Sempre que saio na estação dos comboios de Santa Apolónia é inevitável não admirar o pórtico do edifício imponente em frente desta. Este edifício contém o Museu Militar de Lisboa, um museu que só recentemente visitei apesar de morar não muito longe dele há mais de 5 anos. Uma vez que em 2018 celebra-se o centenário do armistício da I Guerra Mundial, achei que esta era a altura ideal para o visitar uma vez que este é conhecido pelas suas Salas da Grande Guerra.
O Museu Militar de Lisboa é o maior museu militar de Portugal e um dos mais antigos de Lisboa. Foi fundado em 1842, na altura com a designação de "Arsenal Real do Exército", com o objectivo de guardar e conservar material bélico. Nos finais do século XIX, várias salas foram redecoradas com trabalhos de alguns dos nossos melhores artistas da época e em 1926 adquiriu o nome pelo qual ainda é conhecido hoje em dia. Actualmente, alberga uma das colecções de artilharia mais completas do mundo.
O museu contém uma grande exposição de armas, equipamento de guerra, uniformes e documentos militares históricos, dispostos em diversas salas subordinadas a determinados períodos da História de Portugal, tais como, a Sala D. Maria II, a Sala das Guerras Peninsulares, a Sala Mouzinho de Albuquerque, etc. Para além disso, as próprias salas são também elas de uma grande beleza ornamental em talha, azulejaria e pintura. É de destacar a Sala de Camões, que exibe pinturas de Columbano Bordalo Pinheiro e José Malhoa, e a Sala Vasco da Gama que exibe telas de Carlos Reis.
As minhas salas preferidas foram, sem dúvida, as Salas da Grande Guerra que se focam no papel do exército português (CEP) na I Guerra Mundial. As paredes são quase totalmente cobertas com impressionantes telas do pintor Sousa Lopes, evocando com muito realismo a participação das nossas tropas em frança. Marcante também é a escultura no centro da sala, da autoria do Capitão Delfim Maya, que foi fundida em bronze, por Augusto de Abreu, reconhecido como o maior fundidor do séc. XX. Para além disso, a sala contém retratos dos generais envolvidos, fotografias da época, peças de artilharia, condecorações e até uma cruz, retirada de um cemitério alemão, da campa de um soldado português, com a seguinte legenda, em alemão, que significa “Aqui jaz um valente Soldado Português”.
Impressionante também é o pátio, flanqueado por canhões, que conta a história de Portugal em 26 painéis de azulejos, desde a Reconquista cristã à Primeira Guerra Mundial. Na cave do museu destaco a exibição do enorme carro utilizado para o transporte do Arco da Rua Augusta!
O Museu Militar encerra apenas às segundas-feiras e apresenta um valor de entrada bastante acessível que varia entre os 1-3 euros. Sem dúvida, que esta foi uma visita que valeu muito a pena e eu recomendo especialmente a quem gosta da temática da História de Portugal. É um museu digno de ser visitado que acaba por passar um pouco despercebido.
Museu Militar de Lisboa
Largo do Museu de Artilharia, Lisboa









