Steinbeck | o que já li e quero ler

quinta-feira, 20 de dezembro de 2018

Assinalam-se hoje os 50 anos da morte de John Steinbeck, um dos maiores escritores do século XX e um dos meus autores preferidos. Como tal, achei que seria interessante falar-vos um pouco dos livros que já li, incluindo um que li agora em Dezembro, e mostrar-vos aqueles que quero ler. A obra de Steinbeck está marcada por uma forte crítica social, fascínio para com a terra e retrato realístico da população americana trabalhadora da época. A sua escrita é descritiva mas clara e emotiva nas doses certas. A maior parte dos seus livros encontram-se publicados em Portugal pela Livros do Brasil.


Ratos e homens/Of mice and man (1937)
Este foi o primeiro livro que li do autor há cerca de 6 anos atrás e conquistou-me logo. Este conta a história de amizade entre dois homens e tem como pano de fundo os Estados Unidos da América durante a Grande Depressão. George e Lennie vivem de trabalhos episódicos e sonham com uma vida tranquila, com a hipótese de arranjar uma quinta em que possam dedicar-se à criação de coelhos. George é o líder, é aquele que toma as decisões e protege o seu amigo, sem no entanto deixar de depender da amizade e da força de Lennie. Este é um gigante simpático, dotado de um físico excepcional, mas com problemas mentais. Estes dois homens, que viviam numa terra sem esperança e em que o mote era “cada um por si”, eram diferentes pois tinham o seu sonho e a sua amizade!
Sem dúvida, que esta é uma história comovente e de lealdade levada ao extremo, em que nos são apresentadas personagens reais e cativantes. Existem passagens do livro muito tocantes e facilmente nos ligamos às personagens pois possuem sentimentos comuns a todos nós, tais como o medo da solidão e a esperança de uma vida melhor. O estilo de escrita do autor é solto e directo, e é fantástico o impacto grande que uma história tão pequena (o livro tem 100 páginas!) tem em nós.
Concluindo, este é um livro belo e poderoso com um final que nos faz pensar e recomendo que comecem por este se nunca leram nada do escritor.



As Vinhas da Ira/The Grapes of Wrath (1939)
Esta é, provavelmente, a obra mais famosa do autor e foi o primeiro calhamaço que li dele (cerca 500 páginas). Apesar de não ser tão acessível quanto o livro anterior, é uma excelente leitura e não é à toa que é considerada a obra-prima de Steinbeck, tendo inclusive ganho o Pullitzer.
Este livro decorre na década de 1930, quando as grandes planícies do Texas e do Oklahoma foram assoladas por centenas de tempestades de poeira que causaram um desastre ecológico sem precedentes, agravando os efeitos da Grande Depressão e levando a um grande êxodo de pessoas rumo à Califórnia, em busca de trabalho. A história vai focar-se na jornada da família Joad que perdem a quinta de que eram rendeiros no Oklahoma e que se juntam a milhares de outros ao longo das estradas, no sonho de conseguirem uma terra que possam considerar sua. 
Mais uma vez, temos aqui uma história cativante que nos prende a atenção da primeira à última pagina e que retrata bem as difíceis condições sociais de muitos americanos durante a Grande Depressão. Apesar de capturar bem o espírito de revolta, as injustiças e o desespero que assolavam os trabalhadores e famílias da altura, o livro acaba por ser, no fundo, uma história de perseverança, esperança e superação, e um hino à dignidade humana
Concluindo, este é um fantástico retrato do sonho americano estilhaçado e, até agora, o meu livro preferido do autor. Recomendo também a adaptação cinematográfica de 1940 com Henry Fonda.


A um deus desconhecido/To a god unknown (1933)
Este foi um livro que li recentemente, durante a minha maratona 24 horas e, apesar de não ter gostado tanto deste como dos outros, é também um livro fantástico do autor
O livro conta a história de Joseph Wayne que parte para o Oeste com o desejo de criar uma quinta próspera na Califórnia, deixando para trás o pai que está a chegar ao fim da sua vida. Na sua nova terra, Joseph acaba por encontrar uma bela e imponente àrvore, na qual acredita que está incorporado o espírito do pai, e à qual vai atribuir a responsabilidade pela sua prosperidade e a do terreno, desenvolvendo com ela uma relação de culto/adoração. Ao longo do livro, vamos acompanhando então a jornada diária de Joseph e da sua família até que tudo começa a mudar...
Este foi o segundo livro escrito pelo autor e tem um tom um pouco diferente dos outros que já referi. Aqui o importante não são tanto as pessoas com as suas dificuldades sociais, mas sim as forças da Natureza e a crença das pessoas em algo superior e transcendente. Joseph é quase que uma figura mística e religiosa, estranha e solitária, que vive focado na sua relação institiva e primitiva com a Natureza e, que no fundo, cria uma forma diferente de "Deus", que adora mas que é desconhecido para todos. É um livro repleto de simbologia e metáforas, muitas delas bíblicas, que mistura diversas religiões, tradições e culturas como um reflexo das diferentes pessoas que viviam naqueles lugares. Vemos também aqui uma escrita simples mas descritiva das paisagens e passagens que marcam pela sua beleza e profundidade. 
 Concluindo, este livro é uma ode ao amor pela terra e à necessidade de acreditar na união do homem com um Deus presente na Natureza. Considero-o um livro mais estranho e complexo do autor, mas mesmo assim, não deixou de ser uma leitura cativante e acessível. Pessoalmente, não o recomendo para se iniciarem no escritor, mas sim para conhecer uma diferente faceta de Steinbeck.



Viagens com o Charley/Travels with Charley (1962)
"Rocinante, tendo apenas como companhia o cão-d’água Charley, partiu numa viagem de mais de três meses do Maine à Califórnia, por estradas de terra batida e vias rápidas, com paragens em grandes cidades e em esplendorosas paisagens naturais, atravessando quarenta Estados norte-americanos. Com um olhar de algum humor e muito ceticismo, tomou o pulso a um território de contrastes e desafios prementes e produziu uma reflexão crítica que é também uma reunião de memórias."


O Inverno do nosso descontentamento/The Winter of our discontent (1961)
"A história tem como protagonista Ethan A. Hawley, um antigo membro da classe aristocrática de Long Island. O pai de Ethan, já falecido, perdeu a fortuna da família e, em consequência, Ethan trabalha agora como empregado de balcão numa loja. A sua esposa Mary e os filhos ressentem-se do seu estatuto social e económico medíocre e não valorizam a honestidade e integridade que Ethan se esforça por manter numa sociedade corrupta. Esta pressão, bem como a sua própria turbulência psicológica, levam a que Ethan negligencie os seus padrões normais de integridade a fim de recuperar o estatuto social e a riqueza de que usufruiu em tempos."


A Leste do Paraíso/East of Eden (1952)
"Os solos férteis do vale de Salinas, na Califórnia, são o cenário deste grande fresco histórico que acompanha os destinos de duas famílias, os Trask e os Hamilton, desde os dias da Guerra Civil Americana ao pós-Primeira Guerra Mundial."




E vocês? Já leram algum destes livros?
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