James Baldwin é um escritor que se tem tornado num dos meus favoritos de sempre. Em 2017 li o Giovanni's room, que me introduziu à belíssima escrita do autor, e em 2018 li If Beale Street could talk, cuja edição portuguesa chegou nesse mesmo ano a Portugal. Este ano resolvi comprar o seu livro de estreia - Go tell it on the mountain - e terminar assim o ano em grande. Mais uma vez, Baldwin não desiludiu.
Go tell it on the mountain, Se o disseres na montanha em português, foi o primeiro livro publicado pelo autor em 1953. É uma obra semi-autobiográfica que decorre em 1935, no Harlem nova-iorquino. Conta a história de John Grimes, um rapaz que está prestes a fazer 14 anos e que se encontra numa encruzilhada que tanto pode ser uma crise como uma epifania. Ele quer para si um destino diferente daquele que a família e a comunidade lhe reservaram: o de seguir os passos do pai, ministro da Igreja Pentecostal. No entanto, ao fazer parte de uma comunidade discriminada, o poder de escolha pode não estar nas suas mãos ou ser acessível. Ao longo do livro, vamos acompanhando a sua luta espiritual, sexual e moral que, para além de ser uma história individual de um jovem negro, é também a odisseia colectiva de um povo marcado pela segregação.
Este é um livro que se encontra dividido em 3 partes diferentes. Na primeira parte, temos o ponto de vista de John à medida que ele nos introduz a sua família e os seus dilemas pessoais. Na segunda parte, temos os pontos de vista do pai, mãe e tia do John, à medida que eles reflectem/rezam, durante um sermão na igreja, sobre a sua vida e as circunstâncias que os conduziram até à sua situação actual. Na última parte, temos o clímax da história, com o John a sofrer uma revelação que é narrada numa espécie de fluxo de consciência.
Go tell it on the mountain, Se o disseres na montanha em português, foi o primeiro livro publicado pelo autor em 1953. É uma obra semi-autobiográfica que decorre em 1935, no Harlem nova-iorquino. Conta a história de John Grimes, um rapaz que está prestes a fazer 14 anos e que se encontra numa encruzilhada que tanto pode ser uma crise como uma epifania. Ele quer para si um destino diferente daquele que a família e a comunidade lhe reservaram: o de seguir os passos do pai, ministro da Igreja Pentecostal. No entanto, ao fazer parte de uma comunidade discriminada, o poder de escolha pode não estar nas suas mãos ou ser acessível. Ao longo do livro, vamos acompanhando a sua luta espiritual, sexual e moral que, para além de ser uma história individual de um jovem negro, é também a odisseia colectiva de um povo marcado pela segregação.
Este é um livro que se encontra dividido em 3 partes diferentes. Na primeira parte, temos o ponto de vista de John à medida que ele nos introduz a sua família e os seus dilemas pessoais. Na segunda parte, temos os pontos de vista do pai, mãe e tia do John, à medida que eles reflectem/rezam, durante um sermão na igreja, sobre a sua vida e as circunstâncias que os conduziram até à sua situação actual. Na última parte, temos o clímax da história, com o John a sofrer uma revelação que é narrada numa espécie de fluxo de consciência.
Vou começar por aquilo que mais amo nos livros de James Baldwin: a sua escrita maravilhosa. É uma prosa extremamente bonita, expressiva, lírica e intensa. Ele consegue, facilmente, fazer-nos sentir muito empatia pelas suas personagens complexas e trata-as sempre, mesmo as mais imperfeitas, com muita compaixão. Sublinhei tantas passagens!
Este é um livro sobre identidade e aceitação pessoal e é também uma história sobre família. É um livro que foi muito importante para o próprio escritor que, inclusive, afirmou na altura que este era o único livro que precisava mesmo de escrever e que o ajudou a lidar com aquilo que mais o magoava: o seu pai - "I had to deal with what hurt me most. I had to deal, above all, with my father." O autor espelha em John a sua própria luta pela autodeterminação e controlo da sua vida.
