Há já uns 5 anos que não lia nada de H.G. Wells e, no início deste ano, decidi que já era a altura de voltar a pegar numa obra dele. Assim, em Novembro li The War of the Worlds, que é provavelmente um dos seus livros mais famosos, e hoje venho partilhar convosco a minha breve opinião.
The War of the Worlds, A guerra dos mundos em português, foi publicado pela primeira vez em 1898 e é um livro curto, com cerca de 150 páginas. A história decorre durante a época victoriana, no virar do século, e é o relato de uma invasão marciana ao Reino Unido. O livro é composto por 27 capítulos curtos e está essencialmente dividido em duas partes: uma que narra a invasão dos alienígenas e outra que se foca nos eventos ocorridos durante o domínio marciano.
Este é o terceiro livro que leio do autor e, apesar de não se ter tornado no meu favorito (esse continua a ser o A máquina do tempo), foi um livro que eu gostei de ler.
Mais uma vez, e apesar de já conhecer alguns contornos da história por causa da adaptação cinematográfica de 2005, H.G. Wells conquistou-me pela sua imaginação e atmosfera criada. Os extraterrestres e os seus vários instrumentos metálicos são realmente impressionantes e inovadores, ainda mais tendo em conta quando o livro foi escrito e o contexto victoriano da história.
A escrita do autor neste livro é muito directa, num estilo quase jornalístico, e com uma narrativa analítica dos acontecimentos. Se por um lado, este foi um estilo e tom que me agradou, também tenho de admitir que em certas passagens, especialmente no início, esta escolha tornou a leitura um pouco mais cansativa e entediante. Mesmo assim, e apesar do nosso protagonista narrar os acontecimentos de uma forma um pouco desprovida de emoção, eu achei a história bastante envolvente e intrigante.
Tal como já é habitual, este é um livro de ideias e questionamentos sobre diversas temáticas, tais como, religião, evolução, sobrevivência, colonialismo, etc... Uma das reflexões mais interessantes e provocadoras abordada no livro é o conceito de superioridade das raças...o que faz certos humanos acharem que têm direito a se acharem "melhores e mais civilizados" do que os outros, usando o seu poder de forma impune e sem pensar nas consequências? De facto, a obra foi inspirada na experiência da Inglaterra na colonização da Tasmânia, onde os britânicos dizimaram populações indígenas inteiras, aprisionando os sobreviventes. O autor usa então esta invasão alienígena como uma parábola para criticar este episódio bem real e duro.
É, sem dúvida, um marco na ficção científica que eu recomendo para quem gosta do género e H.G. Wells impressiona, como sempre, pelas suas ideias visionárias. Eu li em inglês mas existem duas boas versões em português: a da Relógio d'água e a da Sextante Editora. 🌟🌟🌟1/2
E vocês? Já leram este livro
ou algum do autor?



