Sugestões de Verão

sábado, 10 de agosto de 2019

Hoje venho recomendar-vos 5 filmes, 4 livros e 3 séries de tv que eu acho que combinam com o Verão. Eu sei que o Verão já está a acabar mas acho que ainda vamos enfrentar muitos dias de calor, por isso, achei que ainda valia a pena. Conto fazer este tipo de publicação para os restantes estações do ano.


To catch a thief, 1955

Ladrão de casaca conta a história de um ex-ladrão (Cary Grant) que está a ser acusado falsamente de um roubo de jóias e que decide provar a sua inocência, descobrindo o verdadeiro culpado. Pelo caminho vai se apaixonar por uma americana rica (Grace Kelly). Este é um filme do realizador Hitchcock que mistura mistério com romance e que decorre na Riviera francesa repleta de paisagens magníficas. É um filme repleto de charme, especialmente graças a Grace Kelly, que combina na perfeição com uma noite quente de Verão.


Moonrise Kingdom, 2012
Moonrise Kingdom é um dos meus filmes preferidos do Wes Anderson. Conta a história de dois jovens de 12 anos, que se apaixonam e decidem fugir juntos para a mata, e dos grupos de pessoas que os procuram encontrar. É um filme que nos faz lembrar das nossas paixonetas de Verão e que mistura muito bem um tom divertido com um tom melancólico. A cinematografia é colorida e os cenários minuciosos, à la Wes Anderson. É um filme terno e nostálgico que nos deixa com um sorriso sonhador no final.


Little Miss Sunshine, 2006
Uma família à beira de um ataque de nervos conta a história de uma família disfuncional que faz uma viagem através do país para levar a filha mais jovem à final de um concurso de beleza. Verão é também sinónimo de família e energia positiva e este é um filme que representa bem esses dois aspectos. É um filme feel good e extremamente divertido de uma forma muito natural. É inevitável não nos identificarmos com algumas das pessoas e relações desta família disfuncional.


Sing Street, 2016
Sing street decorre na década de 80 em Dublin e acompanhamos um jovem que decide começar uma banda para conquistar uma rapariga e escapar aos seus problemas familiares. Verão é também sinónimo de festivais de música e, por isso, resolvi escolher um dos meus filmes musicais preferidos de sempre. É um filme coming of age que representa bem o escapismo que a música pode trazer. É extremamente engraçado acompanhar todo o processo criativo de criação de músicas mas é um filme que também conquista pela dinâmica das relações familiares. O filme consegue captar bem a atmosfera dos anos 80 e as músicas são óptimas.


Picnic at Hanging Rock, 1975
Piquenique em Hanging Rock é inspirado em factos reais e conta a história de um grupo de raparigas de um colégio que desapareceu, sem deixar rasto, durante um piquenique de Verão. Este é provavelmente o filme mais artístico dos cinco e menos focado no enredo. É um filme extremamente onírico e atmosférico. Este é um filme australiano do realizador Peter Weir que consegue captar bem a dicotomia e absurdidade do vestuário e regras de etiqueta no seio de uma paisagem e calor australiano. É um filme enigmático cujo objectivo não é dar-nos a resposta no final mas sim fazer-nos sentir como se estivessemos num sonho. Existe uma recente adaptação para série de TV mas não sei se é boa.





Catch 22 de Joseph Heller, 1961
"Passado em Itália durante a II Guerra Mundial, conta a história de um comandante de bombardeiros, um herói incomparável e matreiro, que está furioso porque milhares de pessoas que não conhece de lado nenhum querem matá-lo. Mas o seu verdadeiro problema não é o inimigo - é o seu próprio exército, que está sempre a aumentar o número de missões de voo que os homens têm de cumprir para completarem a sua comissão de serviço. Porém, se tenta arranjar uma desculpa para ser dispensado das perigosas missões que lhe são atribuídas, viola a Catch-22, o Artigo 22, uma norma burocrática hilariante mas ao mesmo tempo sinistra: um homem é dado como doido se continuar a participar voluntariamente em perigosos voos de combate, mas se apresentar um pedido formal de dispensa é declarado mentalmente são e como tal é-lhe negada a dispensa."
Este é um clássico moderno que decorre na quente Itália e que me conquistou pela sua sátira do mundo militar, guerra e, no fundo, da vida. É extremamente divertido de uma forma absurda e com muito humor negro. No entanto, também consegue ser sério em certos momentos e abordar assuntos pesados, funcionando quase que como um murro no estômago. Recentemente, foi lançada uma adaptação televisiva com o George Clooney que estou curiosa para ver.