Este é também um livro sobre questões raciais e sociais. A obra de Baldwin retrata a vida dos que, assim como ele, eram excluídos do sonho americano e reflecte sobre as injustiças da sociedade. Apesar de este ser um livro mais pessoal, Baldwin não deixa de espelhar nas suas personagens as dificuldades e limitações enfrentadas pela comunidade afro-americana, especialmente pelas mulheres, e lida com os seus diversos sentimentos - medo, culpa, raiva, ódio, esperança, desespero...
O livro apresenta também uma forte componente religiosa - daí o título que é uma alusão a um hino religioso - e faz referência a várias pequenas histórias religiosas ao longo da narrativa, que servem de analogia a muitos dos sentimentos e situações passadas pelas personagens. Apesar de não ser a maior fã de religião em livros, gostei de ver como esta foi tratada nesta obra e como o autor oferece um olhar mais complexo. Conseguimos ver o impacto positivo e honesto que a religião teve na vida de algumas personagens, especialmente em momentos mais negros, mas o autor não deixa de se debruçar sobre a hipocrisia, contradições e corrupção da mesma. Vemos a hipocrisia do pai que prega algo e pratica algo bem diferente em casa e o nosso protagonista encontra-se em plena crise de fé, debatendo-se com sentimentos de vergonha e recriminação pelos seus pecados que, de certo modo, ele não considera imorais.
Especulo que esta crise de fé se deve sobretudo à nossa personagem, que é um reflexo do próprio Baldwin, poder ser homossexual. No entanto, a referência à homossexualidade é muito subtil e mais uma dedução pessoal pelo facto do próprio escritor o ser e por esta obra ser, de certo modo, autobiográfica.
O livro apresenta também uma forte componente religiosa - daí o título que é uma alusão a um hino religioso - e faz referência a várias pequenas histórias religiosas ao longo da narrativa, que servem de analogia a muitos dos sentimentos e situações passadas pelas personagens. Apesar de não ser a maior fã de religião em livros, gostei de ver como esta foi tratada nesta obra e como o autor oferece um olhar mais complexo. Conseguimos ver o impacto positivo e honesto que a religião teve na vida de algumas personagens, especialmente em momentos mais negros, mas o autor não deixa de se debruçar sobre a hipocrisia, contradições e corrupção da mesma. Vemos a hipocrisia do pai que prega algo e pratica algo bem diferente em casa e o nosso protagonista encontra-se em plena crise de fé, debatendo-se com sentimentos de vergonha e recriminação pelos seus pecados que, de certo modo, ele não considera imorais.
Especulo que esta crise de fé se deve sobretudo à nossa personagem, que é um reflexo do próprio Baldwin, poder ser homossexual. No entanto, a referência à homossexualidade é muito subtil e mais uma dedução pessoal pelo facto do próprio escritor o ser e por esta obra ser, de certo modo, autobiográfica.
Não é uma leitura fácil, apesar de ser muito imersiva, e o último capítulo foi, sem dúvida, o mais exigente. É um livro com muito simbolismo e, de certo modo, mais complexo que os outros que li dele mas, mesmo assim, é um livro que recomendo muito. Continuo a preferir os outros dois, mas Baldwin continua a conquistar-me. 🌟🌟🌟🌟1/2
James Baldwin nasceu nos anos 20 nos EUA e foi um escritor prolífico, poeta e crítico. As suas diversas obras tiveram um grande impacto a nível da sociedade americana e, de facto, ele acabou por ser uma figura importante no movimento de activismo pelos direitos civis e uma voz importante na partilha da experiência afro-americana.
Giovanni's room (1956)
Este é, provavelmente, o meu livro preferido do escritor e é uma obra que se foca nas temáticas da homossexualidade e bissexualidade. Foi um livro bastante polémico aquando da sua publicação devido às suas temáticas serem consideradas tabu na altura e por todas as suas personagens serem brancas, apesar do autor ser negro.
