«The Report», «Dark Waters» & «Just Mercy»

sexta-feira, 31 de janeiro de 2020

Hoje trago mais umas opiniões de filmes que vi em Janeiro e que recomendo bastante. Dois deles estrearam nas salas de cinema portuguesas este mês - Dark waters e Just Mercy - e outro é uma produção original da Amazon - The Report.



realizado por  SCOTT Z. BURNS   protagonizado por  ADAM DRIVER, ANNETTE BENING, JON HAMM

O idealista Daniel J. Jones é encarregado pela chefe, a senadora Dianne Feinstein, de liderar uma investigação do Programa de Detenção e Interrogatório da CIA, criado após o 11 de setembro. A busca incansável da verdade por Jones leva a descobertas explosivas que descobrem até que ponto a principal agência de inteligência do país destruiu provas, subverteu a lei e ocultou um brutal segredo do público americano.


The Report é uma produção original da Amazon que se encontra disponível através da Amazon Prime. É um filme inspirado em factos reais, que conta a jornada de investigação aos métodos de tortura da CIA no pós 11 de setembro.
Sei que muitas pessoas vão achar este filme entediante, uma vez que tem um ritmo algo lento, mas este faz totalmente o meu estilo. É um drama jornalístico bastante informativo e realístico, que dispensa as típicas dramatizações à Hollywood. Foca-se nos procedimentos da investigação interna que decorreu durante sete anos e que levou à formulação do dito relatório do título, intercalando-os com flashbacks das revelações que vão sendo descobertas. Retrata os bastidores políticos dos EUA e um pouco da relação entre os seus vários elementos (Congresso, FBI, CIA, etc..) no pós 11 de Setembro. Acima de tudo, gostei do filme não ser a típica perspectiva heróica e patriótica dos EUA.
No entanto, o filme não seria tão bom se não fosse a sóbria e convincente interpretação do Adam Driver. De destacar, também a interpretação de Annette Bening.
É um filme que recomendo muito para quem gosta de um filme mais didáctico que usa a linguagem cinematográfica como um meio acessível de informação. 🌟🌟🌟🌟



realizado por  TODD HAYNES   protagonizado por  MARK RUFFALO, ANNE HATHAWAY, TIM ROBBINS

Rob Bilott defende grandes empresas em processos ambientais e acaba de ganhar estatuto de sócio num prestigiado escritório de advogados em Cincinnati, em grande parte devido ao seu trabalho na defesa de alguns dos maiores nomes da indústria petroquímica.
Quando Wilbur Tennant e o seu irmão Jim, dois pequenos agricultores da Virgínia Ocidental, lhe pedem ajuda para investigar a fábrica de produtos químicos local por, supostamente, matar os seus animais, ele hesita, explicando que representa empresas químicas e não os que delas se queixam. No entanto, Rob fixa-se em algo da história dos irmãos, especialmente quando percebe que, em criança, costumava passar os verões numa quinta das redondezas.
Quando se desloca à àrea em questão, aquilo com que Rob se depara tem pouco a ver com as suas memórias - há algo debaixo do solo deste recanto de Hill Country. Os Tennants acreditam que aquilo que a DuPont despeja nos aterros poluiu o riacho do seu terreno e destruiu um rebanho com quase 200 bovinos. Ainda assim, muitos dos seus vizinhos apegam-se à ideia de que a empresa continua a tomar conta deles, como sempre.
Apoiado pelo seu supervisor no escritório, Tom Terp, Bilott usa os profundos conhecimentos que possui sobre o funcionamento das empresas de produtos químicos e formaliza uma queixa a fim de descobrir exatamente o que está a acontecer em Parkersburg.


Dark Waters - a verdade envenenada é um filme inspirado em factos reais, que se baseou no artigo da The New York Times Magazine - "O advogado que se tornou o pior pesadelo da DuPont" de Nathaniel Rich - e que narra a cruzada de um homem que procurou justiça para uma comunidade exposta a toxinas durante décadas.
Tal como o "The Report", este é um filme com uma narrativa lenta que se foca bastante nos procedimentos da investigação e nas influências lobistas e políticas no caso. No entanto, este tem também uma vertente mais humana pois preocupa-se em mostrar o desgaste e esforço pessoal do advogado, que investiu (praticamente sozinho) mais de uma década da sua vida neste caso, e em mostrar as consequências nefastas para a saúde humana e ambiente provocadas pelas acções da DuPont.
Um filme-denúncia que tenta não ser sensacionalista mas que não deixa de chocar pela impunidade  das accções cometidas pela DuPont, um titã da indústria química, e a magnitude das suas consequências.
As interpretações são sólidas, com a excepção da Anna Hathaway que me pareceu meio deslocada. A realização está a cargo de Todd Haynes que é mais conhecido por ter realizado "Carol" e "I'm not there".
Concuindo, é um filme sóbrio, não particularmente vibrante em termos técnicos, mas que conquista pela verdade que expõe. 🌟🌟🌟🌟



realizado por  DESTIN DANIEL CRETTON   protagonizado por  MICHAEL B. JORDAN, JAMIE FOXX, BRIE LARSON

Quando conclui a licenciatura em Harvard, Bryan Stevenson recebe várias propostas de emprego. No entanto, decide ir para o Alabama defender quem foi condenado à morte por crimes que nunca cometeu, ou nunca teve representação adequada. Um dos seus primeiros casos é o de Walter McMillian, condenado à morte em 1987 pelo assassinato de uma jovem de 18 anos, apesar das provas apontarem para a sua inocência.
Nos anos seguintes, Bryan envolve-se num labirinto de racismo e manobras legais e políticas, enquanto luta por Walter e por outros na mesma situação.


Tudo pela justiça foi um filme que estreou em Portugal em Janeiro e que eu fui ver, sem muitas expectativas, e que me surpreendeu.
Este é mais um filme inspirado em factos reais e que tem por base o livro de memórias de Bryan Stevenson - Just Mercy: A Story of Justice. É um drama judicial, que se mantém bastante fiel aos acontecimentos reais, e que gira sobretudo em torno da luta de um advogado para libertar um homem inocente que foi condenado à pena de morte. Apesar da história decorrer nos anos 80/90 é um filme que soa ainda bastante actual. Realça preconceitos raciais e económicos na aplicação da justiça e é também uma importante denúncia à insensatez (eu diria mesmo estupidez) da pena de morte.
Serve também como uma importante e humilde homenagem ao advogado Bryan Stevenson que continua a desenvolver, nos dias de hoje, um trabalho activista e de luta contra os problemas de injustiça e desigualdades, através da organização não lucrativa de justiça social que fundou -  "Equal Justice Initiative".
As interpretações são, na sua maioria, sólidas e gostei especialmente das prestações de Michael B. Jordan e Rob Morgan. Jamie Foxx tem sido o mais elogiado pela crítica mas não achei a sua interpretação particularmente impressionante.
Talvez seja um filme um pouco convencional em termos de estrutura e guião mas sobressai pela sua autenticidade e paixão pela temática. É um filme que tem alguns momentos emotivos e que eu recomendo pela sua mensagem poderosa de busca pela verdadeira justiça e compaixão. 🌟🌟🌟🌟




E vocês?
Já viram algum destes filmes?