O Corsário Negro de Emilio Salgari, 1898
"O Corsário Negro é um temido pirata que navega pelos mares do golfo do México causando o terror por todos os lugares onde passa. Mas, na verdade, trata-se de um fidalgo italiano apostado em vingar a morte dos irmãos às mãos de um duque flamengo."
Claro que Verão combina muito bem com aventuras marítimas e, como tal, não podia deixar de vos sugerir um livro de piratas. Emilio Salgari é um dos mestres dos livros de aventura e este é um dos meus preferidos. É uma leitura leve, rápida e que nos transporta facilmente para o universo da pirataria do século XVII.


Lolita de Vladimir Nabokov, 1955
"Conta a história de Humbert Humbert, um professor universitário enfadonho e de meia-idade. A sua obsessão por Lolita de 12 anos suscita algumas dúvidas relativamente ao seu carácter: estará ele apaixonado ou tratar-se-á de um louco? Um poeta eloquente ou um pervertido? Uma alma torturada e sofrida ou um monstro? Ou será que Humbert Humbert não será apenas uma mistura de todas estas personagens?"
Este é um livro que aborda uma temática muito difícil mas a escrita do Nabokov é tão deliciosa que não posso deixar de o recomendar. É uma fantástica exploração psicológica e moral de algo realmente perturbador, mas a sua atmosfera melancólica e sonhadora torna-o numa boa leitura de Verão.


Morte na praia de Agatha Christie, 1941
"Numa ilha da costa de Devon, em plena época balnear, desenham-se os contornos de um triângulo amoroso. Por uma (in)feliz coincidência, Poirot encontra-se bem perto do desenrolar da acção. De férias e decidido a aproveitar ao máximo (ou tanto quanto o detective belga se permite) os efeitos benéficos do sol e do ar marítimo, Poirot cedo abdica desses propósitos para dedicar toda a sua atenção ao excêntrico grupo que com ele partilha o hotel. Mas escondem-se motivos sombrios por detrás da aparente frivolidade destas relações sociais, e nada nem ninguém parece conseguir demover o assassino das suas sinistras intenções."
Para mim, Verão não é Verão sem um livro de Agatha Christie. Os seus mistérios são perfeitas leituras breves e viciantes para a praia. Ela tem vários livros que combinam bem com um clima mais quente mas esta é uma das minhas preferidas e decorre durante as férias de Poirot num praia, um verdadeiro cenário de Verão.





The Durrells, 2016-
The Durrells é uma série baseada numa trilogia de livros com o mesmo nome, do autor Gerald Durrell, na qual ele recria os anos em que ele e a sua família viveram na ilha grega de Corfu. Claro que as paisagens idílicas e os mares cristalinos da Grécia que são visíveis na série combinam na perfeição com o Verão. Para além disso, é uma série muito descontraída que retrata de forma divertida as várias peripécias desta família. Estão disponíveis 4 temporadas.


Black sails, 2014-2017
Black Sails segue o Capitão Flint, personagem fictícia do livro A ilha do tesouro, nos 20 anos antes dos eventos do livro. Esta é uma fantástica série que acho que passou um pouco ao lado. Não é simplesmente uma série de aventuras de piratas, mas sim uma série negra que mistura muito bem mito, ficção e História, e que está repleta de intriga, tensão e paisagens idílicas. Além disso, as várias personagens são complexas e vão evoluindo/mudando ao longo das temporadas. Toby Stephens (que eu adoro!) está perfeito enquanto um atormentado e carismático Capitão Flint. Há várias cenas em alto-mar e lutas marítimas que impressionam pela sua escala e atenção ao detalhe. Teve 4 temporadas e a segunda é a minha preferida. A primeira foca-se talvez um pouco demasiado nas cenas de sexo mas isso fica um pouco para trás nas outras temporadas.


Patrick Melrose, 2018
Patrick Melrose é uma mini-série com 5 episódios, baseada numa série de livros autobiográficos do autor Edward St. Aubyn que retrata a sua vida a lidar com dependência de alcool e drogas. É uma série divertida mas trágica, perturbadora e sensível ao mesmo tempo. A fotografia é lindíssima, os design de produção impressionante e conta com uma fantástica interpretação do Benedict Cumberbatch. Não é uma série leve mas o seu ritmo rápido, diálogos mordazes e cenários/paisagens do solarengo Sul de França tornam-a numa boa série para o Verão. O primeiro episódio é o pior (apesar de necessário) e a partir daí a história torna-se mais envolvente.




E vocês? 
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