Este é um livro que decorre nos anos 20 em Paris e que tem como protagonista o americano David que, no início da história, pede a sua namorada em casamento e esta responde-lhe que precisa de algum tempo para reflectir e viaja para Espanha. Sozinho em Paris, David acaba por conhecer e começar uma relação com Giovanni, um bartender italiano. Ao longo do livro, acompanhamos o David no seu processo de auto-descoberta e reflexões sobre passado e situação actual.
É um livro curto, que não chega às 150 páginas, mas que é muito rico em termos de conteúdo. A escrita é simples e maravilhosa e nós compreendemos facilmente os sentimentos do nosso protagonista imperfeito. A sua narrativa não é linear, apresentando saltos temporais e fluxo de consciência, mas nunca é confusa. É um livro extremamente atmosférico e facilmente somos transportados para Paris dos anos 20.
Aborda as dificuldades sentidas pelo protagonista, que possui uma orientação sexual diferente da imposta pela sociedade, e que por isso vive continuamente atormentado e em negação, o que afecta a sua relação com o Giovanni. No entanto, este não funciona apenas como um livro LGBT pois debruça-se também sobre outras temáticas, tais como, igualdade de géneros e alienação social e cultural.
É um livro introspectivo, bem escrito e de leitura fácil que eu recomendo muito! 🌟🌟🌟🌟🌟
Este é um livro que decorre nos anos 20 em Paris e que tem como protagonista o americano David que, no início da história, pede a sua namorada em casamento e esta responde-lhe que precisa de algum tempo para reflectir e viaja para Espanha. Sozinho em Paris, David acaba por conhecer e começar uma relação com Giovanni, um bartender italiano. Ao longo do livro, acompanhamos o David no seu processo de auto-descoberta e reflexões sobre passado e situação actual.
É um livro curto, que não chega às 150 páginas, mas que é muito rico em termos de conteúdo. A escrita é simples e maravilhosa e nós compreendemos facilmente os sentimentos do nosso protagonista imperfeito. A sua narrativa não é linear, apresentando saltos temporais e fluxo de consciência, mas nunca é confusa. É um livro extremamente atmosférico e facilmente somos transportados para Paris dos anos 20.
Aborda as dificuldades sentidas pelo protagonista, que possui uma orientação sexual diferente da imposta pela sociedade, e que por isso vive continuamente atormentado e em negação, o que afecta a sua relação com o Giovanni. No entanto, este não funciona apenas como um livro LGBT pois debruça-se também sobre outras temáticas, tais como, igualdade de géneros e alienação social e cultural.
É um livro introspectivo, bem escrito e de leitura fácil que eu recomendo muito! 🌟🌟🌟🌟🌟
If Beale Street could talk/Se esta rua falasse (1974)
Este foi o primeiro livro de James Baldwin publicado em Portugal, o que em si é, desde já, um marco importante. Se esta rua falasse, esta seria a história que contaria: Tish, 19 anos, apaixona-se por Fonny, que conhece desde criança. Apoiados pela família, fazem juras de amor e conjuram sonhos para a vida a dois. Um dia, porém, tudo muda. Fonny é acusado injustamente de violação e preso, enquanto que Tish descobre que está grávida. Começa então uma corrida contra o tempo.
Este é um livro amargo sobre injustiças e desigualdades sociais, carregado de dor e raiva, mas é, também, uma história de amor intemporal e doce, repleta de esperança. Mais uma vez, a escrita de Baldwin é maravilhosa e os seus retratos de dinâmicas familiares e personagens são vívidos e memoráveis.
É um livro tocante, com uma sensibilidade muito poética, que retrata também a descriminação e segregação da comunidade afro-americana. Recomendo muito! 🌟🌟🌟🌟🌟
Este é um livro amargo sobre injustiças e desigualdades sociais, carregado de dor e raiva, mas é, também, uma história de amor intemporal e doce, repleta de esperança. Mais uma vez, a escrita de Baldwin é maravilhosa e os seus retratos de dinâmicas familiares e personagens são vívidos e memoráveis.
É um livro tocante, com uma sensibilidade muito poética, que retrata também a descriminação e segregação da comunidade afro-americana. Recomendo muito! 🌟🌟🌟🌟🌟
E vocês? Já leram este livro




