Já lá vão 2 meses desde que escrevi algo aqui. Infelizmente, a vida é mesmo assim...nem sempre temos tempo ou disposição para escrever. Apesar de saber que este nunca vai ser o cantinho com as publicações mais regulares da internet, estou entusiasmada por estar de volta e partilhar convosco as minhas breves opiniões de 10 cinestreias que vi nos primeiros meses de 2019. Muitos destes filmes estiveram nomeados para Óscares e estrearam em Portugal nos últimos tempos.
Queen foram sempre uma das minhas bandas preferidas de todos os tempos e, como tal, acompanhei o desenvolvimento deste filme com muita atenção desde o seu início (ainda quando o Sasha Baron Cohen iria desempenhar o papel do Freddy Mercury). Ao longo do tempo foram surgindo vários problemas associados a esta produção (mudança actor principal, mudança realizador, etc...) e, como tal, as minhas expectativas foram decrescendo. Confesso que acabei por não adorar o Bohemian Rhapsody...nota-se que este conturbado percurso teve um impacto negativo na sua qualidade e que este acaba por não ser muito consistente. Há momentos em que os diálogos soam ridículos e falsos, e o enredo é bastante formulaico e, muitas vezes, pouco factual. De um modo geral, gostei da prestação do Rami Malek apesar de, em certas alturas, parecer mais uma caricatura do que uma interpretação (os dentes postiços não ajudaram). Mesmo assim, foi um filme que me entreteve, gostei das várias interpretações de todos os elementos da banda e os vários momentos musicais são, sem dúvida, muito apelativos e empolgantes. De facto, as montagens musicais são a melhor parte do filme; é impossível ficar indiferente à música de Queen. 🌟🌟🌟1/2
Can you ever forgive me? é um filme que decorre na década de 90 e que conta a história real da escritora Lee Israel que decide começar a forjar e vender cartas de personalidades já falecidas, um negócio criminoso que inicialmente corre bem mas que eventualmente começa a levantar suspeitas. Gostei deste filme mas acabou por nunca me arrebatar e não sei bem porquê. É um filme melancólico e lento que se foca no desenvolvimento da personagem principal, fantasticamente interpretada pela Melissa McCarthy, e na sua inusitada relação de amizade com a personagem do Richard E. Grant. Sem dúvida, que o melhor do filme são as interpretações do duo de actores. Infelizmente, acabei por nunca me sentir envolvida emocionalmente com a personagem principal e com aquilo que se estava a passar. Faltou tensão à história o que, para mim, levou a que o filme fosse monótono em algumas partes. 🌟🌟🌟
A Favorita é um filme histórico baseado em factos reais, que decorre durante o reinado da rainha Anne no século XVIII. Este é um filme que não é para todos e que, apesar de ser o filme mais comercial do realizador Yorgos Lanthimos, não deixa de ter as suas excentricidades. Gostei muito de todos os aspectos técnicos do filme: a montagem fluida, os invulgares ângulos de filmagem, o soberbo guarda-roupa e os lindíssimos cenários e fotografia. É um filme com intriga política, com muita manipulação e jogos de poder, mas que se foca mais na exploração da relação bizarra entre as três personagens principais e nos seus traumas e sentimentos pessoais. Gostei de como o filme balançou os aspectos históricos, que funcionam mais como pano de fundo, com os dramas das personagens. As três actrizes principais - Olivia Colman, Emma Stone e Rachel Weisz (a que eu gostei mais) - estão perfeitas mas quero também destacar a interpretação do Nicholas Hoult, que me surpreendeu pela positiva (bem diferente do estilo habitual dele). Um dos meus preferidos dos Óscares. 🌟🌟🌟🌟🌟
O Culpado é um thriller dinamarquês que decorre na sua totalidade num único local. Ao longo do filme, nós acompanhamos Asger Holm que responde à chamada de emergência de uma mulher raptada e que, quando esta é subitamente interrompida, começa a tentar encontrá-la e ao seu sequestrador usando o telefone como sua única ferramenta. Este foi um filme que me surpreendeu pela positiva. Apesar de este decorrer todo num único local e se focar basicamente numa única personagem, é um filme tenso e fluido, com muitas reviravoltas e que nunca se torna aborrecido. O grande twist final foi, sem dúvida, inesperado mas acabou por soar um pouco anti-climático. De qualquer modo, é um filme que recomendo. 🌟🌟🌟1/2
Green Book - um guia para a vida foi o vencedor do Óscar de Melhor Filme e acredito que muitos de vocês já o tenham visto. Apesar de admitir que este não teria sido o meu eleito para o prémio, foi um filme que eu gostei bastante de ver. Gostei de como este mistura drama e comédia de forma equilibrada e como apresenta momentos emotivos e dramáticos sem nunca se tornar demasiado pesado. É um filme um pouco old school que, no fundo, não nos conta nada de novo, mas eu gostei muito das interpretações, da química entre os dois actores e senti-me sempre investida na história. É um feel good movie que, acima de tudo, quer retratar uma amizade verdadeira que existiu e transmitir uma boa dose de optimismo e energia positiva. 🌟🌟🌟🌟
Maria, rainha dos escoceses é um filme histórico focado nas rainhas Mary da Escócia e Elizabeth I de Inglaterra. Eu gosto muito deste género mas parti para este filme com baixas expectativas devido às críticas negativas. Acabei por me surpreender por não ser tão mau quanto tinha lido apesar de este apresentar realmente alguns problemas. Em primeiro lugar, este é um filme com falhas a nível de precisão histórica...existe uma importante adulteração de um facto histórico (que compreendi mas que acho que podia ter sido melhor apresentado) e o retrato da época nem sempre é fiel, especialmente a nível de caracterização. Há também uma visão um pouco anacronista dos acontecimentos/personagens e um feminismo que, por vezes, soa forçado.
