Centenário Rita Hayworth | recomendação 3 filmes

quarta-feira, 17 de outubro de 2018


Hoje assinala-se o centenário do nascimento da Rita Hayworth, uma das estrelas mais glamorosas da era de ouro de Hollywood e uma das minhas preferidas da época. Como tal, achei que seria interessante falar-vos um pouco da actriz e recomendar três dos meus filmes preferidos dela.
Rita, nascida Margarita Carmen Cansino, era uma actriz norte-americana de ascendência hispano-irlandesa. Era filha do dançarino flamenco Eduardo Cansino e da artista Volga Hayworth e, como tal,  foi ensinada desde muito nova a dançar. O seu pai queria que ela se tornasse dançarina enquanto que a sua mãe desejava que ela fosse actriz.  Não teve uma infância muito feliz.

Ela começou pela dança, tendo sido parceira do pai no seu número de vaudeville. A sua transição de dançarina para actriz de cinema não foi fácil, muito devido à sua personalidade tímida e aspecto hispânico que lhe valia apenas papéis secundários como "a estrangeira exótica". Iniciou-se sobretudo nos filmes da Fox mas acabou por se mudar para os estúdios Columbia onde foi sujeita a uma mudança de imagem. Foi submetida a uma dolorosa electrólise capilar para aumentar a testa e mudou o tom do seu cabelo para ruivo, e assim nasceu Rita Hayworth. 


O seu primeiro grande sucesso acabou por surgir com o filme Only angels have wings (1939), num papel secundário junto a Cary Grant e Jean Arthur. Rita depois brilhou em musicais da Columbia e acabou por se tornar uma das maiores estrelas destes estúdios. Foi casada cinco vezes e a sua vida foi marcada por muitos problemas amorosos. Estes, juntamente com os sintomas iniciais da doença de Alzheimer da qual viria a sofrer, acabaram por ter um grande impacto negativo na sua carreira que terminou em 1972.

Considerada um símbolo sexual da altura, Rita Hayworth considerava-se uma antítese das suas personagens, o que ficou bem patente na sua citação mais famosa: "Todos os homens que conheci iam para a cama com Gilda...e levantavam-se comigo". Tenho pena que, para muitos, Rita Hayworth seja apenas sinónimo de beleza e sensualidade, e que o seu talento artístico passe para segundo plano. Na verdade, Rita Hayworth era uma mulher muito talentosa, mas melancólica e insegura, que era frequentemente explorada por quem a rodeava, e que só queria ser amada.


Rita Hayworth morreu aos 69 anos, vítima da doença de Alzheimer, da qual sofria desde a década de 1960, mas que só foi diagnosticada em 1980. Aliás, o seu diagnóstico foi utilizado na altura para sensibilizar para as características da doença e reduzir a estigmatização associada.



- RECOMENDAÇÕES -

Gilda é, provavelmente, o filme mais importante e conhecido da actriz, e foi o primeiro que eu vi dela. Conta-nos a história de Johnny Farrell (Glenn Ford), um jogador que entra ao serviço de um misterioso proprietário de bar, ligado aos nazis, e que descobre que este está casado com uma antiga amante sua, Gilda (Rita Hayworth), pela qual ainda se sente atraído.
     Rita Hayworth é extremamente carismática e magnética neste filme e prende a atenção cada vez que entra em cena. Para além de trazer muita sensualidade, paixão e vivacidade à personagem, esta conseguiu também torná-la mais do que um mero objecto do desejo masculino (que também o é). Gilda é uma mulher complicada e multifacetada e Rita transmite muito bem essa complexidade. 



Nunca estiveste tão linda é um musical protagonizado por Rita Hayworth e Fred Astaire. Conta a história de um pai sexista, Eduardo Acuña (Adolphe Menjou), que cria um admirador secreto imaginário para sua filha, Maria (Rita Hayworth). No entanto, esta acaba por confundir um dançarino, Robert (Fred Astaire), com o seu admirador, e muita confusão se segue. 
     Este é o segundo filme do duo e o meu preferido dos dois. Apesar do enredo ser um pouco silly, esta é uma daquelas comédias românticas que aquece o coração e nos deixa com um sorriso nos lábios. Vale a pena ver sobretudo pela química entre os dois protagonistas, que é especialmente visível durante os momentos de dança, e as divertidas interacções familiares. Rita Hayworth é super expressiva a dançar e traz muita doçura ao romance. E uma pequena curiosade...supostamente Fred Astaire disse que de todas as parceiras de dança que teve, Rita foi a sua preferida.



A Dama de Xangai é o meu filme e interpretação preferidos da Rita Hayworth. Este filme noir conta a história de Michael O’Hara (Orson Welles), um marinheiro que se deixa atrair pela lindíssima Elsa (Rita Hayworth), quando passeava num parque e a salva de um assalto. Como recompensa, o marido desta, o famoso advogado Arthur Bannister (Everett Sloane) contrata-o para servir de piloto numa viagem de iate de um grupo de amigos até ao canal do Panamá. Mas nem tudo é o que parece...
     O filme não foi um sucesso quando saiu e o público não gostou da mudança de visual (de ruiva para loura platinada) da actriz. No entanto, para mim, ela está excelente e deslumbrante enquanto femme fatale. Consegue oscilar de forma credível entre uma presença sedutora e misteriosa e os momentos de frieza, tristeza e melancolia da personagem. O filme é realizado e protagonizado por Orson Wells, o seu marido da altura, numa altura já final do seu casamento. Creio que isso se reflecte na óptima química e tensão existente entre os protagonistas, apesar de não adorar a interpretação do Orson Wells (aquele sotaque!). Visualmente, o filme vale também muito a pena e eu gosto da sua trama cheia de reviravoltas e enganos, apesar de muitos a considerarem o ponto fraco do filme.




E vocês? Já viram algum destes filmes?
Qual o vosso filme preferido da actriz?