonNão acho que seja particularmente merecedora do Óscar mas foi a minha nomeada preferida das que vi.
Vai ganhar: Angela Basset


Destes 5 filmes só não vi o "Turning red". Gostei de todos eles!
Gostava que ganhasse: Pinocchio
Vai ganhar: Pinocchio. 


Só vi ainda os dois primeiros filmes mas quero muito ver os outros três!!
Gostava que ganhasse: "Argentina 1985"
Vai ganhar: "All quiet on the western front"


Gostava que ganhasse: "The Banshees of Inisherin"
Vai ganhar: "The Banshees of Inisherin"


Gostava que ganhasse: "Living"
Vai ganhar: "Women talking"


Gostava que ganhasse:"Tár" ou "Elvis"
Vai ganhar: "All quiet on the western front"


Gostava que ganhasse:"Top Gun: Maverick"
Vai ganhar: "Avatar: the way of the water"


Gostava que ganhasse:"Elvis"
Vai ganhar: "Black panther: Wakanda forever"


Gostava que ganhasse:"The Batman"
Vai ganhar: "Elvis"


Gostava que ganhasse:"Hold my hand" do "Top gun: Maverick"
Vai ganhar: "Naatu Naatu" de "RRR" (um filme que também ainda não vi!)


Gostava que ganhasse:"The Banshees of Inisherin"
Vai ganhar: "Babylon"


Gostava que ganhasse:"Top Gun: Maverick"
Vai ganhar: "Top Gun: Maverick"


Gostava que ganhasse:"Elvis"
Vai ganhar: "All quiet on the western front"


Gostava que ganhasse:"Everything everywhere all at once"
Vai ganhar"Everything everywhere all at once"


Estou extremamente por fora das categorias de curtas e de documentários por isso não vou apostar em nenhuma. Vou estar apenas a torcer pela curta de animação portuguesa "Ice Merchants".



E vocês? Quais são as vossas apostas? 
Vão ver a cerimónia?


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