Fora isso, gostei muito da cinematografia, do guarda-roupa e caracterização de luxo e da banda sonora. Saiorse Ronan não me convenceu a 100%, ao contrário de Margot Robbie que adorei ver. 🌟🌟🌟
Vi Mary Poppins pela primeira vez no final do ano passado e gostei bastante, apesar de não ter adorado. Finalmente, recentemente vi o O Regresso de Mary Poppins e é realmente inferior ao original. Para mim, o melhor do filme é a Emily Blunt enquanto Mary Poppins...convenceu-me totalmente! Gostei também muito das sequências de animação e da interpretação do Ben Whishaw (a canção dele foi a minha preferida). No entanto, no fundo, o filme acaba por não trazer nada de novo e soa quase como que uma repetição do primeiro filme. As músicas são ok, há 1 ou 2 mais memoráveis. Não gostei nada da interpretação do Lin-Manuel Miranda e acho que o filme é um pouco longo demais e nem sempre muito interessante. Concluindo, não é um mau filme mas acaba por soar um pouco desnecessário. 🌟🌟1/2
O Cavalheiro com arma conta a história de Forrest Tucker, um ladrão de bancos de 70 anos de idade, e é o último filme da carreira de Robert Redford. Apesar de não ter adorado o filme, é um bom filme de despedida e homenagem ao actor. É um filme sincero que cativa mais pelas interpretações e química do Robert Redford e Sissy Spacek do que pela história em si. É um filme com um ritmo lento e com uma atmosfera nostálgica, que recomendo só aos fãs do actor. 🌟🌟🌟
Vice relata como o burocrata Dick Cheney, silenciosamente, se tornou o homem mais poderoso do planeta, na qualidade de vice-presidente de George W. Bush, mudando os EUA e o mundo de uma forma que ainda hoje se faz sentir. Este é um filme complicado de avaliar...Vice é um filme biográfico em que a narrativa é apresentada de uma forma invulgar e algo caótica, recorrendo a uma edição ousada e rápida e muita exposição. É um filme ideológico, que apresenta muitos factos históricos mas que não se coíbe de escolher um lado. Dick Cheney continua a ser uma figura polémica, que divide opiniões, e que é interpretado de forma impecável pelo Christian Bale. Sam Rockwell e Amy Adams estão também muito bem. Apesar de me ter divertido e apreciado a história e interpretações, não consigo adorar o filme devido à sua natureza especulativa e algo tendenciosa. De qualquer modo, é um filme interessante e diferente. 🌟🌟🌟1/2
Viúvas é o último filme de Steve McQueen, que conta a história de três mulheres que têm de se unir para arranjarem uma maneira de pagar uma dívida em comum deixada pelas atividades criminosas dos falecidos maridos. Este foi talvez o filme que mais me desiludiu destes 10 pois estava à espera de um filme bem melhor e sinto que fui uma das poucas pessoas que não adorou o filme. Não que o filme seja mau, mas não me encheu de todo as medidas. Achei o enredo banal, as atitudes de algumas personagens bastante incoerentes e o ritmo lento e entediante. Apesar de ter sido anunciado como um heist movie, é claro desde o início que o objectivo do filme é focar-se nas dificuldades pessoais das personagens femininas. Por mim, isso seria perfeitamente aceitável...mas a verdade é que no final o filme acaba por nem explorar bem as questões sociais/corrupção política nem desenvolver bem o assalto. De louvar a edição e as interpretações de Elizabeth Debicki, Daniel Kaluuya e Colin Farrell. Foi das únicas vezes em que a Viola Davis não me convenceu. 🌟🌟1/2
E vocês?











