O Verão renova-me sempre as energias e, como tal, estou de volta ao blogue e podcast com extra motivação. Para primeira publicação, decidi que já estava na altura de começar a colocar em dia as opiniões dos filmes que tenho visto para o meu projecto #moviebucketlist2019. Assim, hoje venho falar dos filmes que vi nos primeiros 3 meses deste desafio: Sophie's choice (1982), Eastern Promises (2007) e Unforgiven (1992).
realizado por ALAN J. PAKULA protagonizado por MERYL STREEP, KEVIN KLINE, PETER MACNICOL
Sophie sobrevive a campos de concentração nazis e encontra uma razão para viver em Nathan, um judeu americano brilhante, instável e obcecado com o Holocausto. Mas a felicidade dos dois é ameaçada pelos fantasmas do passado dela.
Começamos pela minha maior desilusão do desafio até agora...o filme A escolha de Sofia, um filme de 1982 que valeu o Óscar de Melhor Actriz a Meryl Streep. Este era um filme do qual eu já ouvia falar há imenso tempo e do qual sempre achei que iria gostar, mas que acabou por se revelar uma decepção.
Este era um filme que tinha o potencial para ser uma boa história mas cujas escolhas de narrador e enquadramento acabaram por o prejudicar. A história foca-se essencialmente nas interacções entre o trio romântico, narradas do ponto de vista do jovem escritor que conhece o casal e que se apaixona por Sophie, e só vamos tendo acesso ao passado da Sophie através de pequenos flashbacks narrados ocasionalmente por esta.
Como tal, um dos momentos mais importantes e emblemáticos do filme é quase que reduzido a uma nota de rodapé e fica um pouco perdido no meio do desnecessário resto do enredo. Preferia mil vezes ter assistido à história/ao passado da Sophie do seu ponto de vista do que ter passado as restantes 2 horas do filme a conhecer esta personagem da perspectiva de um jovem romântico que só a quer levar para a cama.
A interpretação da Meryl Streep é realmente fantástica e a fotografia também é bonita, mas pouco mais tenho a destacar. Infelizmente, para mim, o filme acabou por ser um pouco desinteressante. 🌟🌟1/2
realizado por DAVID CRONENBERG protagonizado por VIGGO MORTENSEN, NAOMI WATTS, VINCENT CASSEL
Uma cadeia de assassinatos e vinganças acontece quando Nikolai, um homem misterioso e relacionado com uma família criminosa de Londres, conhece Anna, uma mulher inocente que se deparou com evidências potencialmente prejudiciais contra a família, o que o obriga a pôr em prática um plano de engano, morte e vingança.
Se o filme anterior foi uma desilusão, este revelou-se uma surpresa positiva. Não sou a maior fã de filmes focados em gangsters mas Promessas Perigosas (2007) conquistou-me pela sua atmosfera negra, dinâmicas familiares e estética noir. É um filme que retrata o perigoso submundo da máfia russa numa Londres marcada pelo crime e medo, mas que não deixa de realçar com sensibilidade a importância da família, lealdade e tradições. No entanto, o filme brilha especialmente devido à impressionante e convincente interpretação do Viggo Mortensen enquanto Nikolai, uma figura magnética e enigmática. Vincent Cassel está também magnífico.
É um filme violento mas rico na caracterização das personagens e retrato deste mundo criminoso. 🌟🌟🌟🌟
realizado por CLINT EASTWOOD protagonizado por CLINT EASTWOOD, MORGAN FREEMAN, GENE HACKMAN, RICHARD HARRIS
Quando a prostituta Delilah Fitzgerald é desfigurada, suas companheiras de bordel oferecem uma recompensa para quem matar os seus agressores. O xerife local não gosta nada da ideia, já que não permite vigilantismo na sua cidade. Dois grupos de pistoleiros, um liderado pelo ex-bandido William Munny e o outro pelo inglês Bob, aparecem para receber o prémio, entrando em conflito com o xerife.
Imperdoável é um filme de 1992 que venceu o Óscar de Melhor Filme nesse mesmo ano e, após ter visto o filme, tenho de dizer que foi merecido. Este é um western atípico pois não apresenta apenas cenas de acção e uma moralidade preto e branco, mas foca-se sim em temáticas, tais como, redempção, natureza humana ou na eterna questão se algo de bom pode surgir através da violência. Aqui os nossos protagonistas já estão envelhecidos e longe do seu auge enquanto bandidos pistoleiros. Cada um deles procura deixar para trás esses dias de bandidagem e seguir em frente com a sua vida, tentando ultrapassar o mal que fizeram no passado.
O filme funciona assim como uma desconstrução do género western, desconstrução esta que acaba por ter mais impacto devido ao realizador e protagonista da história ser o Clint Eastwood, um actor que construiu a sua carreira interpretando papéis de pistoleiros implacáveis, tais como aquele que a personagem William Munny foi no passado. No entanto, aqui uma atitude calma e casual perante a violência é substituída por sentimentos de remorsos e arrependimentos. Os estereótipos são revertidos e não há uma romantização do género.
Para mim, um dos pontos fortes do filme é também o facto de todas as personagens apresentarem falhas e motivações próprias que são muito bem exploradas durante toda a história, graças sobretudo ao sólido enredo e às fantásticas interpretações do elenco. E neste ponto, não posso deixar de destacar aquela que é, para mim, a estrela do filme...o xerife "Little Bill" que é interpretado pelo Gene Hackman, uma poderosa interpretação que lhe valeu o Óscar de Melhor Actor Secundário. Este é o antagonista do filme, intimidante e manipulador, mas não totalmente mau. Podemos não concordar com as suas acções mas compreendemos o seu ponto de vista.
É um filme com uma atmosfera melancólica e introspectiva que recomendo a toda a gente. 🌟🌟🌟🌟1/2








