«As guardiãs», «Cold War - Guerra Fria» & «Feliz como Lázaro»

domingo, 28 de outubro de 2018

Hoje venho falar de mais 3 estreias do ano, mas desta vez de filmes internacionais, isto é, filmes não falados na língua inglesa. Temos então um filme francês - As guardiãs, um filme polaco - Guerra fria - e um filme italiano - Feliz como Lázaro.

1915. Na quinta do Paridier, as mulheres tomam as rédeas quando os homens partem para a frente de guerra. Asseguram todo o tipo de trabalho, do mais pesado ao doméstico, do nascer do sol até ao cair da noite. Um ritmo apenas interrompido com o regresso temporário de alguns homens em licença. Hortense, a proprietária, contrata uma rapariga da assistência pública para os ajudar. Francine acredita ter encontrado ali uma família, mas por circunstâncias que lhe são alheias, rapidamente descobrirá o quão dispensável é naquela equação.


As guardiãs é um filme francês que decorre numa quinta, durante a I Guerra Mundial, e que foi realizado por Xavier Beauvois. Apesar de já ter outros filmes do realizador debaixo de olho, esta foi a minha estreia com ele...confesso que esperava algo diferente do que encontrei. Visualmente, o filme é muito apelativo e confesso que tenho sempre um fraquinho por filmes que decorrem num ambiente rural bucólico, tal como este. No entanto, esperava mais da história e o seu ritmo lento, durante mais de 2 horas, não ajudou muito. Gostei do retrato da França rural da época, com as suas mulheres lutadoras que tiveram que trabalhar no duro enquanto sofriam também pelos seus maridos e filhos que combatiam. No entanto, gostava que este retrato tivesse sido mais desenvolvido e aprofundado e que a história não tivesse sido tão preenchida por imagens silenciosas. De qualquer modo, é um filme com um charme próprio que eu recomendo a quem gosta de filmes mais calmos e introspectivos.  🌟🌟 1/2



Uma impetuosa história de amor entre duas pessoas de diferentes origens e temperamentos, fatalmente incompatíveis, mas destinadas a estar juntas. Tendo como pano de fundo a Guerra Fria, nos anos 50, na Polónia, Berlim, Jugoslávia e Paris, o filme retrata uma história de amor impossível em tempos impossíveis.


Guerra fria, filme vencedor do melhor realizador em Cannes 2018, estreou em Setembro em Portugal. É um filme do mesmo realizador de Ida, que venceu o Óscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2015 e do qual eu gostei bastante na altura. Tal como Ida, este é um filme filmado totalmente a preto e branco, com uma duração de 1h20 e com um ritmo lento. E tal como Ida, este foi um filme que gostei muito de ver. Esta é uma história melancólica e nostálgica que se foca nas temáticas de identidade pessoal e nacional, amor, sacrifício e no impacto que um regime totalitário tem na vida das pessoas. Mais uma vez, os enquadramentos do realizador encantaram-me e as interpretações emocionaram-me. De negativo, tenho só a apontar algumas transições entre cenas que soaram muito bruscas e que, por vezes, desconectaram da história. Recomendo para quem gostou do estilo do Ida e gosta de histórias de amor trágicas.  🌟🌟🌟🌟



Esta é a história do encontro entre Lazzaro, um jovem camponês tão bondoso que é muitas vezes confundido com um tolo, e Tancredi, um jovem nobre amaldiçoado pela sua imaginação.


Feliz como Lázaro, vencedor do melhor argumento em Cannes 2018, é um filme italiano que estreou este mês e que foi realizado por Alice Rohrwacher. Apesar de já ter ouvido falar da realizadora, esta foi a minha estreia nos seus filmes. Foi uma estreia positiva apesar do filme ser muito diferente do que eu estava à espera. Isto porque eu não sabia que este é um filme de realismo mágico, um género que nem sempre me convence. Felizmente, este agradou-me bastante. Para além de ser um filme com uma atmosfera muito onírica e nostálgica, é um filme alegórico repleto de simbolismo e crítica social. Não quero aprofundar muito a história porque acho que vale a pena ver o filme sem saber muito sobre ele para além do seu género. Gostei sobretudo da primeira metade do filme e da interpretação do actor principal que consegue transmitir bem a inocência e magnetismo da personagem. É um filme que não vai agradar a todos de certeza por causa do seu ritmo e feeling, mas eu recomendo para quem gosta de fábulas e filmes mais poéticos.  🌟🌟🌟🌟



E vocês?
Já viram ou querem ver algum destes filmes?